Sinopse

Voc vai se apaixonar pela fora, determinao e ousadia de Gillyanne, uma mulher capaz de tudo para alcanar seus objetivos. Uma histria bem escrita e com detalhes 
que faro voc vivenciar intensamente cada momento do livro.
Fernanda Cardoso Editora
Hannah Howell

A noiva das terras altas

TRADUO Gabriela Machado
Copyright (c) 2002 by Hannah Howell Originalmente publicado em 2002 pela Kensington Publishing Corp.
PUBLICADO SOB ACORDO COM KENSINGTON PUBLISHING CORP.
NY, NY-USA Todos os direitos reservados.
Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas ter sido mera coincidncia.
Ttulo original: Highland Bride
Traduo: Gabriela Machado
Editora e Publisher: Janice Florido
Editora: Fernanda Cardoso
Editoras de Arte: Ana Suely S. Dobn e Mnica Maldonado
Paginao: Dany Editora Ltda.
Ilustrao da Capa: Hankins + Tegenborg, Ltd.
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Rua Paes Leme, 524 - 10 andar CEP 05424-010 - So Paulo - Brasil
Copyright para a lngua portuguesa: 2005 EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Impresso e acabamento: RR DONNELLEY Tel.: (55 11)4166-3500

Prlogo

Esccia, 1465
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Sire Eric! Sir Eric!
O sir Eric Murray voltou-se para olhar o homem que corria em sua direo. Encontrara um local bastante ermo no jardim para poder ler as notcias de casa. Embora 
gostasse muito de sir Donald, no estava satisfeito que aquele raro momento de paz fosse abruptamente interrompido. Quando sir Donald parou a sua frente, Eric empertigou-se 
no banco de pedra.
- Eu no sabia, que voc tinha voltado - disse sir Donald, enxugando o suor da face. - A mensagem que o rei lhe enviou foi entregue depressa, no foi?
- Sim. - Foi tudo que Eric retrucou, sabendo como sir Donald era vido por uma fofoca.
-O rei o aguarda. Ele tambm no sabia que voc tinha voltado.
- No contei. Queria um momento de sossego para ler as notcias de casa.
- E sua encantadora esposa, est bem? Seus filhos?
-Todos bem, embora eu comece a sentir necessidade de voltar. Minha Gillyanne ps na cabea que quer ver as terras de seu dote.
- Ora, que bela coincidncia!  sobre as terras de dote de sua filha Gillyanne que o rei deseja conversar.
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-  algo que tentamos manter em segredo, pelo menos com relao ao tamanho e o lugar.
- A maior parte da corte sabe o tamanho e o lugar.
- Como?
Sir Donald engoliu em seco, nervoso. A expresso de sir Eric era dura, quase ameaadora.
- Bem, faz fronteira com todas as terras de trs lordes, e no entanto eles no sabiam exatamente a quem pertencia. O rei disse aos proprietrios que a terra era 
o dote de sua filha, que ela ainda no se casara e que na sua opinio eles deveriam procur-lo. - Donald deu um passo para trs quando sir Eric levantou-se de repente. 
- So todos cavaleiros e lordes, sir Eric. No consigo entender por que a objeo em concordar em casar sua filha com um deles.
- Oh, mas claro que fao objees! - exclamou sir Eric num tom gelado. - Eu me oponho de todo corao. Primeiro, quero que minha filha se case por amor, como eu 
o fiz, como meus irmos o fizeram, como muitos de nosso cl fizeram. Segundo, com certeza no gostaria que homens famintos por um pedao de terra tentassem obt-la 
por meio de minha pequena Gillyanne. Algum desses cavaleiros ainda est aqui?
- No. Ficaram por uns poucos dias depois de saber quem era o dono das terras e foram embora.  provvel que estejam planejando v-lo depois, quem sabe quando fizerem 
a corte a sua filha.
- Ou podem ter corrido para ver quem pode ganhar minha mocinha primeiro e arrast-la para diante de um padre. - sir Eric saiu em largas passadas dos jardins, com 
sir Donald de olhos arregalados em seus calcanhares.
Tudo em que Eric conseguia pensar era em sua pequena Gilly sendo arrastada e magoada por algum tolo que desejava apenas suas terras. O pensamento enraiveceu-o.
- O rei soltou uma matilha de lobos em cima de Gillyanne. Rezo para que minha esposa tenha trancado a garota a sete chaves, e que ela fique assim at eu chegar em 
casa.
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Captulo I

- No creio que mame fique muito contente com isso, disse Gillyanne.
Gillyanne sorriu para James, o belo rapaz que cavalgava a seu lado. Era o irmo de seu corao e sabia que a mulher a que chamava de me era na realidade tia dele.
- Na verdade, mame e eu sabemos pouco sobre sua casa da torre, a no ser que no  uma runa - ele continuou. - Claro que seria preciso um olho feminino para avaliar 
melhor o lugar.
- Se tiver uma cama, banho e comida, ficarei contente por agora. O conforto como os que existem em Dublin podem vir depois - ela falou.
- No tenho certeza de ter entendido essa sua vontade teimosa de vir aqui.
- Nem eu, tambm. - Gillyanne deu de ombros. - As terras so minhas! No posso dizer nada alm disso. So minhas e queria conhecer por mim mesma.
- Entendo... - Franziu a testa, com uma expresso um tanto preocupada. - Fico imaginando como se sentiro as pessoas que vivem em suas terras de dote quando virem 
uma garota como voc reclamar a posse.
- Mame pensa assim tambm e procurou cercar-se de alguma
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segurana. Parece que no iro se importar.  apenas uma pequena fortaleza com poucas pessoas, e ela teve a impresso de que iro receber bem qualquer um. O nico 
que chamam de lder  um intendente idoso. Por isso mesmo esto um bocado inseguros sobre o futuro.
- Isso conta em seu favor, ento - assentiu James. - Por que tenho a impresso de que voc pretende se estabelecer em suas terras?
Gillyanne deu de ombros outra vez. Porm havia dentro dela uma inquietude que no conseguia compreender. Amava profundamente a famlia, mas eles apenas pareciam 
tornar aquela inquietude pior. Talvez se tivesse suas prprias terras para cuidar pudesse se sentir til e assim saciar a fome que lhe consumia as entranhas. Havia 
outra razo. Tinha um sabor muito parecido com o da inveja, porm ela descobrira que era cada vez mais difcil estar ao lado de tantos casais to felizes, de observar 
seus primos constiturem suas prprias famlias. Cada novo nascimento a que comparecia era, para ela, uma mescla de prazer e sofrimento crescentes. Ela logo completaria 
vinte e um anos e nenhum homem a fitara de maneira mais calorosa. As viagens  corte tinham sido penosas, prova de que os homens simplesmente no a julgavam desejvel, 
e todo amor e conforto da famlia realmente no suavizavam esse espinho que a magoava.
Por vezes, se zangava consigo mesma. No precisava de um homem para sobreviver, sabia que poderia ter uma vida plena e feliz sem nenhum homem a seu lado. Porm, 
junto com essa certeza havia o fato de que ansiava por paixo, por amor e especialmente por filhos que um marido poderia lhe dar.
- Se voc se esconder aqui, como vai encontrar um marido? - perguntou James, trazendo-a de volta  realidade.
- No pensei que fosse um problema que eu precisasse enfrentar, primo. Se houver um par para mim, e eu tenho poucas provas de que exista um, ele poder me encontrar 
aqui to facilmente como poderia em Dublin ou na corte do rei.
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James sorriu.
- Voc fala como se estivesse desistindo. Elspeth e Avery eram quase da sua idade quando encontraram seus maridos.
- Quase, mas mesmo assim mais jovens. Creio que tambm experimentaram o ocasional comicho de interesse dos homens com quem se casaram. - Ela sorriu para o primo 
quando ele franziu a testa. - No se preocupe. Minhas primas encontraram seus parceiros em lugares inesperados. Quem sabe eu tambm encontre. - Gillyanne enveredou 
por uma fieira de rvores e anunciou. -- Ah, e eis que surgem. Meu castelo e minhas terras.
Ald-dabhach obviamente consistia de pouco mais que uma torre fortificada. No decorrer dos anos, duas pequenas alas haviam sido acrescidas  torre e ela era agora 
rodeada por uma alta e resistente muralha. Assentada sobe uma colina ngreme, era facilmente protegida. A minscula vila que se instalara sob sua sombra parecia 
limpa, os campos ao redor eram bem cuidados ou usados como pastagem para o gado e as ovelhas. Um regato serpeava seu trajeto por trs da fortaleza, o sol poente 
a tornar as guas fulgurantes. Era, decidiu Gillyanne, um local bastante bonito, e ela esperava que fosse to pacfico como parecia quando incitou a montaria para 
os portes.
-  robusta - disse James ao se postar perto de Gillyanne sobre as muralhas da fortaleza, depois do jantar.
Gillyanne riu e concordou. No havia muito mais a dizer a respeito da propriedade. Era limpa, porm tinha pouco daqueles toques femininos tais como toalhas de linho 
para as mesas no salo. No era de surpreender, j que uma maioria de homens morava em Ald-dabhach. Havia aquelas mulheres que dormiam dentro da fortaleza, duas 
mais velhas casadas com soldados, e uma garota muito tmida de seus doze anos, a filha da cozinheira. Sir George, o intendente, estava na casa dos sessenta e era 
surdo e de vista ruim. A maior parte dos soldados era de meia idade. O que veio a confirmar sua opinio de que aquele era um local pacfico. Os
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cinco homens que tinham viajado com ela eram jovens, fortes, e haviam sido saudados quase to efusivamente quanto ela.
- Creio que seus homens ficaro - disse James -, o que agradar as criadas daqui.
- Oh, sim. Veja a repentina afluncia de criadas para o jantar. Devem ter visto nossa chegada da vila.
- E correram direto para c. Evidentemente existe uma escassez de jovens saudveis. - James suspirou.
- Para algumas. - Ela fez um gesto de cabea em direo ao manco que desaparecia nos estbulos. - Vi a esposa e ele juntos. A moa olha para ele como se ele fosse 
um homem mais bonito, forte e corajoso que j nasceu.
- Voc enxerga demais e v tudo com muita clareza.
- Vejo o lado bom das coisas. Nossa prima Elspeth a maioria das vezes pressente coisas, v algo nos olhos. E eu? Juro que muitas vezes posso sentir o que h. Elspeth 
 muito boa em adivinhar se algum mente, pressente medo ou perigo quando isso se apresenta. Eu? Vamos apenas dizer que, s vezes, uma sala cheia de gente pode ser 
uma tortura.
- Eu no tinha percebido que era assim to forte. Deve ser muito difcil ser constantemente confrontado com os sentimentos de todo mundo.
- No de todos. O pior de se captar  o dio.  uma sensao aterradora. O medo tambm no  to bom. J fugi cegamente de lugares apenas para de repente recuperar 
a sensatez.  ento que me dou conta que o medo se foi, pois o deixei com a pessoa que realmente o sentia.
- E isso  o que Elspeth sente tambm?
- Um pouco. Ela diz que sua habilidade  uma coisa mais suave, como um cheiro no ar a que ela pode dar um nome.
- Fico feliz por no ter tais habilidades.
- Voc tem a sua prpria, especial, James - Gillyanne murmurou e afagou-lhe a mo.
- Oh? E o que ?
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- Voc pode mandar uma garota para o paraso. Todas as garotas dizem isso. - Ela soltou a risada quando ele enrubesceu e fez cara feia.
- Capta alguma coisa aqui, Gilly? - ele perguntou. - Alguma coisa com que eu deveria me preocupar?
- No, no momento tudo que sinto  uma calma, uma paz, um suave contentamento. H tambm uma sensao de antecipao, de espera. Sinto como se tivesse tomado a deciso 
certa ao vir aqui. Este lugar ou quem sabe essas terras me do uma sensao de posse.
- Seus pais ficaro magoados se escolher ficar. Gillyanne suspirou.
- Sei disso, mas eles compreendero. No gostaria de deix-los e, valha-me Deus,  provvel que eu v lamentar continuamente o fato de no estar tropeando nos parentes 
a cada vez que me viro. Sofri muitas dvidas enquanto viajava para c, mas, depois de ultrapassar aqueles portes, senti que era o certo. Este  o lugar onde eu 
deveria estar. No sei por que ou por quanto tempo, porm, por ora, aqui  onde eu faria meu lar.
- Ento, deve ficar. Precisa ouvir esse chamado. Voc no se sentiria assim sem motivo.
Ela recostou-se contra ele por um instante. James no partilhava de nenhum dos estranhos dons que pareciam vicejar no cl Murray, pois no tinha o mesmo sangue. 
Suas foras eram compaixo e uma doura de natureza. Ele nunca questionava, contudo, nunca duvidava ou temia os dons de outros. Na verdade, ela raramente sentia 
algo com relao ao que ele pensava ou sentia. Eram apenas duas pessoas comuns quando estavam juntos e ela encontrava muito conforto ao lado dele.
- No estou certo de que encontrar um homem aqui, no entanto - ele continuou. - Esto em falta,  evidente.
-  verdade, mas isso no importa. H o suficiente para nos defender a todos se a necessidade obrigar.
- No estou falando de defensores, ou algum para erguer
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coisas pesadas, e voc sabe disso. No  aqui que voc encontrar seu parceiro.
Realmente no havia nenhum homem a escolher por ali e, de acordo com sir George, os homens dos trs cls que circundavam suas terras no eram de pagar visita. E 
qualquer visita de algum de um daqueles cls seria certamente tratada com receio e uma grande dose de cautela. Gillyanne detestou pensar que a paz, o contentamento 
que sentia no era de ver suas terras e a fortaleza, mas por aceitar, do fundo do corao, que sempre seria nada mais que a Tia Gilly, a solteirona tia Gilly, a 
passada tia Gilly, o velho pau seco Gilly.
- No importa - disse ela, por fim, sem acreditar numa palavra do que dizia. - Nunca precisei de um homem para ser feliz.
- No queria filhos? Precisa de um marido para ter alguns deles.
- No, apenas de um amante. - Ela quase caiu na risada diante da expresso chocada de James. - Ou - apressou-se a continuar antes que ele se sasse com uma descompostura 
--, posso treinar as garotas para serem damas de suas prprias terras e lares. Ou poderia recolher algumas das crianas esquecidas que sempre se v nas ruas de toda 
cidade, vila e aldeia. Existem muitas crianas com graves carncias de amor, cuidados e um lar.
-  verdade, mas no  a mesma coisa.
- No se preocupe comigo, James. Sou capaz de construir minha prpria felicidade. Um futuro com um marido amoroso e filhos seria melhor, mas posso encontrar alegria 
em viver sem tais bnos. Na verdade, uma das razes pelas quais eu quis sair de casa foi porque me cansei da preocupao amorosa de todos; isso comeou a se tornar 
uma irritao e no  o que eu quero.
- Sinto muito - murmurou James. - Eu estava fazendo o mesmo, no estava?
- Embora doa ficar longe de minha famlia, se eu permanecer uma solteirona, se  essa realmente minha sina, estar longe  provavelmente o melhor. Eu prefiro conduzir 
minha prpria vida que
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me tornar por demais emaranhada na dos outros. Prefiro ser visitada que ser hspede para sempre.
- Voc realmente acredita que a tratariam com falta de gentileza, Gilly? - James franziu a testa.
- Jamais de propsito, James - ela retrucou sem hesitar. -
Contudo, esto todos to contentes com suas vidas, com seus maridos e seus bebs, que naturalmente desejam o mesmo para mim. Assim, apresentam-me a homens, arrastam-me 
para a corte, tentam gentilmente vestir-me melhor ou mudar o jeito que uso meus cabelos. - Gillyanne deu de ombros. - Tenho vinte anos agora, porm, conforme os 
anos passarem, essas alfinetadas podem se tornar mais fortes, a preocupao mais evidente. No,  melhor se houver alguma distncia. Podem parar de tentar me encontrar 
um parceiro e eu no sentirei mais a triste consternao de todos quando ningum aparecer.-Ela enganchou o brao no dele e comeou a descer a estreita e ngreme 
escadaria que conduzia ao ptio interno. - Venha. Vamos ver como so nossas camas. Foi um longo dia.
James nada mais disse, embora Gillyanne tivesse a sensao de que ele gostaria de lhe infundir coragem, acalm-la com elogios que de alguma forma a fizessem sentir-se 
com algum encanto, mas no conseguira encontrar algo bom para dizer.
Ao se apressar em ir para a cama, planejou alguns poucos melhoramentos para o quarto despojado. Havia trabalho a fazer ali e ela sabia que poderia encontrar satisfao 
nisso. Poderia fazer daquelas terras o seu futuro, sua vida. Talvez se ela e a famlia cessassem de procurar to arduamente por um parceiro, este finalmente aparecesse.
Suspirou e enfiou-se debaixo das cobertas, com a viva suspeita de que sua estatura tinha algo a ver com a falta de pretendentes. No havia muito nela, em porte ou 
em curvas femininas. Os homens apreciavam um pouco de carne nos ossos e ela quase no tinha nenhuma daquela suave carnadura de que gostavam.
Seus gatos de repente juntaram-se a ela, na cama. Sujinha aconchegou-se
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a seu peito e Maltrapilho contra suas costas, a agasalh-la com o calor dos corpos. E quando ela fechou os olhos, desejou que os homens pudessem ser facilmente agradados, 
tal como os gatos. Um lugar quente para dormir, uns poucos afagos e uma barriga cheia, e estavam contentes. Seus gatos no se importavam se seus seios eram pequenos, 
se tinha uma perspiccia muitas vezes aguda e a habilidade de sentir uma mentira, s vezes antes mesmo de ser dita. O que ela precisava era de um homem de necessidades 
simples, um que pudesse ver alm da falta de curvas e dos modos estranhos. Nos sonhos, ele existia, mas Gillyanne receava que fosse o nico lugar onde poderia encontr-lo.
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Captulo II

- Eles esto aqui.
jillyanne olhou para George. A face do recm-chegado tinha linhas sombrias e ela percebeu que ele estava preocupado. J que era a sensao que sentia constantemente 
nele desde que chegara, havia dois dias, no se abalou.
- Quem so eles, George?
- Os lordes.
- Que lordes?
- Os trs que nunca vimos e nem gostaramos de ver.
- Ah, esses lordes.
- Fico a imaginar porque eles vieram, milady, quando nunca fizeram isso antes. De vez em quando cruzam nossas terras, porm nada mais. Assim, pergunto a mim mesmo, 
por que agora? Por que vir aqui agora?
- E  uma boa pergunta - disse Gillyanne. - J que eles so os nicos que podem respond-la, creio que deveremos perguntar diretamente a eles.
- Deix-los entrar?
Havia um esgar de medo na voz de George, mas Gillyanne o ignorou.
Apenas os trs lordes - sozinhos e sem suas armas. Leve
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sir James para ficar com voc - ela gritou a George, que j saa para executar suas ordens.
Ao ver a jovem Mary entrar no grande salo, Gillyanne pediu  garota que providenciasse comida e bebida para os hspedes e voltou os pensamentos para os visitantes 
no convidados.
At que soubesse por que estavam ali, a melhor coisa a fazer era agir ela mesma como um lorde, rgia e indiferente, ainda que no em demasia para no causar ofensa. 
Sentou-se ereta na cadeira do senhor da casa,  cabeceira da mesa, baixou os olhos e esperou que nenhum dos lordes percebesse que seus ps nem tocavam o cho. Ao 
ouvir o som de pessoas que se aproximavam do salo, endireitou as costas e comeou a repetir para si mesma que Ald-dabhach lhe pertencia.
James fez entrar trs homens que eram seguidos de perto por dois de seus soldados. George esgueirou-se por trs deles e desapareceu nas sombras. Os trs homens a 
fitaram e em seguida correram os olhos pelo salo  procura de mais algum. Ento, a encararam. Os dois mais baixos deixaram cair o queixo, ostensivamente, enquanto 
o mais alto ergueu uma sobrancelha ligeiramente.
-Meus senhores, dou-lhes as boas-vindas a Ald-dabhach. Sou Lady Gillyanne Murray. Por favor, venham e sentem-se  minha mesa. Comida e bebida lhes sero servidas.
O lorde de cabelos pretos foi o primeiro a dar um passo  frente e curvar a cabea numa reverncia.
- Sou Robert Dalglish, lorde de Dunspier, senhor das terras que fazem fronteira com as suas ao leste e ao sul. - Sentou-se  direita dela, deixando espao para James, 
que foi rpido em tomar o lugar ao lado de Gillyanne.
O lorde de compleio quadrada e de cabelos ruivos avanou em seguida, a reverncia to ligeira que quase chegava a ser um insulto.
- Sou sir David Goudie, lorde de Aberwellen, cujas terras fazem fronteira com as suas a oeste e ao sul. - Sentou-se do lado oposto a sir Robert, mas seus olhos estavam 
fixos em James.
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Lentamente o homem alto deu um passo  frente, fechou a expresso e em seguida curvou-se.
-Sou sir Connor MacEnroy, de Decladach. O senhor de todo o resto das terras que circundam as suas. - Sentou-se  esquerda de Gillyanne.
Mary, com seus irmozinhos como pajens, trouxe a comida e a bebida, dando a Gillyanne um bem-vindo instante para recuperar o flego. Havia uma desconcertante mescla 
de cautela, tenso e hostilidade que emanava dos homens, e Gillyanne teve de lutar para impedir que isso a afetasse. Algo lhe dizia, contudo, que aqueles senhores 
no estavam ali simplesmente para lhe dar as boas-vindas a Ald-dabhach.
Sir Robert no parecia uma m pessoa. Seu cumprimento fora elegante, as palavras ditas com polidez e, depois do primeiro olhar de surpresa, sua expresso se tornara 
de leve interesse. Sir David a deixava cautelosa. O homem parecia desafiar-lhe o direito de sentar-se na cadeira do senhor da casa. Gillyanne sentiu a forte sensao 
de que sir David no gostava da ideia de uma mulher possuidora de terras ou de qualquer outra coisa de valor. sir Robert era um corteso e sir David de certa forma 
um guerreiro bruto. Gillyanne sabia que isso era de uma simplificao extrema, mas ainda assim serviria para ajud-la no trato com cada um deles, at que soubesse 
mais.
O homem sentado  esquerda a preocupava mais. Gillyanne no conseguiu sentir nada quando fixou a ateno sobre o impressionante sir Connor, nada a no ser o ligeiro 
toque de cautela direcionado aos outros dois lordes. Mal lhe dirigira o olhar.
Ele a incomodava e contudo Gillyanne no tinha certeza se era por causa do tamanho, por sua incapacidade de sentir alguma coisa quando se concentrou nele ou, suspirou 
involuntariamente, pela beleza daquele homem. sir Connor MacEnroy era alto, de ombros largos. Seus cabelos eram de um rico dourado e caam em vastas ondas at os 
ombros. Suas feies eram do tipo de fazer uma muner suspirar a despeito da larga cicatriz que corria do canto de seu
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olho esquerdo numa leve curva sobre a ma do rosto at logo abaixo da orelha esquerda, e da ligeira irregularidade do nariz reto que revelava que fora quebrado 
pelo menos uma vez. Havia uma pequena marca na linha forte do queixo e outra na testa. Suas sobrancelhas belamente recurvas eram vrios tons mais escuras que seus 
cabelos, assim como os longos clios. Os poucos olhares de relance que ela obtivera daqueles olhos tinham feito com que o corao de Gillyanne batesse mais rpido. 
Ela no acreditava que tivesse visto um azul to esplndido nos olhos de algum mais. Eram da cor de campnulas, uma flor que ela sempre apreciara. Um rpido olhar 
para baixo, para as mos dele, revelaram que eram tambm bonitas - fortes, bem torneadas, com longos dedos graciosos. As cicatrizes nas costas das mos diziam que, 
a despeito da juventude, ele era um homem de batalhas.
- Ento, a senhora reclamou Ald-dabhach, no ? - disse sir David, num tom de voz que fez a pergunta soar como uma inquirio.
- Sim,  minha - Gillyanne retrucou, com doura. - Meu tio-av deu-a a mim como meu dote. - Foi muito gentil da parte dele.
- Terras de dote so para uma moa dar a seu marido. J se casou ou est noiva?
- No. - Era uma pergunta impertinente, e Gillyanne achou difcil falar com gentileza. - Meu tio-av assegurou-me que eu no preciso de marido para ter Ald-dabhach. 
So minhas terras. - Quando sir David fez uma carranca e resmungou, Gillyanne sentiu um impulso forte de esbofete-lo, mas James segurou-lhe o punho.
- Precisa de um marido, moa - sir David anunciou -, e eis porque viemos aqui no dia de hoje.
- Para me arranjar um marido?
- No, no h necessidade de procurar. Ns nos casaremos com a senhora.
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- Todos vocs? No creio que a igreja v permitir uma coisa dessas. - Gillyanne disse, com escrnio.
- No. A senhora escolher um de ns.
Que sir David julgasse que suas palavras devessem ser tomadas a srio quase fez Gillyanne rir. sir Robert o fitava como se no conseguisse saber se deveria rir ou 
esmurrar o idiota. Um rpido olhar para sir Connor mostrou que ele a observava atentamente agora, embora ela no se atrevesse nem a tentar a adivinhar o motivo.
- E por que eu faria isso? - ela perguntou.
- Uma moa no pode possuir terras por sua conta - disse sir David. - A senhora precisa de um homem para mandar aqui.
- Minha senhora - interrompeu sir Robert com presteza, antes que Gillyanne pudesse rebater os comentrios arrogantes de sir David -, meu amigo aqui pode no falar 
com as palavras mais suaves, porm existe algo de verdade naquilo que ele diz.
Gillyanne pensou que se sir Robert estava tentando acalm-la, fazia um pssimo trabalho.
- No so tempos pacficos, minha senhora - continuou Sir Robert. - Cada cl deve esforar-se por ser to forte e to pronto para a batalha quanto possvel. Inteligente 
e perspicaz como a senhora deve ser, sabe que isso  trabalho para um homem treinado.
- Sei disso. Eis porque me sinto to segura aqui - como um lorde. No apenas sou amplamente assistida por meu primo sir James Drammond, lorde de Dunncraig, e pelos 
homens que meu pai sir Eric Murray treinou, mas por sir George, um homem bastante experiente escolhido por meu tio-av. - Gillyanne pousou as mos na mesa e sorriu 
para os trs visitantes. - E estou rodeada por trs poderosos senhores os quais sir George me assegurou que nunca causaram problemas ou nos ameaaram.
Minha senhora... - comeou sir Robert. Deixe estar, Robbie - interrompeu sir David. -  claro que a moa se recusa a ver a razo.
Razo? O senhor disse que eu preciso de um marido e eu,
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educadamente, discordei - retrucou Gillyanne. - Nada mais nada menos.
- No se faa de tola. Sabe que ns queremos essas terras, queremos que um de ns seja seu dono e no alguma moa frgil que a recebeu como um presente de um parente 
amoroso. Ou a senhora escolhe um de ns como marido ou ns faremos a escolha por voc - sir David declarou, ao se levantar.
Depois de uma breve hesitao, tanto sir Robert como Sir Connor tambm se levantaram e Gillyanne suspirou com verdadeiro pesar.
- Todos concordam, ento? Todos se levantam juntos? - Quando Sir Robert meneou a cabea em concordncia, ela se voltou para sir Connor. - O senhor no disse nada, 
sir Connor. Fica ao lado desses homens, concorda com todos os seus planos para mim e minhas terras?
- So belas terras, minha senhora - sir Connor respondeu - e terras que temos todos cobiado por longo tempo.
Gillyanne quase praguejou quando os trs se afastaram. James apressou-se em acompanh-los at os portes e para fechar a passagem em segurana por trs deles.
- Creio que temos um pequeno problema - James resmungou, ao voltar para o salo.
- Verdade? - ela murmurou.
James fitou-a com um olhar desgostoso e sentou-se. Serviu-se do vinho.
- Eles a querem.
- Querem estas terras.
-Estamos arruinados-disse George, ao emergir das sombras e caminhar at a cabeceira da mesa. - H um monte de homens l fora.
- Um monte? - Gillyanne perguntou a James.
- Sim, porm no creio que cairo todos sobre ns de uma vez - respondeu James.
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- Parece que o presente de meu tio no  a bno que julguei que fosse.
- Voc acabou de receber trs propostas de casamento. -
James riu e desviou-se da tentativa de Gillyanne de lhe dar um tapa.
- Porque no aceita um deles, milady? - perguntou George.
- Cada um  um cavaleiro sagrado e um lorde e embora eu no possa adivinhar o que influi na escolha de uma moa, nenhum deles parece muito feio de se olhar. So 
jovens e fortes, tambm. Com boas terras.
- Tenho certeza de que cada um  uma excelente pessoa - disse Gillyanne, sorrindo para o preocupado sir George. Eles no me querem, no entanto, querem? Querem estas 
terras. Eu me tornei o prmio de algum jogo. No  exatamente a corte cavalheiresca dos sonhos de uma moa.
- Poucas conseguem isso.
- Triste verdade. - Ela suspirou e tamborilou os dedos sobre a mesa. - Contudo, no quero derramamento de sangue por causa disso. Nem creio que desejem ver muito 
prejuzo causado a Ald-dabhach e a seu povo.
- Oh, no. E tero de ser cautelosos para no machuc-la ou mat-la.
-Seria um pouco difcil desposar-me e reclamar minhas terras se estiver morta. Isso tambm os deixaria num impasse com meu tio-av, algo que parecem relutantes em 
fazer. James franziu a testa e coou o queixo.
Podem recear que voc despose algum - algum de olho em mais terras. Os MacMillans mostraram-se vizinhos pacficos, se no verdadeiros aliados. Qualquer homem com 
quem voc possa se casar poderia se provar ser bem menos amistoso.
Sendo to pacfico aqui, eu teria pensado que esses lordes tentariam fazer um tratado primeiro - disse Gillyanne.
Nem sempre foi pacfico, senhora - retrucou George. - Os Pais daqueles trs lordes, e os pais antes deles, e os antepassados
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tambm eram um bando de sedentos homens sanginrios, cheios de cobia. Ald-dabhach sofreu tambm, mais principalmente por ser cruzada por grupos em incurso e foi 
tratada como uma despensa por aqueles idiotas. Tratados eram feitos e quebrados vezes seguidas. Traies eram comuns. Estas terras se ensoparam de vermelho com o 
sangue de todos os trs cls e de alguns dos nossos tambm.
- O que ps fim a isso? Perguntou Gillyanne.
- Os pais dos lordes se mataram uns aos outros. Pouco restou, a no ser terra revolta e sepulturas, embora eu pense que os Mac-Enroys sofreram mais. Os lordes eram 
simples garotos, mas saram das runas e fizeram um pacto entre si. As guerras e os assassinatos terminariam com eles.  poca em que os velhos lordes morreram, 
eu fiquei espantado de que algum continuasse vivo para se reerguer da tragdia que aqueles tolos deixaram para trs e comear tudo de novo.
- Ah. Isso explica porque no querem que nenhum estranho venha aqui, case-se comigo e reclame minhas terras de dote.
Gillyanne acomodou-se mais confortavelmente na enorme cadeira. O que precisava fazer era ganhar algum tempo, tempo em que seu pai poderia chegar. O instinto lhe 
dizia que ele rumaria para Ald-dabhach to logo tivesse encerrado a reunio com o rei. Ento voltaria suas timas habilidades de persuaso sobre os trs lordes e 
desfaria a confuso. At que isso acontecesse, ela precisava de alguma forma manter o pulso firme em Ald-dabhach e conseguir que ningum de qualquer lado fosse morto 
ou ferido. No era um problema fcil de resolver.
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Captulo III

Decises, decises, Gillyanne resmungou para si mesma, os olhos fixos no teto do salo. Defrontava-se com uma deciso que poderia afetar o seu prprio futuro. E 
ela que pensara que tudo se resolveria quando finalmente se mudasse para Ald-dabhach.
No. Ela, que no fora nem de leve cortejada agora tinha trs lordes a lhe bater nos portes, tentando obrig-la a se casar com um deles.
A paz que aquelas terras tinham desfrutado por tanto tempo estaria acabada. Pessoas seriam feridas, at mesmo mortas. Tudo que tivessem construdo seria danificado 
ou destrudo. E por qu? Por que ela no queria se casar com um daqueles trs lordes perfeitamente aceitveis? Por que ela no queria perder o controle sobre suas 
terras de dote? Por que ela gostava tanto de sua virgindade que no desejava sacrific-la para ganhar tempo at que seu pai chegasse e a ajudasse naquela confuso? 
Nada valia o risco das vidas das pessoas. Era uma dura verdade que ela simplesmente no poderia ignorar.
- A resposta que voc procura est escrita l em cima? Gillyanne sorriu quando James sentou-se a seu lado.
Se estiver, est bem escondida atrs da sujeira. - Ela suspirou. - Se aqueles idiotas l fora dos portes se preparam para lutar de verdade, ento, existe apenas 
uma nica resposta, no ?
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-Eu com certeza no encontrei outra e, creia, pensei muito sobre o assunto, tanto que minha cabea di.  um duro golpe para meu orgulho de homem, mas o nico que 
pode resolver as coisas em seu favor  nosso pai.  ele quem tem o poder de impedir isso no apenas porque  seu pai, mas por ser chegado ao rei.
- O qual, aparentemente, lanou aqueles ces de caa sobre meu rastro.
James esboou um sorriso triste.
- Para muitos, foi uma soluo bastante razovel. Poucos pais iriam contestar a escolha oferecida, e eles se apresentaram para deixar claras as intenes. Somos 
ns, os Murrays, que somos vistos como estranhos com nossa insistncia em ter opes. Existem muitos que diriam que voc agora tem mais escolhas que a maioria das 
moas.
- Sei disso. Eu no reuniria simpatias se reclamasse para algum fora do cl. - Ela suspirou.-As pessoas aqui demonstram simpatia, mas no muito. Acho que compreendem 
porque eu no gostaria de entregar minhas terras para homens que nem mesmo tentam conquistar-me. Porm, so trs belos lordes dispostos a me desposarem. Nada feios, 
nem velhos, nem fracos, nem pobres. Realmente, cada um  aquilo que muitas mulheres desejam. Se aqueles homens agora pretendem lutar de verdade, devo pr um fim 
ao jogo.
- Deveremos ter uma resposta para o que planejam fazer quando a noite acabar.
- Oh? Como assim?
- Mandamos um rapaz l fora para ver o que pudesse, talvez mesmo esgueirar-se perto o bastante para ouvir uma palavra ou duas. No precisa ficar preocupada. At 
George julgou que era seguro, que o pior que poderia acontecer  ele ser capturado e ns no saberemos mais do que sabemos agora. Sim, se os lordes planejam uma 
batalha, o povo sofrer, mas George est confiante de que no iriam ferir o rapaz se o pegarem. Afinal, se quisessem
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apenas abrir caminho pelos portes sem se importar com as terras ou as pessoas, teriam agido assim desde o incio.
-  verdade. Espero que ele volte logo. Algo me diz que  melhor eu ter uma boa noite de sono, que seria prudente estar descansada pela manh. Afinal, se algum 
se defrontasse com uma grande mudana na vida e na sorte, seria pssimo se bocejasse no caminho.
Connor recostou-se a uma rvore, braos cruzados no peito. Olhou muito srio para os outros dois lordes. David e Robert estavam deixando que a raiva os dominasse. 
Se dessem rdeas soltas a ela sobre Ald-dabhach, no sobraria muito que reclamar. Poderiam facilmente ferir ou matar a mulher que queriam desposar.
- Voc acha que estaro mais calmos ao amanhecer? - Diar-mot perguntou, ao se aproximar de Connor.
- No - retrucou Connor, baixinho, para no ser ouvido.
- Talvez voc pudesse convenc-los a deix-lo ir primeiro. Se os portes da fortaleza precisarem ser derrubados, acho que voc faria isso com menos custo para Ald-dabhach 
e seu povo.
- Eles no se aproximaro sozinhos. - Connor meneou a cabea. - A moa  orgulhosa. Afinal, so terras de dote que ela entregaria ao marido. Seja como for, talvez 
devssemos ter pelo menos tentado cortej-la.
Alguma vez cortejou uma moa?
- No, mas como poderia ser difcil? Acho que poderia ter feito isso.
Creio que Robert poderia fazer melhor. Acho que voc perderia o jogo.
Connor Julgou haver alguma verdade naquilo que Diarmot disse. No que no se se sentisse um Pouco insultado. Ele tivera mulheres, no muitas, mas provavelmente porque 
no se ausentava com freqncia de Deilcladach. Havia algumas que estavam sempre dispostas a se deitarem com ele. Das raras vezes em que viajara,
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desfrutara dos favores de algumas poucas, respondera a sorrisos acolhedores.
Ao pensar nisso por um momento, ele se deu conta de que responder ao convite lascivo de uma mulher no era na verdade cortejar. Nem era questo de se deitar com 
uma prostituta nos arredores de Deilcladach. Mas no valia a pena se preocupar com isso. Logo ou estaria ou no casado com Lady Gillyanne. No se precisava cortejar 
uma esposa e era prudente que no se cortejasse a esposa de outro homem.
- Bem, est conosco ou no? - bradou sir David. Dirigindo a ateno de volta ao assunto do ataque a Ald-dabhach, Connor olhou para sir David. Parecia que a nica 
pessoa que poderia impedir um derramamento de sangue era a prpria dama em questo. J que teria que desposar um deles para fazer isso, Connor tinha plena certeza 
de que seria em benefcio de Ald-dabhach e de seu povo.
- E o que acontecer se a senhora for ferida ou morta no ataque? - perguntou.
- Ento fica tudo como era.
- Voc no cr que os MacMillans ou os Murrays ou o cl de seu primo, os Drummonds, poderiam se zangar?
- A mulher disse no e eu me recuso a ir para casa como um co surrado, escorraado por uma moa de meio metro. Ento, est conosco ou no est?
- Estou com vocs, se no porque, no momento, pareo ser o nico que gostaria de ver a moa viva pelo tempo necessrio para se casar com um de ns.
- Oh, nossa - Gillyanne murmurou quando George introduziu no salo o rapaz que mandara para espionar os lordes. - George parece preocupado.
- George sempre parece preocupado - James retrucou, ao tomar um gole de vinho.
- Descobri que ele tem muitos nveis diferentes de preocupao. Essa parece ser de natureza particularmente forte. O rapaz
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no parece muito feliz tambm. - Ela sorriu para George e o rapaz. - Sente-se, George, e voc, Duncan, no  o seu nome?
Serviu-lhes de um pouco de vinho quando se juntaram a ela.
- Sim, senhora,  Duncan. Sou tio da pequena Mary.
Ela deixou que tomassem um gole do vinho antes de perguntar.
- E o que conseguiu saber, Duncan?
- Tive muita sorte, senhora. Cheguei perto o suficiente para ouvir coisas e todos os trs lordes estavam reunidos.
- Foi muito gentil da parte deles. Presumo que no estivessem muito contentes comigo.
- Bem... no, no esto. sir Robert e sir David esto muito zangados, embora sir David seja o pior.
- Isso no me surpreende.
- Planejam atacar-nos amanh, senhora.
Gillyanne suspirou.
- Era o que eu temia. No um de cada vez, eu suponho.
-No. sir David disse que iro se juntar para derrubar nossos portes e resolver quem fica com a senhora depois.
- Se eu ainda estiver viva depois do combate. Voc no mencionou sir Connor.
Duncan engoliu rapidamente outro gole do vinho.
- Ele no falou muito, senhora. Ficou l de cara feia para os outros dois e trocando algumas palavras com o irmo. Quando sir David exigiu saber por fim se sir Connor 
estava com eles ou no, ele disse que um ataque brutal a poria em risco. sir David acha que isso s faria as coisas voltarem ao que eram. sir Connor perguntou se 
o idiota no julgava que poderia aborrecer seus parentes, mas sir David disse que a senhora comeou tudo isso e que no voltaria para casa com o rabo entre as pernas. 
Ento sir Connor disse que estava com ele mas apenas porque parecia ser o nico homem que gostaria de v-la viva o tempo suficiente para desposar um deles.
-  Evidente que meu tempo se esgotou - disse Gillyanne. Acredito que chegou a hora, embora eu esperasse que os trs
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demorassem a chegar a essa deciso. Talvez faam uma ltima tentativa para me convencer a fazer o que querem.
- Pelo que vi e ouvi, senhora, dois deles esto muito zangados para conversar, mesmo sobre o melhor jeito de atacar.
- Querem simplesmente investir contra as muralhas? - perguntou James.
- Sim, embora eu no tenha certeza de quantos MacEnroys faro isso. Seu lorde no gostou da ideia, mas os Goudies e os Dalglishes no respeitam nossas habilidades 
de combate. - Duncan sorriu. - sir Connor disse que no precisaramos de muita habilidade para encher um bando de idiotas de flechas. Diz que no era preciso trazer 
uma escada para a escalada pois suspeitava que logo seriam empurrados para a morte. Tentei ficar e ouvir mais, mas alguns dos homens comearam a andar e chegaram 
perto de onde eu me escondera. Ento me esgueirei para longe, mas ficou bem claro que as palavras de sir Connor no seriam levadas em considerao. sir David lidera 
e sir Robert tomou o partido dele e, portanto, sir Connor deve segui-los.
- Gilly, deixe-nos... - comeou James.
- No. - Olhou para James e para os cinco homens do cl dos Murrays, que a haviam acompanhado. - Se houver derramamento de sangue l fora, isso marcaria o fim de 
uma longa paz. Em vez de uma divergncia entre aqueles trs tolos e eu, isso se transformaria numa rixa sangrenta, interminvel, disseminada.
- Santo Deus - resmungou James.
- Exatamente. E por qu? Por que no escolhi um dos lordes para marido? - Ela meneou a cabea. - No. Isso seria loucura. No gostaria de me casar com qualquer deles, 
nem eles planejam me cortejar para me fazer mudar de ideia, mas escolherei um e porei um fim a isso. Prometi que no permitiria que isso se tornasse uma carnificina 
e mantenho minha palavra.
- Mas voc se casar com um homem que no escolheu.
- Isso ser uma coero com testemunhas. Quando meu pai chegar, ele consertar as coisas. Ningum mais pode, nem mesmo voc, James. J conversamos sobre isso antes 
- vrias vezes.
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Posso no gostar, porm talvez aquele que eu escolha pode se comprovar aquele que eu gostaria de manter. -- Gillyanne percebeu que Mary espiava pela porta. - Alguma 
coisa errada, Mary?
- No, senhora. - Mary avanou uns poucos passos. - Eu queria ver se meu tio estava bem.
- Bem, venha c e d uma boa olhada. No estamos dizendo algo que no possa ouvir.
Gillyanne sorriu quando a garota correu para perto do jovem tio e o abraou. Duncan ficou vermelho, parecendo tanto feliz como um pouco constrangido com a preocupao 
da sobrinha.
- Mary, voc  uma mulher - Gillyanne reprimiu um sorriso quando a garota se empertigou toda -, ento, diga-me, se estivesse no meu lugar, que homem escolheria?
-No seria sir David Goudie - ela retrucou, sem hesitao. - No estou dizendo que seja mau, mas acho que  um daqueles homens que julga que uma moa est em seu 
lugar de direito apenas quando tem a bota de um homem em seu pescoo.
- Voc  uma moa esperta-disse James. - Todas so boas razes para Gillyanne no escolher aquele idiota. E boa razo para no acontecer algo pior.
- O qu? - Gillyanne perguntou, ao ver o sorriso de James.
- Que voc tentasse matar o idiota dias depois do casamento.
-Horas depois - ela corrigiu e juntou-se aos outros num coro de risadas. Ficou sria de novo e voltou-se para Mary. - Concordo. sir David seria uma pssima escolha. 
E Sir Robert Dalghish?
Mary mordeu o lbio.
-No tenho certeza, senhora. Quando veio aqui com os outros, ele pareceu ser um cavaleiro e  um belo homem. No entanto, no me sinto segura quanto a ele.
- Seus pensamentos fazem eco a muitos dos meus. O que nos deixa com sir Connor MacEnroy.
- Sim, senhora, e se eu tivesse de escolher um homem por sua aparncia, ele certamente seria a primeira escolha.
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-  verdade. - Foi difcil no rir diante do modo com que os homens reviraram os olhos. - Parece um antigo nrdico.
- Oh, sim. Um poderoso viking. Nunca ouvi nada de mal a respeito dele. Ouvi contarem como  um bom lorde, que arrancou seu cl da misria e os tornou prsperos mesmo 
que no passasse de um rapazola. Acho que mesmo que ele no parecesse to belo e to forte, eu o escolheria. Pelo menos ele demonstrou que pode controlar o temperamento.
Gillyanne concordou mesmo enquanto pensava que sir Connor no apenas controlava o temperamento mas quase toda e qualquer emoo. sir Connor poderia ser como James, 
que possua alguma estranha armadura invisvel que impedia pessoas como ela de o desvendarem. Gillyanne no conseguia acreditar que um homem que tirara seu cl da 
runa no tivesse um enorme corao tambm.
Voltou os olhos para os homens que a observavam.
- E vocs, cavaleiros, concordam com a pequena Mary? - Todos concordaram. - Ento Sir Connor MacEnroy . aquele a quem darei minha mo. Amanh, quando os exrcitos 
comearem a se reunir, sir James e eu iremos at os lordes e eu lhe direi minha deciso.
James franziu a testa.
- No seria melhor que os chamasse aqui?
- Sim, mas no creio que concordem com isso.
- No,  provvel que no. Entretanto, poderia ser perigoso.
- Como? Querem me desposar para ter estas terras. Acho que o pior que pode acontecer  comearem a lutar entre si mesmos e ns seremos forados a fugir para no 
sermos pegos no meio da batalha. Alm disso, se eu for at eles, isso pode impedir que qualquer daqueles homens se instale dentro das muralhas. Uma vez dentro, seriam 
difceis de expulsar.
- Porm, esta fortaleza  do que querem se apossar atravs de um casamento com voc - disse o mais jovem dos Murrays.
-  verdade, Iain - retrucou Gillyanne -, mas acredito que
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a primeira coisa que meu escolhido h de querer fazer  casar-me comigo e manter-me trancada atrs das muralhas de sua prpria fortaleza to depressa quanto possa.
- Porque no confia nos outros dois lordes - disse James.
- No por completo. No creio que v se instalar uma disputa, mas suspeito que podem considerar a ideia de se apoderarem do prmio. Portanto, o resto de vocs deve 
fechar os portes e mant-los trancados a menos que eu lhes diga para abri-los - no importa o que acontea. Se por nada mais, meu pai h de querer respostas quando 
chegar aqui e vocs so os melhores para respond-las. E, James, voc voltar para Dublin para levar notcias no caso de papai ir para l primeiro. Depois eu gostaria 
que fosse procurar-me em Deilcladach, para me levar o que quer que seja que possa ter sido forada a deixar para trs.
Depois de vrios instantes de acalorada discusso, Gillyanne finalmente chegou  concordncia que buscava. Felizmente, os planos faziam sentido e, a despeito do 
orgulho ferido, eles acederam. Logo depois, ela se viu sozinha com James.
-  como deve ser, James - disse ela, gentilmente. - Sabe disso, no sabe?
- Minha cabea sabe. O resto de mim se revolta com isso. E eu no gostaria de levar essa notcia para nossa me.
- Depois que a pobre Sorcha foi raptada, surrada quase at a morte e depois se juntou a um convento, papai receia pela sade de nossa me. Agora, isso. Acho que 
ela comear a recear que alguma maldio foi lanada sobre suas filhas.
- E papai ficar furioso. No apenas pelo que foi feito a voc, mas pela preocupao que isso provocar em mame.
- Faa-a entender que ficarei bem.
-  essa a verdade?
- Sim.  a verdade. No consigo sentir nada com respeito a sir Connor. Ele  to fechado para mim como voc, talvez mais, eu creio. Mesmo assim, embora isso me preocupe 
um pouco, acredito que tambm me intriga. Mas, quando rebusco dentro de meu
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corao, no sinto medo desse homem. Sim, estarei na cama de algum sobre o qual no sei muito; porm, quando tento me preocupar com isso, uma vozinha em minha cabea 
me lembra que ele  um homem muito atraente. James riu e meneou a cabea.
- Voc passou muito tempo com aquele nosso primo safado, Payton. - Ento, ficou srio. - Direi a mame o que voc falou. Se papai estiver l, contarei tudo a ele 
de alguns passos de distncia.
- Mesmo furioso, papai saber que  melhor que isso seja resolvido com palavras, no com espadas. Tambm saber que um casamento realizado sob coao pode ser desfeito 
e, diferentemente daqueles trs lordes, ele conta com o apoio do rei. - Ela deu de ombros. - E, quem poder dizer? Talvez quando eu ganhe a chance de ir-me embora, 
eu possa no querer ir. Pelo menos sei, sem qualquer dvida, que terei essa escolha no final. Poucas moas tm. Isso no precisa ser para sempre.
- E  por isso que  capaz de aceitar, no ?
- Em parte. Realmente no tenho medo daquele homem. Quando pronunciar os votos, em meu corao continuar a certeza reconfortante de que, se no houver esperana 
de que seja um bom e verdadeiro casamento, eu posso me afastar.
- Vai dizer isso a sir Connor?
- Vou adverti-lo a respeito de papai, mas o instinto me diz que o homem no levaria em considerao o que eu dissesse.
James sorriu.
- O tolo. Papai cair como uma grande surpresa sobre ele. E, creio, assim voc tambm.
- Sem dvida, primo. Ele acha que basta casar-se comigo, reclamar minhas terras de dote e tudo ser como deveria. Vai ser interessante de presenciar quanto tempo 
custar a ele para ver que nada do que ocorre com uma moa dos Murrays pode ser assim to simples.
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Captulo IV

- A moa deixou a segurana da fortaleza e tem apenas um homem com ela - gritou sir David, e correu para sua montaria.
- O que est fazendo? - bradou Connor, tirando as rdeas das mos de David, para impedi-lo de sair em disparada.
- Vou me apoderar da moa.
- Ela est vindo para c com uma bandeira de trgua e sem ningum a no ser o primo ao lado. Voc deve agir com honradez.
- Devo, no ?
- Sim, David - disse Robert -, voc deve. O prprio rei sabe que viemos para c. Seria prudente trilhar o caminho da cautela.
Depois de uma leve hesitao, David desmontou e Connor deixou escapar um suspiro de alvio. David agia com uma espcie de fria cega com relao  moa. E havia 
tambm a chance de Robert julgar ser uma oportunidade para se apoderar do prmio. Connor no ficaria surpreso com isso, apesar das palavras de sir Robert.
- Meus senhores - exclamou Gillyanne, ao parar a poucos metros de distncia. - Quero fazer um trato. Esto vendo a bandeira de trgua?
- Sim - disse Connor. - Estamos dispostos a conversar.
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- E se no chegarmos a um acordo, eu terei permisso para voltar  fortaleza com meu primo.
- Deixaremos que volte e se prepare para a batalha - exclamou David, com olhar feroz.
Gillyanne o encarou com um ligeiro sorriso.
- Esperava no ter a necessidade de v-lo investir contra minhas muralhas em alguma ftil porm mscula exibio de fria.
Sir David deu um passo ameaador para adiante, mas sir Robert segurou-o pelo brao e o puxou para trs. sir David poderia se mostrar um problema no futuro, pensou 
Gillyanne, o que era outra boa razo para escolher sir Connor.
- Gostaria de pedir que esperassem at que meu pai chegasse - disse ela, olhando para sir Connor.
- Por que faramos isso?
- Discutir o problema do casamento com meu pai  o certo e o adequado.
- Por qu? Temos a aprovao de nosso soberano.
- Meu pai no ficar feliz com isso e seria prudente pensar a respeito.
- Voc no cr que seu pai possa discutir uma deciso real - disse David, com arrogncia.
Ao ver que os olhos de Gillyanne se estreitavam de raiva, Connor resolveu interferir.
- Possa ou no seu pai mudar a cabea do rei, isso simplesmente no importa. Resolveremos tudo agora. Qualquer discordncia com seu pai poder ser resolvida mais 
tarde.
Era bvio que nenhum dos homens acreditava que o pai dela iria contra a vontade do rei. A sugesto real era como se fosse uma ordem.
- Que seja - resmungou ela e deixou escapar um suspiro de impacincia e resignao. - Quando essa tolice comeou, jurei que no permitiria que sangue fosse derramado.
- Mudou de ideia? - perguntou Sir Connor.
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- No. Porei um ponto final a isso agora. Escolho Sir Connor MacEnroy como o lorde que tomarei como marido.
Houve um pesado instante de silncio no qual Gillyanne pde sentir a raiva dos dois outros pretendentes. Ento Connor deu um passo  frente, fez uma ligeira reverncia 
e tomou-a pela mo. Gillyanne assustou-se e James ficou tenso, quando sir Connor comeou a caminhar para uma igrejinha mal visvel do local onde estavam, puxando-a. 
Todos se apressaram em segui-los.
- O que est fazendo? - ela esbravejou, lutando para no tropear.
- Levando-a para um padre - respondeu Connor.
- Trouxe um padre consigo?
- Sim, e ele no est nada contente por ter sido obrigado a esperar por quatro dias.
- Vai me arrastar e se casar comigo? No planejou uma festa ou algo assim? - Quando ele a fitou por sobre o ombro, Gillyanne julgou aquele um gesto irritante. - 
Esse dia deveria ser marcado de alguma forma na vida de uma moa.
- Voc reuniu trs exrcitos. Poucas moas podem ter uma festana assim.
Gillyanne no conseguiu argumentar contra os fatos. Contudo, no previra aquele desenlace. E ficou feliz por ter deixado tudo acertado antes de deixar a fortaleza. 
Quando Connor obrigou-a a ajoelhar-se ao lado dele em frente ao padre, esperou que no pretendesse tambm consumar o casamento com tamanha pressa.
Mal acabara de pronunciar os votos, Connor levantou-se. Gillyanne foi puxada para cima e ficou de p. Connor envolveu-a nos braos e com um gesto igualmente abrupto, 
ergueu-a no ar. Gillyanne ia protestar quando ele a beijou. Mas aqueles lbios eram clidos, macios, tentadores. Presa contra aquele homem, ela no se sentiu intimidada. 
Na verdade, achou a experincia muito agradvel. Porm, logo quando comeava a sentir um calor intrigante a se espalhar por suas veias, ele a soltou e ainda a arrastando 
pela mo, saiu da igreja. Aturdida, ela o seguiu.
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- Para onde a est levando? - bradou James, parando em frente a Connor.
- Vou levar minha esposa para Deilcladach.
- No vai tomar posse de Ald-dabhach? - perguntou Robert, ao se aproximar.
- J fiz isso. - Connor puxou Gillyanne para mais perto. - Estamos casados.  o suficiente por enquanto.
- Maldio - esbravejou James -, voc no pode arrast-la, casar-se com ela e lev-la para longe.
- No? Por que no? - Connor desviou-se de James e seguiu em direo ao acampamento.
- Ao olhar por sobre o ombro, Gillyanne pde ver que a ira de James, raramente vista, emergia.
- No se preocupe, James. Voc tem coisas que precisa fazer - disse ela. E ficou aliviada quando ele concordou com um gesto e rumou de volta  fortaleza.
- O que ele precisa fazer? - perguntou Connor, ao se aproximar do cavalo selado. De um pulo, montou.
- Avisar minha famlia - ela retrucou, ao ser gentilmente puxada para cima e instalada atrs dele, na sela. - Voc se recusa a ver o problema em que se meteu, mas 
ele logo estar s portas de Deilcladach. E quando ele chegar, ser como se o prprio demnio tivesse chegado.
-  bom que uma moa tenha tanta f no prprio pai. Gillyanne no teve chance de responder. Connor esporeou o cavalo depois de umas curtas ordens a seus subordinados 
e um gesto igualmente curto de despedida para sir David e sir Robert. Quando ela o agarrou pela cintura, olhou por sobre o ombro, para o acampamento que deixavam 
a galope. A maioria dos MacEnroys os seguia e uns poucos homens ficavam para trs. O instinto disse a Gillyanne que aqueles manteriam vigilncia sobre Robert e David, 
para certificar-se que no invadiriam Ald-dabhach.
Embora esperasse aquele desenrolar dos acontecimentos, no previra tal pressa. Parecia mais um rapto que um casamento. Ela 
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estava apenas com as roupas que usava e muitos dias decorreriam antes que James pudesse levar suas coisas at Deilcladach. Definitivamente, no era o casamento com 
que sonhara.
Numa tentativa de manter o esprito elevado, ela tentou recordar-se de tudo que havia de bom naquele acordo. Ald-dabhach e seu povo estavam a salvo. Seu pai logo 
iria resgat-la, se ela ainda precisasse ser resgatada. Mesmo que tivesse sido forada a escolher Connor, ele era, de muitas maneiras, uma bela escolha. Uma moa 
encontraria poucos to belos de olhar ou to fortes de compleio. O beijo na igreja no fora desagradvel, mostrara uma promessa de paixo. E ao encostar a face 
contra aquelas costas largas, ela pensou que poderia existir algo de agradvel no meio daquela maldita confuso.
Connor soltou um resmungo de satisfao e rolou de cima de Gillyanne. Ela fitou o teto da cabana e ficou a imaginar o que tinha mais vontade de fazer, gritar ou 
chorar. Depois de apenas duas horas de cavalgada, ele parara naquela cabana, pedira ao casal de idade que sasse dali, e a arrastara para um catre, ao lado do fogo. 
Seus beijos tinham lhe calado os protestos. Suas carcias lhe derretido os ossos. Ento, de repente, ele estava dentro dela. A paixo que comeara a incendiar-se 
dentro dela se desfizera por um momento, sobrepujada pelo fim abrupto e quase indolor da virgindade. Logo Connor encontrara a prpria satisfao e a deixara. Dolorida 
e insatisfeita, ela pensou, com raiva, que assim que a deflorara, e ela nem gritara ou chorara, ele deixara de se importar com o que ela sentia ou precisava.
Gillyanne olhou para baixo e puxou as saias. Ele nem mesmo tirara as roupas. E j se levantava. Por um instante, quando ele ajudou-a gentilmente a ficar de p, ela 
julgou que poderia haver um momento de ternura, um beijo leve ou uma carcia, mas ele simplesmente continuou-a a fit-la, uma ruga de preocupao a lhe crispar a 
face.
-- Eu a machuquei? - ele perguntou.
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- No.
- timo. - Dirigiu-se para a porta. -  hora de terminar a viagem para casa.
Gillyanne gostaria de ter um chicote para surr-lo. No poderia dizer que fora estuprada ou abusada, mas certamente no fizera amor. Sentia um leve desconforto entre 
as pernas, inconseqente diante da dor profunda de uma paixo insatisfeita. A resmungar todas as pragas que sabia, ela achou uma jarra com gua, limpou-se depressa, 
arrumou as ceroulas e saiu da cabana. Estava zangada demais para ficar constrangida ao se deparar com os homens de Connor e o casal l fora,  espera de que Connor 
consumasse o casamento.
Dois jovens claros chegaram a galope e desmontaram. Um deles tinha um largo chapu que quase lhe ocultava as feies. Connor fitou-os com expresso aborrecida. Voltou-se 
para Gillyanne.
- Quero que conhea meu irmo Andrew e minha irm Fiona. - Olhou para os dois. - Minha esposa, Gillyanne.
No foi fcil esconder a surpresa ao saber que o jovem mais mido era na verdade uma mulher, mas Gillyanne sorriu.
- Por que vieram aqui? - Connor perguntou aos irmos.
- Ficamos a imaginar o que teria acontecido a voc - disse Andrew. - Quando partiu, disse que ficaria fora por um dia ou dois.
Connor tinha quase certeza de que Gillyanne resmungara algo que soara como "porco arrogante", mas ignorou o fato, mantendo o olhar firme sobre os irmos.
- Eu lhes disse que ficassem em Deilcladach.
- Estvamos preocupados com voc e Diarmot - protestou Fiona.
- No era preciso. Desobedeceram minhas ordens. Andrew pigarreou, nervoso.
- Bem, j que no est ferido e obviamente conquistou o prmio, Fiona e eu voltaremos agora mesmo para Deilcladach.
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- Iremos juntos - disse Connor. - No  seguro para vocs cavalgarem por estas terras sozinhos.
Fiona olhava para os ps, mas Gillyanne percebeu que a garota a estudava. No captou raiva ou cautela na inspeo, apenas curiosidade. Julgou que a garota tivesse 
se vestido como um rapaz por causa da viagem desaprovada, mas ento, antes que pudesse explorar essa possibilidade, Connor puxou-a pela mo e ergueu-a para a sela 
do cavalo.
- Por que usa roupa de homem? - perguntou-lhe Connor. Confusa, Gillyanne olhou para o vestido.
- Muitos homens usam saia, no ?
- Refiro-me s ceroulas que usa sob as anguas.
- Uma poro de mulheres em minha famlia usa ceroulas.
- Voc no usar.
Ela ia discutir aquela ordem rspida quando ele esporeou o cavalo a um galope. E Gillyanne resolveu deixar aquela discusso para depois. Era difcil arranjar argumentos 
com um cavalo em disparada. Era uma coisa tipicamente de macho dizer a ela que no poderia usar uma indumentria masculina quando a irm de Connor andava pela regio 
vestida como um rapaz.
Considerando o histrico dos MacEnroys durante os ltimos doze anos, havia a possibilidade de Fiona ter sido criada como mais um irmo. Fiona estava se transformando 
numa mulher ou estava bem prxima disso. O que explicaria a intensa curiosidade que a garota mostrara. Gillyanne deu de ombros. Decifraria o enigma mais tarde.
Gillyanne sabia que havia vrios mistrios a desvendar. O homem que era agora seu marido era um enigma por si s. De imediata importncia para ela, contudo, era 
saber como um belo sujeito como ele poderia se mostrar um pobre amante. Uma das coisas que tivera a esperana de ganhar naquela confuso fora um sabor de paixo. 
Bem, ele lhe dera uma amostra, mas a deixara faminta. Se aquela era a maneira de agir dele na cama, Gillyanne suspeitava que logo estaria rezando para que o pai 
viesse resgat-la.
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Depois de vrias horas de cavalgada, chegaram a Deilcladach. Gillyanne tentou dar uma boa olhada na fortaleza, mas era difcil, por trs das largas costas do marido. 
Aquelas terras no pareciam to ricas como as de Ald-dabhach. Parecia que mal produziam o bastante para alimentar o povo que vivia ali, e isso apenas nos melhores 
dos anos. O que poderia explicar o profundo interesse de Connor em se apossar de seu dote.
Entre aqueles que acorreram para saudar Connor e seus homens estavam dois jovens altos e loiros. Connor, Andrew e Diarmot adiantaram-se para cumpriment-los e Gillyanne 
franziu a testa quando foram rodeados por muitos do cl. Era bvio que aqueles dois eram tambm irmos. E tambm plenamente evidente que ela ou fora esquecida ou 
se esperava que cuidasse de si mesma. J imaginava como desmontar do cavalo enorme de Connor com alguma elegncia quando Fiona aproximou-se e a fitou. A garota tinha 
lindos olhos cor de violeta, percebeu Gillyanne e experimentou uma pontada de inveja.
- Meus outros irmos - disse Fiona, apontando para os dois jovens que Connor cumprimentava. - Angus e Antony. Andrew tem dezoito anos, Angus tem vinte e Antony vinte 
dois. Quase da mesma idade e parecidos de muitas maneiras. Ns os chamamos de Angus, Nanty e Drew.
Fiona no esperou resposta e correu para se reunir aos irmos. Angus, Nanty e Drew eram todos da mesma altura, tinham os mesmos cabelos de um dourado escuro e eram 
magros. Gillyanne julgou que levaria algum tempo at distingui-los.
Um instante depois ela bufou ao ver que todos desapareciam dentro da fortaleza, deixando-a ainda montada no cavalo de Connor. Devia ser essa a reclamao de algumas 
esposas, a falta de cortesia dos homens assim que os votos eram pronunciados. Mas duvidava que fosse to simples. Olhou para o cho e pensou se deveria se deixar 
escorregar ou dar um pulo.
- Precisa de ajuda, senhora?
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Gillyanne olhou para o homem alto e magro que parara ao lado do cavalo.
- Quem  voc?
- Me chamam de Encaroado, senhora.
- Um tanto indelicado.
- No, no pretendem caoar de mim. Meu nome  Iain e existem oito Iains aqui e assim d menos confuso nos chamar por outro apelido.
- Ah, claro... - Gillyanne resolveu ignorar o brilho divertido nos olhos do homem. - Creio que eu poderia precisar de alguma ajuda para descer desta montaria, j 
que o imbecil do meu marido me esqueceu.
- Oh, no, senhora - Encaroado protestou, enquanto a ajudava a desmontar. - Ele est contando a todos como trouxe o prmio para casa.
O prmio, pensou Gillyanne, e ficou a imaginar se algum notaria se ela se jogasse no cho e tivesse um ataque de fria. Ao olhar para o vestido empoeirado e todo 
amassado, resolveu que no valia a pena, no enquanto James no lhe trouxesse outras roupas.
- A senhora  bem pequena - murmurou Encaroado. Gillyanne fez o que esperava fosse uma cara bem feia.
-Se quiser ver seu prximo aniversrio, seria prudente guardar sua opinio para si mesmo.
- Ah... como desejar. Estranho, eu no tinha percebido que a senhora era ruiva.
- Isso  porque no sou. Meus cabelos so castanhos - ela resmungou, ao limpar as saias.
- No, senhora, com o sol sobre eles, so vermelhos. E eu no tinha imaginado que tivesse os olhos verdes tambm.
- Vou lhe contar um segredo, Encaroado. Quando meus olhos esto dessa cor,  bom que ande com cautela perto de mim. - Ele recuou um passo. - Para onde foram todos? 
- ela perguntou.
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- Para o salo, senhora. Vo celebrar a vitria e o retorno do lorde com uma festa.
- Que bonito - ela murmurou, por entre os dentes cerrados. Era mais do que poderia suportar, pensou Gillyanne ao olhar para o ptio interno. Ela finalmente tinha 
um marido e ainda assim era ignorada. De mos dadas com sua raiva estava a mgoa, e as duas emoes alimentavam uma  outra, at que ela se sentiu quase doente. 
Lentamente, comeou a contar, lutando para recuperar o controle. Se fosse atrs de Connor agora, receava que fosse fazer papel de tola. Os MacEnroys poderiam pensar 
que fosse louca e a trancariam numa cela.
- Senhora, o que est fazendo?-perguntou Encaroado, com um ar desconfortvel.
-Contando-ela retrucou, sentindo vontade de chorar e usando a raiva para conter as lgrimas.
- Contando o qu? - insistiu Encaroado, olhando para o cho que ela fitava com tanta intensidade.
Gillyanne respirou fundo e abriu os punhos cerrados. -Apenas contando. Minha prima Avery diz que podemos conter nosso temperamento se contarmos bem devagar.
- E funciona?
- No. Em vez de contar e me acalmar, eu me descobri contando todas as maneiras de poder magoar e torturar aquele idiota com quem acabei de me casar.
Ela viu que o sangue coloria a face magra de Encaroado e ficou a imaginar se o deixara aborrecido. Um instante depois ela se deu conta de que o sujeito no estava 
furioso; lutava para no cair numa gargalhada. Gillyanne suspirou com resignao. Parecia que, se no a ignoravam, os homens a achavam divertida.
- Creio que estou pronta para entrar no salo agora - disse ela.
- Sim e  melhor se apressar. A comida vai desaparecer bem depressa.
Depois de usar toda a sua fora para abrir as pesadas portas e
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entrar, Gillyanne seguiu o som das vozes at o salo. Parou na soleira e olhou ao redor. Seu marido estava sentado  cabeceira da mesa e era evidente que regalava 
os ouvintes com as histrias de tudo que acontecera em Ald-dabhach. Ningum parecia notar que a mulher que lhes trazia a abundncia no estava sentada perto do marido.
Algo da raiva que procurara controlar ganhou vida outra vez quando Gillyanne viu que nem mesmo havia um lugar para ela  mesa. Respirou algumas vezes, lenta e pausadamente, 
para recuperar a calma. Ento, entrou no salo. Primeiro iria conseguir alguma coisa para comer e beber. Depois pretendia trocar uma palavrinha ou duas com o novo 
marido. As terras que ele estava to feliz por ter se apossado eram suas terras de dote. Se ela quisesse, se o casamento terminasse, ele perderia essas terras. Isso 
dava a Gillyanne uma pequena parcela de poder, poder que tinha inteno de usar.
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Captulo V

Era quase impossvel fazer a comida passar pelo n de raiva em sua garganta, mas Gillyanne tentou. Recordou a si mesma que aquele no era um casamento de amor. Tomou 
um longo gole do vinho e tentou tirar o gosto amargo da humilhao da boca. Era duro, difcil de aceitar que no passava de um feito para aquele homem, e muito duro 
de aceitar que ele evidentemente a esquecera desde o instante que a colocara em segurana por trs dos portes da fortaleza. Ela teria tido de desmontar sozinha 
se no fosse a ajuda de Encaroado, tivera de seguir atrs dele, tivera de lutar at mesmo por um lugar na grande mesa assim como por um pouco de comida.
O que Gillyanne no conseguia compreender era porque se sentia magoada e porque no pudera convencer-se de que tudo que sofria era de orgulho ferido, tal como antes, 
quando era ignorada pelos homens. Aquele um era agora, afinal, seu marido. Haviam se casado diante de um padre e o casamento fora consumado. No penosamente, na 
verdade, mas no que lhe dizia respeito, com muita pressa e no muito bem. Gillyanne ainda estava completamente atnita que um homem to bonito pudesse ser um amante 
to pobre. Talvez ele no tivesse dado o melhor de si por considerar o ato no mais que a assinatura de um tratado.
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Uma das criadas aproximou-se por trs de Connor e o envolveu com os braos pelo pescoo, quase lhe enterrando a cabea nos fartos seios. Connor riu e a risada cheia 
de luxria agiu sobre Gillyanne como fagulhas em carvo. Ela praguejou e ficou de p, ignorando o repentino silncio ao rumar para a cadeira do marido.
-  melhor sair - sibilou, ao colocar as mos sobre os seios da mulher e empurr-la para trs. - Preciso dos ouvidos de meu marido por um instante.
- Est se excedendo, moa - disse Connor, tranqilo, mas espantado com a fria que via naquela face e a maneira com que a raiva inflamava os olhos de Gillyanne, 
tornando-os de um verde resplandecente.
- Moa no. Esposa. Lembra? A mulher cuja casa da torre e cujas terras voc tanto cobiava? Aquela que arrastou para diante de um padre e com quem se deitou de uma 
forma to inepta? - Ela ignorou os arquejos de indignao que subiram em unssono dos homens e da famlia, interessada apenas no vermelho de raiva que coloriu a 
face de Connor.
- Um marido tem o direito de bater em sua esposa.
- Tente. Voc se recusa a ver o problema em que se meteu pelo que fez, mas ele est l fora, seu tolo, e logo estar clamando alto em seus portes. E ir cair sobre 
voc decuplicado se meu pai vir um nico arranho em mim. Como se atreve a me tratar com to pouco respeito?
- Um homem tem direito a seus prazeres. - Ele lutou para esconder a surpresa diante do rumo daquela conversa.
Ela se empertigou.
- Ento certamente deve seguir seus impulsos, assim como uma mulher.
- Cuidado, moa.
Gillyanne ignorou-o. Sabia que a raiva glida naquela voz deveria faz-la hesitar, porm estava furiosa demais para ser cautelosa. Depois de um rpido olhar ao redor, 
agarrou o irmo de Connor,
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Diarmot, pelo brao e o fez ficar de p. E comeou a arrast-lo para fora do salo.
- Jesus, moa, voc far com que eu seja morto - Diarmot gaguejou, chocado e preocupado em manter os olhos no irmo que comeava a se levantar.
- No, voc no - retrucou Gillyanne, recusando-se a olhar para trs, para o homem que podia ouvir que se aproximava depressa. - Eu, sim, quem sabe, porm no voc. 
Ele pode esmurr-lo, mas pelo pouco que vi at agora, voc deve estar acostumado.
Ela soltou um pequeno grito de surpresa quando Diarmot foi, de repente, arrancado de seu lado. Viu de relance o jovem a escorregar de costas pelo cho antes que 
um brao forte a circundasse pela cintura. Connor carregou-a para fora do salo como um saco de farinha. Gillyanne pensou em enterrar os dentes naquele traseiro, 
mas seus cabelos estavam no caminho. Resolveu ento que no seria prudente agravar a situao.
Depois de subir as escadas com passos pesados, ele abriu uma porta com um chute e entrou num quarto. Jogou-a numa cama larga. Gillyanne ficou de p a tempo de v-lo 
rumar para a porta. Com uma praga, ela saltou da cama, correu atrs dele e fechou a porta. Ficou na frente dele, braos cruzados sobre o peito, a encar-lo. Embora 
no tivesse certeza do que queria dele, certamente no era que deixasse o quarto e voltasse para a convidativa Meg.
- Saia, moa - ordenou Connor.
- Meu nome  Gillyanne - ela retrucou. - E no permitirei que volte  sua rotina adltera.
Connor fitou-a, dividido entre a raiva e uma sbita vontade de rir. Ela era pequena, delicada, mal chegava a seus sovacos e ainda assim o encarava como igual. Alm 
de sua irm Fiona, nenhuma mulher o xingara, insultara ou caoara dele. Franziu a testa. Mulheres deviam ser dceis, obedecer  palavra de um homem, principalmente 
moas de alta classe. Connor comeou a imaginar em que tipo de famlia Gillyanne fora criada, para que pudesse ignorar aquela verdade.
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- Seu marido ordenou que saia - disse ele.
- Puxa, ento voc se lembrou que  um marido? Isso significa que ir comear a me tratar como uma esposa?
- Maldio, estou tratando voc como uma esposa. Gillyanne pestanejou.
- Posso perguntar como acredita que uma esposa deva ser tratada? - ela perguntou, com alguma doura.
- Ele com certeza no a deixaria ir atrs de outro homem. Qualquer fruto desse seu corpinho ser meu e s meu.
- Seria quase isso. Diarmot  seu irmo, afinal. - Ela julgou a expresso chocada daquela face extremamente satisfatria. - Como acha que uma esposa deveria ser 
tratada?
Resolvendo que ela estava brincando com relao a Diarmot, Connor respondeu:
- Gentilmente.
Ela franziu a testa quando ele no disse mais nada.
- E?
- Deve providenciar para que seja bem alimentada.
- Oh? Ento quem sabe o marido possa parar um instante para ver se ela tem um lugar  mesa e um prato cheio diante dela antes de voltar a ateno para uma vagabunda.
Ele tinha de reconhecer que falhara nesse ponto.
- No estou acostumado com uma esposa ainda. E o nome dela  Meg.
 Meg, a Mutilada, se no parar com esses jogos, pensou Gillyanne, mas apenas resmungou:
- Que bom para ela. O que mais?
- Um marido deve ver que ela esteja bem vestida ou pelo menos aquecida.
Gillyanne olhou para o vestido sujo e amassado e em seguida o encarou, a sobrancelha erguida.
- Acabamos de chegar aqui. No houve tempo para pegar seus vestidos antes de deixarmos Ald-dabhach.
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Ele estava comeando a parecer na defensiva e Gillyanne julgou que era um bom sinal.
- timo. E depois?
- Uma dama deve ser possuda com gentileza e cuidada com carinho at que carregue um beb. Deve ser tratada com respeito por sua modstia. Um homem reserva suas 
paixes cruas para mulheres como Meg. Tais coisas chocariam uma dama.
- Que besteira! - Ela ignorou o olhar de surpresa do marido. - Quem lhe disse tamanha bobagem?
-Meu tio, sir Neil MacEnroy. Ele  perito no trato com damas de bom nascimento.
- ? - ela resmungou, sem esconder a cara de escrnio. - Conhece todas as damas, conhece, para que possa falar com tanta segurana?
Forado a pensar no assunto enquanto buscava por uma resposta, Connor percebeu que no tinha certeza de quando ou onde seu" tio conhecera damas. O homem raramente 
falava de alguma. Ms era algo que no iria admitir para a mulherzinha zangada  sa frente.
- Ele me ensinou tudo que sei - disse, e viu que o olhar da jovem era de absoluto escrnio.
- Seu tio foi ensinado de uma maneira diferente da minha - disse Gillyanne, ao rumar para a cama, onde se sentou, confiante de que Connor no sairia agora. - Ele 
tem razo quanto  comida e roupas e um lugar para viver.
-- Ah, um lugar para viver. Eu lhe dei isso. - Connor ficou contente de ter feito uma coisa certa.
- Porm, como uma dama bem criada, eu mesma, devo discordar de tudo o mais que ele disse.
- Uma moa no discute com um homem. A palavra dele  lei. Gillyanne olhou para Connor, maldizendo a incapacidade de ver dentro dele. No podia crer que fosse oco. 
S precisava de educao.
- Esta moa aqui discute - retrucou.
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- Comeo a perceber.
Ela parecia absolutamente adorvel sentada na beira da cama, os ps a vrios centmetros do cho. Connor sentiu o desejo se acender dentro dele e tentou control-lo. 
No foi fcil quando ele podia recordar com clareza a beleza daquele corpo pequenino, e o calor aconchegante e firme quando estivera dentro dela. Ele derramara sua 
semente dentro dela como era seu dever de marido, porm continuara insatisfeito. A vida de restries a que se acostumara lhe roubava os prazeres da cama. Eis porque 
se voltara para Meg e, contudo, tinha de admitir, Meg no despertava sua luxria afinal. Isso poderia ser um problema pois, se no satisfizesse aquela fome que o 
consumia, poderia tentar saci-la com a esposa. E ela era uma dama. Tambm era pequena e delicada demais, e ele receava que pudesse machuc-la.
- Esta moa est lhe dizendo que um marido no pode sair farejando as saias de outras mulheres. Isso  adultrio.  pecado.
- Um homem  movido por desejos poderosos, moa, desejos que precisam de muito para ser saciados. Uma dama no toleraria isso. Eis porque existem moas tais como 
Meg.
- Bobagem de merda.
- Uma dama no deveria usar uma linguagem to vulgar.
- Continue falando tais besteiras e logo ver como eu posso ser chula. - Ela suspirou e caiu de costas na cama. - Ora, v e deite-se com sua vagabunda. No sei por 
que eu deveria me importar. Voc no foi muito bom nisso, afinal. - Gillyanne no ficou surpresa quando ele de repente debruou-se sobre ela. Parecia bem aborrecido.
- Fui muito bom - ele esbravejou. - Tirei sua virgindade sem quase um grito de sua parte. No a machuquei.
- No, no machucou. Tambm no me deu muito prazer. Ele a fitava como se ela fosse a criatura mais estranha que j conhecera. Ela o encarou de volta, mas sem conseguir 
penetrar-lhe as emoes. Era frustrante.
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- Damas no querem prazer, no o sentem. Esperam que seu homem satisfaa essas cruezas com as amantes.
Gillyanne ergueu-se sobre os cotovelos e aproximou a face da dele, tanto que seus narizes quase se tocaram. Sentia-se decepcionada. As circunstncias a haviam forado 
a um casamento com aquele belo homem e ela julgara que poderia, finalmente, pelo menos provar um pouco daquele prazer que colocava fascas nos olhos das primas. 
Em vez disso, conseguira um homem que a tratava como se ela pudesse quebrar com uma carcia apaixonada. Houvera tantas promessas naqueles primeiros beijos, e ela 
estava resolvida a fazer com que aquelas promessas se cumprissem. Se no, bem, ela esperaria at ser resgatada. Ignorou o murmrio em sua mente que lhe disse que 
jamais seguiria aquele plano.
- Farei uma troca com voc - disse ela. - Mostre-me esses prazeres rudes, esses desejos crus. Trate-me como se eu fosse sua amante, no sua esposa. Se eu no agentar, 
no o importunarei mais acerca de sua vagabunda. S exijo uma coisa - no me envergonhe andando com suas amantes diante de meus olhos e de seu povo. Faa isso e 
me expor ao escrnio das pessoas de seu cl. Isso eu no tolerarei, no em silncio. Portanto, venha, mostre-me o que supe que pode me revoltar.
Connor endireitou-se e levou a mo para os laos de seu casaco. Estava tentado a aceitar a barganha. Queria demonstrar toda a plenitude do desejo que sentia por 
ela, queria ver se poderia levar a chama da paixo queles olhos lindos. Queria tocar cada centmetro sedoso daquele corpo sem se preocupar que ela ficasse chocada, 
queria beijar aquele ventre, refestelar-se nos mamilos da cor de framboesa, lamber aquelas coxas muito brancas. Comearia aos poucos, mas queria correr a lngua 
pelos cachos de um marrom avermelhado entre aquelas pernas bonitas, algo que ouvira contar, porm nunca sentira o mpeto de fazer.
E, por que no, resolveu, ao tirar o casaco. Poderia assust-la ou aborrec-la, porm ela lhe dera permisso, pelo menos desta vez. A menos que desmaiasse ou comeasse 
a brigar, ele se permitiria
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saciar todos os desejos. Se, depois disso, voltassem a um ocasional relacionamento para que pudesse ench-la com a semente que lhe daria um herdeiro, teria pelo 
menos uma lembrana para nutrir. O jeito com que ela comeou a arregalar os olhos quando ele tirou as roupas o fez imaginar que a coragem de Gillyanne j comeava 
a falhar.
Gillyanne sentiu uma onda de calor tomar conta de si quando seu marido tirou as roupas. Vira muito pouco dele antes. Ele era todo msculos duros e carne macia, de 
uma pele dourada. Uma fina linha de plos comeava abaixo do umbigo, tornava-se mais espessa na genitlia e escurecia cada centmetro das pernas longas e musculosas. 
Era belo e muito msculo, ela pensou, ao olhar para aquela virilha. No vira muitos rgos masculinos, a no ser dos primos pequenos, e a maior parte do que sabia 
vinha daquilo que Avery lhe contava entre risadas, quando ficavam "aborrecidos". Tinha certeza, contudo, que Connor era particularmente abenoado nesse quesito.
Com medo? - ele perguntou, ao ergu-la e comear a desnud-la.
- No, apenas notei que voc no est nada aborrecido - ela mrmurou, tentando no se sentir constrangida com a luz do quarto, enquanto ele lhe tirava as roupas.
- O que quer dizer com isso?
-  como minha prima Avery chama um pnis em descanso.
- Quantos voc viu? - ele perguntou, parando de soltar os laos da combinao para encar-la.
- Bem, no costumo espiar os homens - disse ela, ligeiramente insultada com a acusao no verbalizada. - Porm, numa fortaleza cheia de gente e com uma multido 
de primos e irmos, uma garota v alguns de relance, aqui ou acol. Avery d nome a vrias, ah... posies. H os aborrecidos, um pouquinho interessados, e nada 
aborrecidos.
- Moas no deveriam ficar olhando o sexo dos homens e no deviam dar nomes a essas coisas.
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- Tantas regras - ela murmurou, com desdm.
Ele tirou-lhe a camisola e olhou para as ceroulas de linho, lutando para no cair na risada. Era intrigante como ela conseguia diverti-lo, a ele, um homem que no 
costumava rir. Exceto por uma ocasional risada, ele no conseguia se lembrar da ltima vez que dera uma boa gargalhada. No era o tipo de coisa que um lorde faria. 
Se o vissem assim, logo ele perderia o controle de seu povo. Era a fora que os mantinha unidos.
- Voc ainda est usando essas ceroulas.
- Sim, estou, e pretendo conserv-las.
- So roupas de homem.
- E tal como um homem protege as regies baixas, como se espera que uma moa suporte o frio e arrisque a se machucar quando cavalga? E no importa o quanto uma moa 
seja modesta e cuidadosa, sempre haver algum tolo tentando espiar debaixo de suas saias. Bem, o que est debaixo de minhas saias no  para os olhos de ningum, 
a no ser os meus e os de meu marido. Portanto, no pense que me far deixar de us-las.
A simples ideia de que algum homem poderia querer dar uma espiada naqueles tesouros foi o suficiente para Connor resolver que ceroulas, afinal, no eram uma coisa 
ruim para uma moa usar. Soltou os laos da roupa e, no momento em que caram a seus ps, ele ergueu Gillyanne e colocou-a sobre a cama. Ela parecia extremamente 
pequena deitada ali, delicada e frgil.
Gillyanne ruborizou-se diante daquele olhar preocupado. E seu embarao logo se transformou em constrangimento. Sabia que era pequena, porm assim era a maioria das 
mulheres de sua famlia e seus homens pareciam bem satisfeitos. Um rpido olhar para o pnis enrijecido lhe disse que o olhar de Connor no significava falta de 
interesse.
- Vai ficar s olhando ou tem inteno de ir em frente? - ela resmungou, incapaz de suportar aquele olhar por mais um instante.
- Ir em frente - retrucou Connor e deitou-se sobre ela. Ela resmungou deliciada quando ele lhe deu outro daqueles
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beijos que guardavam tantas promessas. Gillyanne passou os braos em torno do pescoo do marido e puxou-o para mais perto. Ele era grande, quente, pesado, e ela 
gostou da sensao daquele corpo contra o seu. A primeira investida daquela lngua contra seus lbios, ela os entreabriu. Conforme ele a invadia em leves estocadas, 
ela sentiu aquele delicioso calor a lhe fluir pelas veias, e aquele estranho porm prazeroso formigar em seu ventre estava de volta. Agora ela saberia do que se 
tratava, aprenderia o que colocava aquele olhar nos amantes.
Connor podia sentir aqueles belos mamilos endurecerem contra seu peito, ao beijar Gillyanne. Queria tom-la de imediato, mas disse com firmeza a si mesmo para vir 
devagar. No tinha certeza da razo, mas queria fazer mais com Gillyanne do que fizera com mulheres como Meg, mais que umas carcias mtuas, alguns beijos, e em 
seguida enterrar-se e socar at espalhar seu smen. E isso, ele pensou, quase sorrindo ao beijar-lhe o pescoo em direo aos seios adorveis pelos quais ansiava, 
era a melhor coisa em ter uma esposa. Ele no precisava se retirar no ltimo momento, para ejacular do lado de fora, no frio. Se, juntamente com o prazer de continuar 
quente e agasalhado dentro dela quando encontrasse alvio, ele pudesse ter em Gillyanne um pouco de amor, tambm, poderia na verdade encontrar algo bem prximo ao 
contentamento.
Quando escorregou em direo aos seios dela, ele se apoiou nos cotovelos e cobriu os pequenos montes com as mos. Era como se ali fosse o lugar deles. Em razo de 
seu tamanho, ele sempre procurara mulheres cheias de corpo para levar para cama, de seios fartos, e mesmo assim ele no julgava que sentira algo mais perfeito do 
que segurar os seios pequeninos e firmes de Gillyanne e sentir aqueles mamilos duros a lhe roarem as palmas conforme ela respirava. Deslizou as mos para as laterais 
e depois de um instante de apreciao diante da viso daqueles bicos escuros e rosados, to rijos e convidativos, lentamente ele os lambeu. O gemido sufocado de 
Gillyanne o fez hesitar, aborrecido que a tivesse chocado to depressa. Ento, sentiu que ela se arqueava, se esfregava
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contra ele, a tremer. Repetiu o gesto e ela reagiu quase da mesma forma. Atnito, ele se deu conta de que ela gostara muito da carcia. Ento, refestelou-se, lambendo, 
sugando at que teve de segur-la pelo quadril ondulante para acalm-la.
Sabendo que estava perto de perder o controle, ele beijou-a pelo ventre. Quando correu a lngua em torno do umbigo, deslizou a mo entre as pernas dela. E desta 
vez sabia que a reao que a ergueu a cama significava que ela apreciava suas carcias; podia sentir o calor e a umidade a convid-lo a entrar. Comprimiu a face 
contra o ventre firme de Gillyanne, lutando para controlar a vontade de beij-la ali, naqueles belos plos castanhos. Era muito cedo ainda. Em vez disso, satisfez-se 
em respirar profundamente, saboreando o cheiro de pele limpa e o almscar clido da excitao feminina.
Era demais para conseguir se conter e ele se ergueu. Assim que ela o envolveu com as pernas fortes, como se para impedi-lo de fugir, ele a penetrou. A sensao quente 
e apertada daquele ninho o fez gemer. Ela resmungou-lhe o nome, a voz rouca e abalada pela fora da necessidade. E Connor sentiu que o ltimo de seu controle se 
esvaa. Ao comear a se mover, cada centmetro daquele corpo esguio a encoraj-lo a no atenuar as investidas, ele beijou-a e provou daquela avidez selvagem. Sentiu 
quando ela aliviou o aperto e mergulhou mais fundo, sacudido pela prpria fora do impulso. O modo como aquele corpo parecia beb-lo, a maneira como ela lhe enterrava 
as unhas nas costas apenas acrescentava intensidade ao prazer que sentia. Finalmente, ele caiu sobre ela, a face enterrada contra o travesseiro.
Gillyanne comeou a acariciar Connor conforme recuperava o senso. Soltou um lamento quando o pnis, agora frouxo, deslizou para fora de seu corpo. Aquilo fora como 
deveria ser, ela resmungou, enquanto esfregava os ps naquelas canelas fortes. Agora entendia aqueles longos olhares e os suaves suspiros. E precisava ter certeza 
de que Connor compreendia que no teria de satisfazer suas paixes cruas em outra parte.
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-- Ainda estou viva - disse ela, brincando, mas no surpresa ao perceber um toque de espanto na prpria voz.
- Acho que eu tambm - ele resmungou, lanando um olhar a ela e sentindo uma satisfao extrema consigo mesmo ao ver o brilho demorado de paixo naquela face.
- E no fiquei aborrecida nem um pouco.
- No, no ficou, mas isso  apenas uma pequena amostra.
- Apenas uma pequena amostra?
- Sim. Eu ainda posso fazer algo que a desgoste.
- Puf. V em frente e tente.
Ele pretendia, pensou Connor, e sorriu para o travesseiro. Era difcil para ele aceitar que seu tio estivesse enganado. Era mais fcil pensar que Gillyanne era um 
achado raro, uma em um milho. Talvez sua famlia a tivesse criado para no ver nada de errado em desfrutar do sexo com o marido. Uma poro de perguntas enchiam-lhe 
a cabea, mas ele as afastou. Fossem quais fossem as razes, Gillyanne gostava de fazer amor, livremente e com loucura. Seus gritos de prazer tinham sido doces e 
verdadeiros.
E altos, ele pensou, e sorriu outra vez. Ele no ficaria surpreso se todos em Deilcladach tivessem ouvido. Apenas um idiota questionaria um tal presente, e Connor 
MacEnroy no era um tolo.
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Captulo VI

Connor abriu os olhos e fitou o seio que quase lhe tocava o nariz. Era um seio adorvel - plido, sedoso, macio, firme e convidativo. O seio pequenino de sua esposa. 
Sentiu, de sbito, uma forte sensao de posse. Nenhum homem poderia beijar aquele seio, brincar com aquele mamilo cor de framboesa at endurec-lo, ou ter aquela 
forma perfeita a aquecer a palma da mo. Pelo menos no sem se arriscar a uma morte lenta e profundamente dolorosa, ele pensou, e ento ficou a imaginar por que 
a simples ideia de outro homem a tocar Gillyanne fazia suas entranhas se contorcerem de raiva. Ter uma esposa no era to simples como havia julgado em princpio. 
Claro, poderia ser apenas aquela esposa em particular, resolveu, ao circular aquele belo mamilo com o dedo e ao ver Gillyanne se retorcer. Estava prestes a tom-lo 
entre os lbios quando algum bateu  porta.
- Que inferno - ele resmungou e viu que Gillyanne o observava, os olhos nublados de desejo.
- J  de manh - ela murmurou e puxou o lenol para o peito conforme Connor se sentava.
- Uma hora boa para uma peleja. - Olhou feio para a porta. - Hoje, no, porm. O que ? - berrou.
- Tio Neil est aqui - Diarmot gritou, em resposta. - Quer v-lo. Agora.
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- Diga-lhe que estou providenciando meu herdeiro.
-Diga voc. Nosso tio no est contente de que tenha se casado sem conversar com ele. Quer conhecer sua esposa.
-Mantenha-o com a boca cheia. Descerei em poucos minutos. - Praguejando contra o tio, Connor lavou-se, vestiu-se e rumou para a porta, dizendo por sobre o ombro:
-  melhor se apressar e descer para o salo.
Gillyanne nem mesmo teve a chance de responder antes de ele sair. Caiu sobre os travesseiros. Que jeito brusco e rude de acordar, pensou. Uma chispa de mgoa acendeu-se 
em seu corao, mas ela rapidamente a apagou. Connor era iniciante na arte de ser um marido tal como ela em ser uma esposa. Precisavam de prtica.
Saiu da cama e comeou suas ablues. Havia outras coisas das quais no tinha certeza. A despeito da noite de gloriosa paixo que haviam partilhado, Gillyanne no 
sabia se mudara qualquer das estranhas ideias de Connor com respeito ao tratamento das esposas. Na verdade, tudo que provara a ele fora que uma dama bem-nascida 
poderia enfrentar o que ele chamava de paixo crua. Isso no era exatamente um largo passo adiante.
De sbito, recordou que Tio Neil fora o idiota que enchera a cabea de Connor com todas aquelas noes absurdas sobre mulheres. Apressou o passo. No era prudente 
deixar o marido sozinho com aquele homem em particular por muito tempo.
- Tio Neil - disse Connor, ao entrar no salo. - Bem-vindo. Ao se sentar, com Meg de cara feia a lhe servir uma caneca de leite de cabra, Connor estudou o tio. O 
homem grisalho enchia a prpria caneca de cerveja, no obstante a hora matutina. Neil parecia que sofrera uma noite ruim.
- Ento voc se casou, rapaz - disse Neil, parecendo pouco satisfeito com a notcia. - Por qu?
- Diarmot no lhe contou?
-Apenas disse que voc estava l em cima com a moa quando perguntei onde voc e sua esposa estavam.
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- Como soube que eu tinha uma esposa?
- Quase todo mundo daqui at Edimburgo sabe disso, rapaz. Trs cavaleiros sagrados e lordes a se fazerem de tolos tentando agarrar uma moa  o tipo de histria 
que se espalha depressa.
Connor ficou a imaginar porque se sentia to aborrecido com aquela resposta. Ento, deu de ombros. Na verdade as notcias corriam.
- Ganhei o jogo, peguei o prmio e agora Ald-dabhach est sob meu domnio - retrucou, com algum orgulho.
- Embora a moa tenha escolhido voc.
- Escolheu, porm apenas depois que cada um de ns tentou e fracassou em tomar Ald-dabhach e demonstramos que estvamos preparados para tentar outra vez, com mais 
fora e, talvez, com menos cuidado para com a terra e seu povo. Ela  uma mocinha inteligente, porm boa de corao. No quis derramamento de sangue. Assim que seus 
estratagemas falharam, ela resolveu encerrar o jogo.
- No foi estratagema - protestou Gillyanne, ao entrar no salo a tempo de ouvir as palavras de Connor. - Foi estratgia.
Neil olhou para Gillyanne e fechou a cara.
- Por Deus, moa, no poderia ter esperado at crescer mais um pouco?
Conforme Gillyanne rumava para sentar-se ao lado de Connor, ela resolveu que no seria prudente parar ao lado do tio do marido e dar-lhe um coque na cabea.
- J cresci.
- Puxa, no fez um bom trabalho. E pela aparncia dos trapos que usa,  pobre tambm.
- Ela trouxe Ald-dabhach como dote de casamento, tio - disse Connor, ocultando a raiva que sentiu diante das palavras pouco gentis do tio. - No  preciso mais nada. 
E seu primo logo trar todas as coisas dela. No houve tempo para recolh-las, pois julguei melhor t-la em segurana aqui.
- Acha que os outros tentaro tom-la de voc?
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.- Creio que podem tentar, sim.
- Ento a luta ir recomear.
Aquilo alarmou Gillyanne e ela tentou se concentrar no leite e no po que um rapazinho colocara diante dela. Ela se rendera e concordara com o casamento para impedir 
derramamento de sangue. Era horrvel pensar que, ao salvar o povo de Ald-dabhach, pudesse ter dado incio a uma nova rixa entre os cls.
- No - disse Connor, com firmeza. - No haver a ressurreio de antigas rixas e dios. Robert e David no querem mais isso, tanto como eu. Ns trs passamos nossa 
juventude limpando a confuso que nossos pais deixaram para trs. Estamos cansados disso.
Meg chegou e colocou um prato de po diante de Connor. A mulher esfregou-se contra ele e lhe lanou um olhar to voluptuoso que Gillyanne sentiu vontade de cravar 
a faca de comer no traseiro volumoso da mulher. Connor afastou-se de Meg e fez um gesto para que sasse.
- No deveria ser to frio com sua amante, Connor -- avisou Neil. - Mulheres tm maneiras de fazer um homem pagar.
- Meg no  mais minha amante.
- Ah, arranjou uma nova? Quem? Jenny? Uma bela moa, cheia de corpo, aquela uma.
- Sou um homem casado agora, tio.
Connor ainda no tinha certeza se concordava ou mesmo acreditava numa poro de coisas que Gillyanne lhe dissera na noite passada, a no ser numa delas. Era errado 
ofend-la diante da famlia. Realmente isso lhe roubaria todo o respeito, fazendo com que fosse difcil, se no impossvel para ela assumir seu lugar como senhora 
de Deilcladach. Isso no poderia acontecer. E se Gillyanne continuasse a aceitar e retribuir sua paixo como fizera naquela noite, ele realmente no via necessidade 
de ter uma amante. Era um homem de libido ativa, porm nunca ansiava por um sortimento contnuo e mutante de mulheres. Tudo que queria era que a moa fosse acolhedora 
e desejosa, e Gillyanne mostrava ser a promessa
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de ambas as coisas. Olhou para a esposa e no ficou surpreso ao v-la encarar de cara feia seu tio, embora tentasse disfarar. Ele fora grosseiro.
- O que tem um homem casado a ver com tomar uma amante? - perguntou Neil, enchendo sua caneca de cerveja outra vez.
- Se Connor trotar atrs de outras guas agora, isso  adultrio e eu creio que seja um pecado - murmurou Gillyanne.
- Um homem precisa de vez em quando de uma moa acolhedora e desejosa. - Quando Gillyanne bufou diante daquela opinio, ele perguntou: - Quem  voc, moa?
- Gillyanne Murray de Dublin, filha de sir Eric Murray e Lady Bethia.
- sir Eric Murray? - Neil encarou-a por um instante e ento voltou os olhos para Connor, alarmado. - Ele  um homem do rei!
Se s o nome do homem deixava seu tio to desconfortvel, Connor comeou a pensar que as advertncias de Gillyanne acerca do pai poderiam no ser ameaas vs. Claro, 
era absolutamente inaceitvel para uma esposa ameaar o marido, porm seria prudente faz-la falar um pouco mais sobre o pai.
- O prprio rei sugeriu que se um de ns desposasse a moa seria a melhor maneira de impedir confuses.
- Ah, bom, isso pode ajud-lo. Suspeito que diro tudo isso a sir Eric quando ele vier aqui  procura de sua menina.
Gillyanne espalhou uma grossa camada de mel sobre uma fatia de po e comeu-a lentamente, enquanto estudava o tio de Connor. Se a maneira com que engolia cerveja 
quela hora da manh era alguma indicao, o sujeito era um bbado. A conversa anterior revelara uma sutil porm profunda desconfiana quanto s mulheres. Havia 
algo a respeito daquele homem que a deixava incomodada. Senti-a no homem uma profunda culpa e raiva que ele no conseguia engolir com toda a bebida que entornasse 
pela garganta. sir Neil MacEnroy era um homem com segredos. Negros e feios segredos que ele ficava aterrorizado que algum pudesse desvendar.
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Resolveu observar o homem de perto para ver se realmente ele era o perigo que ela pressentia.
Sua ateno concentrou-se quando Neil comeou a contar uma fofoca da corte, a qual, suspeitava, ele citava de propsito. No a surpreendeu ouvir o nome de seu primo 
Payton seguido por uma longa citao dos casos amorosos em que se envolvera. Ento, quando Neil se ps a falar de seu pai e depois de contar dois pequenos incidentes 
que indicavam que ele trilhava o mesmo caminho leviano de Payton, a raiva obrigou Gillyanne a levantar-se.
- Insulta meu pai, senhor - ela exclamou.
- Insultar? - Neil pareceu atnito. - Eu apenas contei ao rapaz que belo homem cheio de luxria seu pai .
- Ele  um homem excelente e julgo que seja cheio de vida, mas essa fofoca que o coloca nas camas de outras mulheres nada mais  que uma mentira. Meu pai no  adltero.
- Ora, moa, voc, sendo filha, no quer ver a verdade.
- Conheo bem a verdade - ela o interrompeu. - Meu pai jamais trairia minha me. - Ela cerrou os punhos e teve vontade de esmurrar aquele homem que revirava os olhos. 
- Ele a ama. Se isso no pesa para o senhor, ento atente bem para o que ele prprio diz. Ele admite ter sido muito parecido com meu primo Payton na juventude, mas 
no agora. Como ele mesmo diz, pronunciou os votos diante de Deus e no iria se arriscar a pecar andando com alguma vagabunda. Papai tambm diz que, se no por nada 
mais, mame  a mulher que arriscou a prpria vida para lhe dar filhos, que cuida de seu lar e de seu conforto, e que estar ao lado dele quando for velho, curvado 
e acabado. Por tudo isso, ele deve pelo menos lhe ser fiel. Eu no ouvirei nenhuma outra inverdade a respeito dele.
Gillyanne no esperou para ter licena e saiu do salo. Pretendia ventilar a prpria raiva fazendo uma limpeza no quarto de Connor.
- A moa com quem se casou no entende o mundo - disse Neil.
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- Talvez no - concordou Connor -, mas creio que conhece a famlia muito bem.
- Est tomando o lado dela?
- No vejo um lado nisso, tio. Ela no disse nada quando voc contou as aventuras picantes do primo. Foram as histrias sobre o pai dela que a deixaram zangada.
- No foi nada mais que a verdade. Crianas tolas no querem pensar que seu pai se comporta como os demais homens.
Connor no queria discutir com o tio, ainda que sentisse um forte impulso de defender a raiva de Gillyanne.
- Bem, seja ou no verdade, foi um pouco indelicado repetir tais histrias. Ambos sabemos quantas fofocas se ouvem, principalmente aquelas sobre a corte, no ?
Neil estudou Connor por um instante e ento disse:
- Voc no acredita que as histrias sobre o pai dela sejam verdadeiras.
- No  meu papel acreditar ou no. Entretanto, a moa cr em tudo que disse e com tanta convico que deve haver algo ali. Portanto, sinto-me inclinado a pensar 
que sejam mentiras, talvez com a inteno de atingir um homem to ntimo do rei que causa inveja. Mesmo que fosse verdade, ainda assim no  o tipo de histria para 
ser repetida diante da prpria filha do envolvido.
- Connor tem razo quanto a isso, eu creio, tio Neil - disse Diarmot, que estava ao lado. - Lady Gillyanne  muito orgulhosa de seu pai. Pode-se perceber isso quando 
diz o nome dele. Para ser justo, ningum gosta que falem mal do pai.  um belo homem, ele?
-As moas dizem que sim-resmungou Neil.-Ele e aquele primo dela. Ambos fazem as mulheres quase brigarem para lev-los para a cama. Principalmente o primo. Falam 
dele como se fosse tudo de belo e bom num homem-Neil bufou de desgosto e bebeu um gole de cerveja.
Enquanto seus irmos procuravam saber mais, Connor recostou-se na cadeira e tentou classificar seus sentimentos. Discutira
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com o tio sobre algo concernente  sua esposa, ainda que ligeiramente. Poderia ser exatamente o que um marido deveria fazer, ainda que implicasse num toque de ternura 
da parte dele. E teria de se guardar desse tipo de coisa, pensou, ao ver Fiona se esgueirar para fora, j que a pequena Gillyanne aparentemente tinha uma grande 
habilidade para atrair aliados.
- O que est fazendo?
Gillyanne desviou a ateno da lareira que esfregava, surpresa ao ver Fiona entrar. Desde a primeira vez que vira a irm de Connor, percebera o lampejo de curiosidade 
nos adorveis olhos cor de violeta daquela menina-moa. Era difcil sentir o que a jovem tinha dentro de si. Aquela proteo aos sentimentos era evidentemente um 
trao dos MacEnroys.
-- Estou limpando o quarto do lorde - retrucou Gillyanne e olhou para Joan que enrolava o tapete do lado da cama de Connor. - No, Joan, tire as cortinas, as tapearias 
e as roupas de cama primeiro. Oh, e veja que uma das mulheres suba com mais gua e alguma coisa para esfregarmos este cho.
- Isso  trabalho de Meg - disse Fiona e arqueou uma sobrancelha numa perfeita imitao de Connor. - Meg faz o que quer,  verdade, porm realmente seu lugar  na 
limpeza.
- Est claro que ela no tem inteno de assumir o trabalho. No como dormia nesta cama... Gillyanne olhou para a cama de Connor, pensou nele enrodilhado com outra 
mulher debaixo das cobertas, e desejou pr fogo na cama.
- Meg nunca esteve nesta cama. Nenhuma das mulheres de Connor esteve. No que ele tenha muitas. Fiquei surpresa em saber j que voc se deitou nela, porm voc  
esposa dele e muito limpa. Ele quer que os lenis sejam trocados toda semana. - Fiona franziu a testa. - Nem sei quando os meus foram trocados.
- Cuidarei de seu quarto em seguida, ento. Venha, ajude-me a colocar os colches na janela, para tomar ar - disse  garota,
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assim que Joan saiu. - Depois, quando os colocarmos de novo na cama, espalharemos ervas entre cada camada.
-Acho que Connor  to exigente com respeito  cama porque passou muitos anos em choupanas midas enquanto reconstruamos a fortaleza.
Joan voltou para retirar os tapetes para serem batidos. Trouxe junto a prima Mairi armada de vassoura, um balde e um esfrego. Gillyanne pensou por um instante se 
Connor perceberia a limpeza em regra em seu quarto e ento, suspirou, involuntariamente. Ele poderia notar, porm ela duvidava que dissesse alguma coisa. Continuou 
a esfregar a lareira e disse a si mesma que no precisava de aprovao ou elogios do marido. A satisfao de um trabalho bem feito era uma recompensa por si s.
- H algo que eu possa fazer? Sou uma mulher agora e tenho de encarar a dura verdade. No posso ser um guerreiro, nem ser como meus irmos. Minha sina  desposar 
um homem e dar-lhe filhos.  bom que eu saiba como lutar ao lado de meu homem, porm ele h de esperar que eu saiba como cuidar de sua lareira. - Fiona comeou a 
lavar as paredes.
- No lhe ensinaram nenhuma das prendas femininas?
- O que poderiam Connor, meus outros irmos e meu tio saber de prendas femininas? No me entenda mal. No reclamo da maneira com que fui criada. Connor fez o melhor 
que pde, como um rapazinho que era, com uma menina para cuidar e tanto a ser reconstrudo.  por ele tambm que eu agora quero aprender como ser uma dama. No o 
envergonharei, nem a mim ou a meu marido com minha ignorncia.
- Embora muitos de meus parentes pudessem morrer de rir comigo a ensinar uma jovem os modos de uma dama, eu farei o meu melhor para ajud-la.
Trabalharam em silncio por algum tempo, porm no instante em que Mairi saiu, Fiona murmurou:
- Acho que terei de aprender a usar um vestido. Gillyanne riu.
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- Sim, receio que ter. Quando meu primo James me trouxer minhas roupas, posso lhe dar um dos meus. - Mediu Fiona com os olhos. - Ir precisar apenas de alguns ajustes. 
- Hesitou, por um momento. - Ouvi algumas histrias do que aconteceu aqui, toda a luta e as mortes, mas voc poderia me contar tudo enquanto trabalhamos?
Fiona respirou fundo e comeou a longa e sombria histria de anos de batalha, destruio e morte. Quando Mairi voltou para polir o assoalho, adicionou um ou dois 
relatos tristes. Conforme todo aquele horror lhe era contado, Gillyanne comeou a compreender quais foras tinham feito de Connor o homem que era hoje em dia.
Mal chegado aos quinze anos, Connor presenciara o brutal assassinato de muitos de seu cl, inclusive de seus pais. As terras tinham sido devastadas, deixando pouco 
alimento ou abrigo para os remanescentes dispersos do cl do qual fora alado  condio de lorde. Depois, seguiram-se anos de penria conforme ele conduzia a reconstruo 
e proteo dos irmos e do povo. Era algo do que se orgulhar, mas Gillyanne teve de concordar quando Fiona disse que sentia que Connor ainda sofria de alguma culpa 
por no ter lutado e morrido ao lado do pai.
Aquilo explicava muito. O fardo colocado sobre os jovens ombros de Connor teria derrubado muitos outros, porm ele se forara a fazer o que era necessrio. Os sentimentos 
do marido estavam enterrados dentro dele, firmemente presos por anos de disciplina e luta pela sobrevivncia. No houvera tempo nem espao para emoes mais suaves 
e algo mais que ele receasse pudesse ter um toque de fraqueza. Agora, embora tudo estivesse em paz e restaurado, a no ser a vida dos entes amados, que no poderiam 
ser reconduzidos  vida, Connor ainda se mantinha agarrado  imagem de um homem duro.
E daria um trabalho danado quebrar aquela casca, Gillyanne pensou, com um suspiro. Depois de tantos anos, ela no tinha certeza que sobrara alguma alegria ou suavidade 
dentro de Connor.
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Um homem que fazia amor com uma mulher como Connor fizera com ela tinha de guardar alguns restos de emoes mais doces dentro de si, e no entanto ela tambm compreendia 
que poderia no haver nada mais alm de luxria por trs daqueles beijos incandescentes. Ela enfrentaria uma dura batalha se fosse procurar no casamento algo da 
beleza e da alegria que suas primas haviam encontrado nos delas. O que lhe enregelava o sangue era o receio de no saber como vencer uma tal batalha, nem se tinha 
as armas certas.
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Captulo VII

Ela no trouxe a gua quente para cima outra vez. Gillyanne olhou para a banheira vazia. Depois de cinco noites repletas de paixo e dias em que passava ignorada 
pelo marido, ela concebera um plano. Infelizmente, limpar o lugar de forma adequada estava demorando mais do que ela previra e Connor no percebera muito do esforo. 
Assim, ela se vira tentada a pensar em todos os pequenos confortos que uma esposa poderia dar ao marido. Um daqueles fora um belo banho quente pronto para ele ao 
fim do dia. Tal deciso fora tomada trs dias atrs e
no sara como queria.
Era dever de Meg trazer a gua para o quarto do lorde. Gillyanne esperava algum problema, porm jamais aquela flagrante desobedincia. O absoluto desrespeito de 
Meg por qualquer ordem dada pela esposa do lorde estava tambm enfraquecendo a posio de Gillyanne na fortaleza, mais do que o evidente desdm e o desgosto de tio 
Neil. Se as mulheres com que Gillyanne lidava no fossem to compreensivas e Meg no fosse to profundamente detestada, ela suspeitava que logo seria pouco mais 
que uma piada para o povo de Deilcladach.
- Por que quer um banho quente toda noite? - perguntou Fiona.
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- Estou cansada de ser quase absolutamente ignorada por meu marido todos os dias - retrucou Gillyanne.
- E acha que um banho mudaria isso?
-  um daqueles pequenos confortos que uma esposa pode dar a seu marido. Pensei que se enchesse a vida dele com pouco de mimos, ele logo me notaria fora da cama. 
E se ele se banhasse e comesse aqui, ter de passar um tempo comigo, tempo que pode incluir um pouco de conversa para que possamos saber mais um sobre o outro. Ele 
poderia se acostumar a isso.
- Sim, ou ele pode lev-la para a cama antes de jantar. Gillyanne suspirou e concordou.
- Existe essa possibilidade, porm poderia ficar acostumado a se banhar no conforto do prprio quarto e, talvez, ser ajudado no banho por uma mulher.
- Ele j  ajudado por uma mulher - Fiona fungou e levou a mo  boca.
- Deixe-me adivinhar. - Gillyanne levantou-se, punhos cerrados. - Meg.
- E Jenny e Peg - disse Fiona, observando Gillyanne com cautela.
- As trs vagabundas de Deilcladach. No  de se admirar que Meg no me traga a gua. Ela tem a perfeita oportunidade para seduzir Connor ao final de cada maldito 
dia. Bem, no mais - esbravejou e rumou para fora do quarto.
- No acho que voc deveria ir at a casa de banho - Fiona avisou ao se apressar a ir atrs de Gillyanne. - H homens nus l.
- J vi um homem nu antes.
Fiona maldisse a prpria lngua comprida ao seguir Gillyanne. Soltou um grito de surpresa quando, ao passar pela cozinha, Joan agarrou-a pelo brao.
- Voc contou a ela, no contou? - Joan parecia mais resignada que aborrecida.
- Eu no pretendia. Saiu de minha boca - retrucou Fiona.
- Ela parece furiosa.
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- Sim, e  por isso que tenho de ir com ela.
-Puxa, para proteger aquela sem-vergonha da Meg? Para qu?
- Dependendo do que ela encontre, pode no ser apenas Meg que ela enfrente. E para uma mulher to pequena, poderia ficar machucada.
Joan sorriu ao soltar Fiona.
- Ah, se acontecer uma briga entre aquelas duas, acho que eu apostaria em nossa senhora. Sim, realmente eu apostaria.
Fiona afastou-se, um pouco preocupada de como seu irmo poderia reagir ao ser confrontado por uma esposa zangada diante dos outros homens. Ao ver que Gillyanne estava 
quase  porta da casa de banho, correu para alcan-la. Seu corao lhe dizia que aquele casamento seria bom para Connor e estava com medo de que o irmo falhasse 
com o compromisso de alguma forma, talvez a ponto de afastar Gillyanne dali.
Gillyanne praguejou baixinho ao se aproximar da casa de banho e ouvir as risadas de homens e mulheres. No acreditava que Connor estivesse se deitando com Meg de 
novo, porm sua incapacidade de captar o que ele sentia ou pensava roubava-lhe a confiana nas prprias opinies. Se estivesse fazendo o papel de boba, queria saber.
A viso que teve ao entrar na casa de banho fez Gillyanne estacar e fechar os punhos com tanta fora que suas unhas se enterraram nas palmas. Estava apenas vagamente 
consciente dos outros homens. Toda a ateno de Gillyanne estava fixada no alto e belo marido. Ele no estava nu. Usava as ceroulas de linho. Diante dele estava 
uma sorridente Meg, as mos a soltarem os laos da cueca. Gillyanne tentou decidir qual dos dois ela deveria matar primeiro.
Connor estava prestes a soltar as ceroulas quando Encaroado comeara a contar uma histria divertida sobre o ferreiro e sua esposa. Ele prestara pouca ateno a 
Meg quando se esgueirara para perto dele e lhe empurrara as mos, assumindo a tarefa. Ento Encaroado ficara de repente mudo, os olhos to arregalados que
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Connor julgou que fossem pular das rbitas. Antes que pudesse perguntar o que havia acontecido, todos os outros saltaram para dentro das banheiras, mesmo aqueles 
ainda de calas ou cuecas. Uns poucos agarraram roupas molhadas e se cobriram com elas, parecendo donzelas envergonhadas. Os plos na nuca de Connor se eriaram 
quando lentamente ele se voltou para a direo em que todos olhavam.
No instante que viu Gillyanne postada ali, os olhos verdes fais-cando de fria e com uma Fiona preocupada a seu lado, Connor tornou-se dolorosamente consciente dos 
dedos de Meg a lhe roarem a pele quando ela terminava de lhe soltar os laos da ceroula. Enxotou Meg para longe e fechou a abertura da cueca. E ficou atnito que 
tivesse de morder os lbios para conter uma enxurrada de desculpas e explicaes. No fizera nada errado, pensou, ainda que se sentisse como se tivesse falhado de 
algum modo.
- No deveria estar aqui - exclamou, amarrando a ceroulas. - H homens nus aqui.
- J vi homens nus antes - ela esbravejou.
- Bem, no era casada ento. Este no  lugar para mulheres.
- H mulheres aqui, ora.
- Bem, elas j viram todos ns...
- E experimentaram tambm, eu suponho.
As faces de Connor queimaram num rubor. Sentia-se constrangido e um pouco envergonhado embora no compreendesse porqu. Afinal, ele nem mesmo conhecia Gillyanne 
quando desfrutava dos favores de Meg, Jenny e Peg. Quando percebeu que a fitavam com olhares insolentes, encarou-as com tanta fria que at mesmo Meg se afastou.
- Agora eu entendo porque voc no me levou a gua quente que pedi - disse Gillyanne, olhando para Meg que se encolhia atrs de um homem gordo enrolado numa toalha.
- Ela no levou a gua para seu banho? -- Connor esperava no estar sendo arrastado para meio de alguma disputa feminina,
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porm no poderia ficar ali e permitir que Meg desrespeitasse sua esposa.
- Na verdade, era seu banho que eu tentava preparar. Julguei que poderia ter seu banho no conforto de seu prprio quarto, assistido por sua esposa. Isso  uma entre 
muitas outras coisas que esposas podem fazer por seus maridos.
- ? - Connor julgou que apreciaria isso.
-Sim, mas  evidente que voc gosta dessa reunio de homens. - Gillyanne percebeu que Meg acariciava o homem de quem se aproximara, a mo metida entre as dobras 
da toalha, e ele comeava a reagir com claro interesse. - Meg, acha que pode refrear seus modos desavergonhados enquanto Fiona estiver aqui? Ela sabe que voc  
uma vagabunda, mas  muito jovem ainda para ver como voc se comporta. - Ento, reconheceu o homem. - E voc  Malcolm, o marido de Joan. Devia envergonhar-se de 
si mesmo.
- Um homem tem suas necessidades - protestou Malcolm, embora tentasse se afastar de Meg.
- Oh? Compreendo. Joan o recusa na cama-disse Gillyanne, sabendo perfeitamente bem que a mulher no fazia isso. - Se ela lhe nega os direitos de marido, ento eu 
suponho que merece a profunda e dolorosa humilhao de que se deite com Meg e que todos saibam disso.
- Todos? - resmungou Malcolm.
Gillyanne ignorou-o, a imaginar como o homem poderia ser to estpido para pensar que apenas uns poucos soubessem de sua infidelidade.
-E  provvel que seja uma punio justa que Joan no apenas faa o seu prprio trabalho mas aquele deixado sem fazer pela mulher com que voc a trai. Sim, cada 
vez que ela faz as tarefas de Meg porque Meg est ocupada com voc, Joan deveria ser castigada por falhar como esposa. Uma justia rgida, porm necessria, eu suponho.
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Malcolm parecia doente de vergonha e Gillyanne ficou encantada. Olhou para Connor que franzia a testa para Malcolm.
- Bem, j que  aqui que prefere se banhar, eu deixarei que desfrute de seu banho - disse, feliz com a doura da prpria voz.
Connor tinha de admitir que se banhar com a esposa o atraa mais que partilhar uma enorme tina de madeira com outros homens nus enquanto trs prostitutas lhes esfregavam 
as costas e ocasionalmente se divertia com um dos homens.
Gillyanne voltou-se para sair e ento olhou para trs, para Connor, sua expresso de tristeza, com um toque de arrependimento.
- Sendo uma dama sensvel e bem nascida, receio que acharei muito difcil tocar aquelas suas partes tocadas por outra mulher. Vai custar muito at eu poder banir 
essa imagem srdida e dolorosa de minha pobre mente atormentada. - Esboou um sorriso triste, agarrou Fiona pela mo e afastou-se.
- Voc tem jeito com as palavras - disse Fiona, olhando para Gillyanne com admirao. 
- Minha me diz que  um presente de meu pai. - Gillyanne suspirou ao se aproximarem do castelo. - No conte a Joan sobre Malcolm.
- Ele parecia prestes a vomitar.
- Sim, porm a culpa e a vergonha de um homem podem ser coisas efmeras. No creio que o idiota no julgasse que a esposa sabia de tudo. Ser que os homens acham 
que as mulheres no conversam entre si?
Fiona sorriu.
- Os homens no percebem, mas aquelas trs mulheres realmente julgam que abrir as coxas para os homens de Deilcladach as torna importantes. Creio que perceberam 
que Connor no ficou feliz em saber como negligenciam o trabalho. - Olhou para Gillyanne. - Acha que Connor ir tomar banho no quarto agora?
- No sei, mas eu pretendo tomar um.
- Ento, a senhora no apanhou - disse Joan, quando Gillyanne
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entrou na cozinha -, e j que no est coberta de sangue, suponho que no bateu em ningum tambm.
-- No, embora a tentao fosse grande - retrucou Gillyanne.
- Pensei que a tentao fosse ver aqueles MacEnroys nus - disse Mairi, e suspirou.
Gillyanne riu.
- Sinto muito mas no prestei muita ateno e todos correram para se cobrir.
- Enchemos a tina no quarto - disse Joan. - Mesmo que o lorde no se junte a senhora, pensei que poderia querer um banho.
- Obrigada, Joan, eu quero.
- Acho que minha esposa me ameaou - murmurou Connor, ao ver Gillyanne desaparecer dentro do castelo.
-Ah, sim-concordou Encaroado, ao acenar para que Jenny se afastasse. - Se ficar aqui para ser banhado por essas moas ter uma cama fria para deitar esta noite 
e quem sabe outras mais depois. Ficou bem claro.
- Uma esposa no deveria ameaar o marido.
- Lorde, sua esposa o encontrou aqui com as mos de sua amante nas ceroulas e duas outras moas com quem j se deitou ao lado. Ora, no sei muito sobre mulheres. 
Contudo, creio que posso entender por que sua esposa ficou zangada ao surpreend-lo aqui, com trs mulheres com quem j andou, e com ela mesma preparada para lhe 
proporcionar um belo banho diante do fogo. Acho que tem sorte de a ameaa ser deixar sua cama fria.
Connor franziu a testa, surpreso quando vrios homens resmungaram, concordando.
-Ento, todos pensam que eu deveria ceder diante dessa chantagem?
- Bem, voc poderia ir, tomar seu banho e repreend-la com firmeza por falar com o marido com tanto desrespeito.
Um sorriso lento curvou os lbios de Connor quando seus homens riram. Ele, evidentemente, tinha a aprovao de todos para
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seguir Gillyanne e no perderia autoridade ao fazer isso. Ao apanhar suas roupas, Meg adiantou-se e acariciou-lhe o traseiro. Connor empurrou-a.
- Se aquela mulherzinha  tola o bastante para se afastar de voc, voc sabe onde procurar calor - disse Meg, insultada.
- Sou um homem casado. Por enquanto, pretendo cumprir os juramentos que fiz. Minha esposa no me deu nenhuma razo para fazer o contrrio. - Connor olhou para Malcolm, 
que continuava encostado  parede.-Na verdade, creio que  hora de estabelecer outra regra. No posso e no tentarei controlar a moral de meu cl. Contanto que as 
normas que violem no sejam minhas e no afeiem a segurana ou prosperidade de Deilcladach, ento isso  com a conscincia e a alma de cada um. Entretanto, parece 
que alguns entre meu povo esto sendo magoados e isso eu no posso permitir. Portanto, dentro destas muralhas, vocs, mulheres, no se deitaro com homens casados. 
No aqui em Deilcladach. Se tiverem relaes com um homem casado, faam isso em outro lugar e pelo menos tentem manter a discrio.
Connor no ouviu objees dos homens, viu na verdade vrios gestos de aprovao e concordncia.
- E, mais uma coisa. Vocs, mulheres, podem considerar isso como um aviso. Abrir as pernas para os homens no  considerado como seu trabalho. Parece que se julgam 
mais importantes do que realmente so. Vocs faro a parte do trabalho que lhes cabe. Eu no permitiria que os homens se afastassem do dever ou do trabalho por prazer. 
E certamente no permitirei que as mulheres o faam. Todas tm tarefas a cumprir e as cumpriro ou deixaro Deilcladach. - Fixou um olhar duro sobre Meg, que parecia 
furiosa. -- E voc cumprir as ordens de Lady Gillyanne. Ela  minha esposa, a senhora de Deilcladach, e portanto pode exigir seu respeito e obedincia.
Ele no ficou surpreso quando Meg simplesmente se afastou, obviamente furiosa demais para discutir ou mesmo retrucar.
-  melhor ficar de olho nela - avisou Encaroado, ao sair
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do banho, pegar a toalha com que Jenny tentava enxug-lo e comear a se secar sozinho. - Senhor, Meg vai lhe causar problemas. J causa, de certa forma. Ela se deitou 
com seu tio, com o lorde e com seus irmos. Durante os ltimos anos, ficou cada vez mais arrogante. Est claro que tem tratado sua esposa, a senhora de Deilcladach, 
com absoluto desrespeito.
- Isso prova que ela se julga bem mais importante do que , mas como a tornaria um possvel perigo?
- No sei. - Encaroado sorriu e esfregou o queixo. - Tudo que sei  que ela tem se comportado como se fosse a senhora deste castelo, mandando nas outras mulheres 
que no reclamam porque ela estava partilhando de sua cama ou a de um de seus parentes. Quando o senhor se casou e decidiu tentar manter seus votos, tirou algum 
poder de Meg. Hoje, tomou quase tudo que restava. Assim que as mulheres souberem o que o senhor disse aqui, no iro se curvar s ordens ou exigncias de Meg, nem 
fazer caladas o trabalho que  dela. Elas a trataro como aquilo que realmente ela  -: nada mais que uma moa de classe inferior que no pode manter as pernas fechadas. 
Meg ficar furiosa com isso.
- Voc nunca se deitou com ela, no ? - disse Diarmot, olhando para Encaroado com alguma surpresa.
- No. Minha me e minha irm falam com freqncia da vagabunda. Sei o quanto ela trata mal as outras mulheres. - Encaroado deu de ombros. - Isso seria como dar 
um tapa na face de minhas parentes. Sim, fraquejo de vez em quanto, e tive um caso com Jenny, mas gostaria que no tivesse acontecido. Ela e Peg seguem Meg. E, bem, 
para dizer a verdade, no posso esquecer que estou colocando meu precioso num vaso muito usado.
Diarmot deu uma gargalhada.
- Creio que eu tentarei no me esquecer disso. Maldito seja por colocar tal imagem em minha cabea.
- Eu ficarei de sobreaviso - disse Connor. - Se ela causar problemas, eu a mandarei embora. Ela pode se prostituir na vila ou mesmo numa choupana no bosque. Agora, 
j que desisti de
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meu banho aqui,  melhor correr para meu quarto ou perderei a chance de tomar um l.
Diarmot cruzou os braos no peito e ficou a observar o irmo que se afastava.
- O que acha, Encaroado?
- No, refiro-me  esposa de meu irmo.
- Acho que  uma boa moa. A pequena Fiona gosta dela.
- Quando a moa est por perto, posso ver um lampejo de vida em Connor, mesmo o luzir de uma risada de vez em quando. Ela  espirituosa, de opinio e muito inteligente. 
E o desafia. Meu tio no gosta dela.
- No, no poderia gostar. Connor a escuta. Sir Neil no  mais o nico que ele ouve.
- E isso tambm  uma boa coisa. Nunca senti a confiana que Connor tem naquele homem. Sempre me pareceu que ele poderia ter nos ajudado mais do que ajudou. Fez 
muito pouco alm de vir de vez em quanto e ento encher nossas cabeas com suas opinies. Seria bom se Gillyanne pudesse fazer Connor enxergar nosso tio com mais 
clareza, porm  mais importante para ele aprender como viver de verdade outra vez. Acho que essa moa poderia conseguir isso.
- Se ele deixar. Existe sempre a chance de que, se ela comear a alcanar aquelas partes que ele enterrou bem enterrado porque precisava sobreviver, ele possa se 
afastar dela.
- Ento, meu amigo, voc e eu teremos de observar para que possamos agir depressa e impedir que isso acontea.
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Captulo VIII

Gillyanne apoiou os braos nas laterais da banheira e fitou os ps que mal chegavam  superfcie da gua. Tinha de aceitar a verdade. Uma mulher no se sentiria 
como ela se sentira ao ver Meg a tocar Connor com tamanha intimidade a menos que seu corao estivesse envolvido. Sentira raiva, tanto de Connor como de Meg, porm 
tambm mgoa. A imagem ainda persistia em sua mente e lhe apertava as entranhas.
Estava se apaixonando por um homem que lhe dava muito pouco de si mesmo. Connor no estava morto para os sentimentos, porm revelava apenas toques de emoo. Um 
brilho de divertimento, a sombra de um sorriso, um lampejo de raiva. Era como se a necessidade de ser forte, de proteger a famlia e o cl tivesse esmagado todas 
as outras emoes, surrado os outros sentimentos at a submisso e ainda os mantivesse cativos. Gillyanne sabia que poderia no sobreviver com apenas sombras, brilhos 
e lampejos de emoo. Ela no esperava que o marido se tornasse um tolo de palavras doces e corao mole, porm precisava de mais do que apenas paixo. Envolvera 
o corao agora e precisava ter uma pequena parcela que fosse do dele.
De repente, bufou de desgosto consigo mesma. No queria uma pequena parte do corao de Connor, queria-o inteiro. Parecia justo
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j que dera tudo a ele. Naquele instante, contudo, ficaria contente com qualquer pequeno sinal de que o estava alcanando, provocando uma rachadura naquela armadura 
que lhe enclausurava as emoes. S uma pequena fenda, uma pela qual pudesse espiar e se esgueirar para dentro at que, um dia, Connor acordasse e percebesse que 
ela estava l, no fundo do corao. E descobrisse que desejava que ela ficasse ali. Isso tomaria tempo, no entanto.
O som da porta do quarto que se abria abruptamente arrancou Gillyanne de seus devaneios. Praguejou baixinho, de surpresa, cruzou os braos sobre os seios e encolheu 
as pernas para esconder a nudez. Seu embarao aliviou-se apenas um pouco quando Connor entrou no quarto. O olhar que ele lhe deu ao fechar a porta a fez mais consciente 
da prpria nudez.
- Ah, timo, no perdi a chance de tomar um banho - disse ele, ao comear a se despir.
- Ainda no tomou?
-No. - Ele jogou de lado a ltima pea e entrou na banheira, quase sorrindo, pois Gillyanne parecia adorvel toda encolhida numa tentativa de guardar alguma modstia. 
- Resolvi que precisava vir e repreender minha esposa.
- Repreender?
- Sim. Uma esposa no deveria ameaar o marido.
- Eu no o ameacei.
- No? Soou como uma ameaa para mim.
Ela no ficou surpresa quando Connor tirou o brao de Gillyanne dos seios e colocou um esfrego em sua mo.
- A no ser naquele pedacinho - ele apontou para um ponto logo abaixo do umbigo, - continuo intocado.
Mesmo que uma voz suave em sua cabea lhe dissesse que era um erro, Gillyanne olhou para o lugar que ele apontava. No entanto, no foi naquele pedao de pele que 
seus olhos se fixaram, mas na prova ereta e dura de que Connor estava interessado em bem mais que um banho. Ela julgou estranho que um pingente que sempre julgara 
ligeiramente engraado pudesse agora fazer seu
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sangue ferver e o pulso disparar. E faz-la sentir-se impelida a toc-lo, pensou, ao estender a mo.
Connor gemeu de prazer quando os longos dedos de Gillyanne se curvaram sobre ele. A carcia o deixou em chamas e a crescente ousadia da esposa o agradou. Por um 
instante ele fechou os olhos e saboreou o toque, ainda hesitante. E no demorou muito para que percebesse que, a menos que pusesse um fim na brincadeira, no tomaria 
banho. Com relutncia, afastou-lhe a mo.
Foi incapaz de reprimir um sorriso ao apontar o esfrego que ela ainda segurava.
- Banho primeiro, depois a diverso. A brincadeira estava me fazendo esquecer disso. - O bom humor que sentia era compreensvel, pois que homem no ficaria alegre 
com um tal olhar caloroso nos olhos da esposa?
Gillyanne libertou-se de um pouco do desejo e comeou a banhar o marido. No era apenas a viso daquele belo corpo que lhe desordenava os pensamentos, porm o jeito 
como ele agia. Dera uma risada e esboara um sorriso. Disse a si mesma que no deixaria que as esperanas alassem vo, que no veria aquele inusitado bom humor 
com outros olhos. Poderia ser uma resposta natural e masculina ao fato de ser banhado por uma mulher nua no conforto do quarto e por saber que, assim que o banho 
acabasse, poderia se deitar com ela. E devia estar envaidecido diante de sua incapacidade em esconder quanto prazer ela extraa ao v-lo.
- Marido - ela gaguejou quando ele empalmou-lhe os seios, a provocar os mamilos com os polegares -, voc disse que precisava de um banho.
- Eu estava lavando voc. - Ele ainda julgava incrvel que pudesse se sentir excitado por aquilo que muitos homens haveriam de considerar uma triste ausncia de 
seios.
- J me banhei.
Resolvendo que seria mais fcil lavar as costas e os cabelos do marido do lado de fora da banheira, Gillyanne livrou-se das mos dele, levantou-se e enrolou uma 
toalha em torno de si.
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- Voc se esqueceu de algumas partes - disse ele e estendeu o brao para pux-la.
Ela se esquivou, postou-se atrs dele e comeou a lhe lavar os cabelos.
Percebendo que lhe acariciava a cabea, um gesto por demais revelador, Gillyanne enxaguou os cabelos do marido e comeou a lhe lavar as costas.
Connor saiu da banheira e comeou a se enxugar. Ento viu o jeito que Gillyanne olhava para seu corpo quando ele enrolou a toalha em torno de si.
- Uma esposa no deveria enxugar o marido depois de deix-lo todo molhado com o banho? - ele perguntou, estendendo-lhe a toalha.
Gillyanne pegou-a e comeou a sec-lo. Comeara a sentir-se mais ousada, recusando-se a permitir que o medo a impedisse de tentar alguma coisa. Assim j descobrira 
umas poucas partes em que Connor adorava ser acariciado. Outras alm daquela bvia, ela pensou, forando-se a ignorar o pendente que parecia lhe atrair a ateno. 
Enquanto o enxugava com gestos caridosos, ela o fitou. Ele tinha os olhos fechados e havia uma sombra de um sorriso naquela bela face.
Quando lhe enxugava as longas pernas, ela se recordou de algo que sua prima Elspeth lhe contara. E Avery concordara com a espantosa revelao de Elspeth. Na ocasio 
ela julgaria uma coisa estranha de se fazer, porm agora, com o pnis de Connor ao alcance de um beijo, no parecia estranho afinal. Resolvendo que uma alma frgil 
no ganharia um lorde ousado, ela soltou a toalha, colocou as mos naqueles quadris estreitos e beijou a prova evidente do desejo do marido por ela. O corpo todo 
de Connor se enrijeceu e em seguida, ele estremeceu. Gillyanne julgou que era um sinal de interesse e lambeu-o.
Connor ficou atnito quando sentiu os lbios macios de Gillyanne a lhe tocar o pnis. Olhou para ela e viu que corria a lngua mida e quente lentamente por todo 
o comprimento do membro.
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Arrepiado e trmulo com a ferocidade do prazer que lhe percorreu o corpo, ele enterrou a mo nos cabelos molhados da esposa e lhe empurrou a cabea para trs. Um 
lampejo de cautela nublou o olhar de desejo na face dela, e ele sentiu uma leve tristeza.
- O que est fazendo?
-Pensei que fosse evidente-Gillyanne resmungou, intrigava ao ver que o brilho da paixo de certa forma contradiziam as linhas severas da boca do marido e o lampejo 
de incerteza naqueles olhos.
- Isso  coisa que esposas fazem com maridos? No  algo prprio de prostitutas? - Das poucas vezes que ouvira falar de tal delcia, uma vagabunda bem paga lhe fizera 
aquele favor.
- Minha prima Elspeth me contou que seu marido gostava e, curiosa como eu sou, perguntei a Avery se acontecia o mesmo com ela. Ela me disse que sim. Nenhuma  prostituta 
e seus maridos ficariam ansiosos para tirar a vida de algum que as chamasse assim. Porm, se quer que eu pare...
- Ah, bem... no. Se for uma coisa que uma esposa pode fazer para um marido, voc pode continuar.
Ela o fitou com um olhar divertido quando o marido lhe soltou a cabea. Connor estremeceu de novo quando Gillyanne o lambeu outra vez. Aquilo parecia mais delicioso 
do que ele poderia suportar, pensou, quando o toque dos lbios e a carcia quente da lngua o fizeram cerrar os punhos de volpia. Quando ela o tomou na quentura 
da boca, ele lutou para manter o controle a que se acostumara durante os anos, mas foi intil. Fio a fio, escapou-lhe at que ele gemeu, caiu de joelhos e empurrou 
Gillyanne de costas. Com mos trmulas, arrancou-lhe a toalha e caiu sobre ela.
Gillyanne ofegou e em seguida riu baixinho quando foi de repente jogada de costas. Era profundamente excitante amar Connor daquele jeito, sentir aquele corpo grande 
e forte tremer em suas mos. Ele se ajeitou sobre ela com tal fervente paixo que dava medo, porm tambm ela se sentia tomada de igual ferocidade. Quando Connor 
se enterrou dentro dela, Gillyanne percebeu que ele perdera todo o controle. Tambm soube que teria uma mancha
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roxa ou mais na pele delicada, porm no se importava. Com as pernas a enla-lo com firmeza, o ltimo pensamento claro de Gillyanne foi de que um homem que pudesse 
se entregar de forma to apaixonada teria de ter outras fortes emoes dentro do peito, e ela pretendia despert-las todas.
Connor continuou esparramado sobre Gillyanne, metade sobre o tapete, metade sobre ela. Sua face comprimia-se contra o lado do pescoo da esposa enquanto ele lutava 
para recuperar o senso. Perdera todo o controle. Isso, em si, era alarmante, ainda mais diante do fato de que despejara toda a loucura apaixonada sobre a frgil 
e delicada esposa. Sob a mo que ele pusera sobre os seios dela ele podia sentir as batidas do corao, perceber que o peito subia e descia com a respirao. Ele 
no a matara. Com um olhar de relance, no viu sinal de lgrimas, ento provavelmente no a magoara. Ela no tentara fugir de modo que ele tinha de presumir que 
no a deixara apavorada quando cara sobre ela como um animal louco e lascivo. Gillyanne, contudo, parecia uma boneca quebrada e no se mexia.
- Gillyanne? - ele chamou, baixinho.
- Humm? - Gillyanne ergueu os dedos preguiosos e correu-os pela coluna de Connor.
Ele no a deixara inconsciente, tambm, pensou com um suspiro sufocado de alvio. Agora teria de dar um jeito de se afastar sem que aquela absoluta falta de controle 
fosse mencionada. Forando o corpo a se mexer, ele lhe deu um leve tapa nas ndegas e levantou-se. Quase sorriu com o olhar enviesado que ela lhe endereou antes 
de apanhar a toalha que jogara de lado e enrolar-se nela.
-  melhor nos apressarmos para descer ao salo ou aqueles idiotas comero toda a comida - disse ele, ao comear a vestir uma roupa limpa.
Quando Gillyanne ficou de p, Connor j estava vestido. Ele a puxou para dentro dos braos para um beijo breve e em seguida
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saiu, dizendo de novo que se apressasse. Gillyanne suspirou e, depois de se lavar rapidamente, comeou a se vestir. Teria de ensinar ao marido que um pouco de ternura, 
um beijo e um abrao, depois de uma relao to apaixonada, poderiam ser muito agradveis.
Ficou surpresa ao encontrar Connor, Diarmot e Encaroado todos de p no patamar da escada quando finalmente ela rumou para o salo.
- Alguma coisa errada? - ela perguntou, ao perceber que os trs irmos a espiavam, atrs de Diarmot.
- Seu primo est aqui - retrucou Connor.
- Oh, que bom - gritou Gillyanne, ao descer correndo os ltimos degraus e rumar para as portas que conduziam ao ptio. - Ele deve ter trazido minhas coisas e algumas 
notcias de casa.
Connor agarrou-a pela mo e puxou-a para o seu lado.
- Ele veio com dois outros homens, bem armados, ao lado.
- Claro que veio. Apenas um tolo viajaria por essas terras sem alguma proteo.
- Ele pode deixar suas coisas nos portes e se afastar.
Gillyanne ficou a imaginar como num momento poderia se sentir desesperada pelo toque daquele homem e, no instante seguinte, querer arrancar-lhe as orelhas.
- Ele aceitou este casamento e veio como um amigo.  provvel que queira ficar uns poucos dias para se assegurar que estou sendo bem tratada.
- Voc est sendo bem tratada. Ele pode aceitar minha palavra quanto a isso.
- Por qu? Ele no sabe quem  voc, nunca ouvira falar de sua pessoa at que voc chegasse chutando os portes de minha fortaleza.
- Nanty, voc, e Angus e Drew, tragam nosso hspede no convidado para dentro. - Connor olhou para Gillyanne. - Os dois homens com sir James podem encher suas barrigas 
e ficar por uma noite, porm partiro ao alvorecer. Seu primo pode ficar
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aqui por algum tempo, se sentir que precisa. - Puxou-a de volta ao salo. - Esperaremos por ele aqui.
- Mas, James deve ter trazido minhas roupas e eu gostaria de trocar este vestido - ela protestou, ao precisar correr para acertar o passo ao dele.
- Voc pode esperar por mais uma noite.
No demorou muito at que um James sorridente entrasse no salo. Gillyanne correu a lhe dar as boas-vindas e a abra-lo. Mas logo o marido a puxou e a fez sentar-se 
ao lado de Fiona.
Connor olhou para James. No conseguia pensar em algo que no gostasse ou no confiasse naquele homem, embora se sentisse relutante em t-lo em Deilcladach. sir 
James Drummond era um belo demnio e muito ntimo de Gillyanne. Aquilo realmente preocupava Connor e ele franziu a testa. Tinha um toque de cime e era algo que 
tambm o deixasse incomodado. Tal emoo poderia ser uma fraqueza e ser usada contra ele.
- Muito gentil de sua parte me convidar para ficar - disse James.
- Voc pode ver que ela est com sade e  bem tratada - retrucou Connor -, portanto no precisa fazer disso uma longa visita.
James riu.
- Oh, sim, acho que ficarei aqui por um tempo. At que tudo esteja acomodado, a moa precisa ter algum parente  mo.
- Est tudo bem agora. Ela  minha esposa. O casamento foi consumado - muitas vezes.
- Porm voc no tem a bno do pai dela.
- Gillyanne tem quase vinte e um anos. No precisa da aprovao do pai. - Franziu a testa quando James deu de ombros. - Ele vir para c?
- Ah, sim, to depressa quanto puder.
- Com um exrcito?
- A princpio, no. Estive em Dublin e assegurei a mame que Gillyanne estava segura. Papai h de querer conversar primeiro.
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Connor concordou, ocultando o alvio.
- Como a filha, o homem no h de querer sangue derramado por isso.
- No pense que ser com voc ou seu povo que ele se irritar. Ele sabe que, em qualquer batalha, no importa se vencida rapidamente, muitos dos seus sero feridos 
ou mortos e, portanto, conduz suas batalhas com muita cautela. Papai  um bom homem, um cavalheiro, normalmente de temperamento afvel, prezando o bom-senso acima 
da fora, e  muito perspicaz. E embora seja controlado, quando irritado, pode ser violento. E nada pode deix-lo mais furioso que um dano feito  sua famlia.
- No machucarei Gillyanne.
- No fisicamente - murmurou James, estudando James. - Voc  um homem duro, sir Connor MacEnroy, duro at os ossos, eu acho.
- Tive de ser - retrucou Connor e imaginou porque sentia a necessidade de defender o seu modo de ser, aquilo que se tornara para manter a segurana do cl.
- Gillyanne  uma mulher doce, de esprito livre, aberta de corao, cheia de vida. Uma alma apaixonada, amorosa, dadivosa. Um homem duro como voc poderia machuc-la 
de muitas maneiras sem erguer uma mo e, o que  uma pena, sem saber que fez isso. Portanto, ficarei por algum tempo at ver que tudo corre bem. Veja, sir Connor, 
pode ter enterrado toda a suavidade dentro de si, porm no permitirei que a asfixie em minha prima.
Connor compreendia as palavras de James. S no tinha certeza se entendia o que ele queria dizer. No era hora de pensar nisso, contudo, e assim ele afastou os pensamentos 
desconfortveis de que poderia mago-la involuntariamente.
- Voc  primo dela, ento por que chama os pais de Gillyanne de pai e me? - perguntou, procurando uma explicao para os laos ntimos entre James e sua esposa.
- Ah, bem, a me dela  minha tia. Sou filho da irm gmea de Lady Bethia. Quando meus pais foram mortos, eu era um beb.
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Sire Eric ficou com minha guarda, concedida pelo rei e ele e minha tia me criaram como um de seus filhos. Assim que tinha idade de compreender, contaram-me toda 
a verdade, porm eram e so meus pais e os filhos meus irmos. A verdade no mudou meus sentimentos. Usamos a palavra primo apenas para explicar por que eu sou um 
Drummond e os outros so Murrays, mas eles so minha nica e verdadeira famlia.
Por um breve instante, Connor sentiu uma pontada de inveja. No houvera ningum assim quando ele e seus irmos se viram sozinhos, sem teto, e enfrentando a misria 
e a inanio. De sbito, ao correr o olhar pela mesa, viu o tio que enchia de novo a caneca de cerveja. At mesmo o nico adulto que continuara vivo pouco fizera 
a no ser aparecer de vez em quando para fazer prelees. Era um pensamento traioeiro, porm, agora que se insinuara em sua conscincia, Connor no conseguiu expuls-lo.
Seguindo a direo do olhar de Connor, James murmurou:
- Voc deveria ficar de olho naquele homem. Ele no gosta de minha prima.
- Aquele homem  meu tio - disse Connor, com um suspiro. - E voc tem razo. Ele no gosta. - Fitou Gillyanne. - Minha esposa tambm no gosta dele.
- Uma coisa de que deveria saber sobre sua esposa  que se ela revelar alguma inquietao acerca de algum, fique atento.
- Ela apenas se aborreceu com algumas coisas que meu tio disse.
- Ento ela mostraria a ele sua lngua afiada, nada mais. Acredite ou no, Gillyanne capta coisas sobre as pessoas que as outras no conseguem sentir.  como se 
pudesse ler dentro de seus coraes. - James sorriu e passou a mo pelos cabelos. -  difcil de explicar porm  como se Gillyanne pudesse ver e sentir o que os 
outros sentem. E agora voc h de pensar que ambos somos loucos.
- No. J ouvi falar de tal habilidade. - Connor sentiu-se de repente quase nu. - Ela pode fazer isso com todos?
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- No. Raramente adivinha o que eu sinto e disse que tentar ler voc  como se arrojar contra uma muralha. Tudo em que insisto , preste ateno em Gillyanne se 
ela tiver dificuldade com algum. E aparentemente ela tem um problema com seu tio. Descubra a razo.
De novo os pensamentos estranhos sobre tio Neil perturbaram Connor. Ele no queria que as opinies da esposa se somassem quela mudana em seus sentimentos para 
com o parente. Iria examinar as prprias ideias atribuladas primeiro e depois, cuidaria das dela.
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Captulo IX

Fora uma das coisas mais difceis que j fizera, mas Gillyanne conseguira afastar-se de sir Neil MacEnroy. No o esbofeteara como gostaria. No retrucara a seu veneno 
verbal, a suas provocaes e insultos, embora as palavras lhe queimassem a lngua. Na verdade ela precisava impor alguma distncia entre si e o tio de Connor e no 
apenas porque receava aborrecer o marido envolvendo-se uma discusso aos gritos com um dos poucos que tinham sobrevivido a uma longa e sangrenta rixa entre cls. 
Gillyanne s poderia rezar para que estivesse enganada acerca da sensao de que ele no era inocente daquela chacina, que de alguma forma havia a mo dele naquela 
rixa sangrenta.
Pegou uma cesta e saiu da fortaleza. Era um puro alvio afastar-se de sir Neil, embora as palavras no ditas lhe pesassem nas entranhas. O homem recendia a amargura 
e raiva. E medo, medo que os segredos sombrios que ocultava dentro de si pudessem escapar. A cada vez que estivera perto dele, o torvelinho daquele esprito em conflito 
a atingia e a puxava para seu atoleiro. E isso a fazia sentir-se doente e agitada.
- Desculpe, estou atrasada - disse Fiona, ao correr e alcanar Gillyanne.
Gillyanne sorriu para a garota.
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- Tem certeza de que  isso que quer?
- Esta  uma lio de como ser uma dama de um castelo que eu julgo que poderia gostar. Conhecer as ervas e seu poder curativo me parece interessante e muito til. 
Ol, Encaroado - exclamou quando o rapaz se aproximou. - Atrasado tambm?
- Acho que no - retrucou Encaroado. - Penso que milady  que est um pouco adiantada.
- Sim, receio que sim. - Gillyanne esboou um sorriso triste. - Temo que estivesse com vontade de bater na cabea de sir Neil com um porrete.
- Meu tio no parece gostar de voc, Gilly, e no compreendo porque - murmurou Fiona, parecendo constrangida. -  como se no quisesse que Connor tivesse se casado, 
o que no faz sentido. Sei que ele no gosta de mulheres. Mal fala comigo e ficou pior desde que comecei a me mostrar mais feminina. - Sacudiu as tranas loiras 
que lhe pendiam pelas costas. - No entanto,  dever de um lorde se casar, e voc trouxe belas terras como dote.
Que tivesse se casado em troca daquelas terras no era algo de que Gillyanne realmente quisesse ser lembrada, porm no disse nada a Fiona. Nem poderia contar  
garota que o tio guardava segredos e que Gillyanne comeava a pensar que Neil tivesse medo de que ela os descobrisse.
- Talvez, como voc diz, ele no goste de mulheres e portanto veja o casamento como uma maldio.
- Sim, acho que  isso. E como seu plano est funcionando? Mostrar suas qualidades de esposa suavizou o trato com Connor afinal?
Gillyanne lanou um olhar de soslaio para Encaroado.
- Faz apenas uma semana, Fiona.
-No se incomode, senhora-disse Encaroado. - A menos que fale em matar o lorde enquanto dorme, eu no contarei nada a ele. - Esfregou o queixo e postou-se ao lado 
de Gillyanne ao entrarem no bosque. - O lorde  um homem duro como rocha e
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tem de ser senhora, e isso nos tem servido bem. No temos muitos homens da idade dele. Muitos rapazes morreram.
-  triste de se pensar. Como voc sobreviveu?
- Eu lutava ao lado de meu pai, com meus dois irmos mais velhos j mortos, quando o velho lorde viu que no poderamos vencer. Mandou que todos com menos de dezoito 
anos fugissem, que era agora nosso dever ajudar e proteger as mulheres e crianas, assegurar que os MacEnroys no se dissipassem na poeira daquele dia negro. Meu 
pai olhou pra mim e me disse para ir, para salvar minha me e minha irm. J ento no havia muitos de ns com vida, porm todos fizemos o que ordenaram.
Ela podia sentir a mesma culpa em Encaroado que adivinhava que Connor nutria.
- Voc s precisa olhar ao redor para saber que foi a deciso correta, a melhor coisa a fazer. Os MacEnroys seriam apenas uma lembrana se no fosse isso. E as mulheres 
e crianas precisavam de vocs.
- A maior parte do tempo sei que isso  verdade. Vez ou outra eu desejaria ter ficado ao lado de meu pai e vingado a morte de meus irmos.
- No os teria vingado. Teria morrido. E pense em seu pai. Viu dois dos filhos mortos e sabia que, se voc ficasse, poderia ver seu menino mais novo morrer tambm.
- Eu tinha dezesseis anos, senhora. Era mais que um menino.
- Ah, Encaroado, suspeito que naquele momento voc era mais menino que homem para seu pai. Ele j vira dois dos filhos mortos e a ideia de que voc poderia se juntar 
a eles era provavelmente um tormento. Voc lhe deu paz quando fugiu. Deu-lhe esperana de que os MacEnroys no se tornariam pouco mais que versos na cano de algum 
trovador. F que sua esposa e a filha teriam algum para ajud-las a sobreviver. E, quem sabe, ele tenha pensado em sua me tambm, de como iria lhe despedaar o 
corao ter de enterrar todos os filhos, e assim o mandou de volta para ela. No, seu dever naquele dia era sobreviver, ajudar sua
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me e sua irm, ajud-las a reconstruir um lar e um cl ao qual pertencer. - Ele a fitava to intensamente que Gillyanne pestanejou e desviou o olhar.-Algumas vezes 
 mais difcil ficar vivo. Depois de um longo instante de silncio, Encaroado murmurou:
- A senhora tem razo. Nunca pensei muito nisso. Agora, penso que era realmente nosso dever e no temos nada do que nos envergonhar.
- Nenhum adulto sobreviveu?
- No os MacEnroys que lutavam na fortaleza. Apenas alguns camponeses e lavradores que ficaram escondidos. Meninos, crianas, mulheres e uns poucos homens de idade 
ou incapazes que no podiam lutar. Deve notar quantas mulheres no tem maridos.
- Sim, h uma poro de vivas.
-Algumas voltaram para suas famlias. As que tinham nascido e se criado aqui no tinham para onde ir.
- E todas procuraram por Connor.
-Ele tinha apenas quinze anos.  por isso que  to endurecido. Antes, ele costumava ser um rapaz espirituoso e pronto para rir. Aquele rapaz no pode ser jamais 
ressuscitado, porm existem aqueles de ns que pensam que seria melhor se soltasse um pouco as cadeias em que prendeu a alma.
- Sim, seria. S temos de esperar que essas cadeias no tenham aprisionado aquele rapaz de esprito livre at a morte.-Gillyanne meneou a cabea. -- Chega dessa 
conversa sombria. Fiona,  hora de aprender sobre ervas e as propriedades de cura. Minha tia Mal-die e sua filha Elspeth so conhecidas por suas habilidades de cura. 
Todas as mulheres do cl Murray treinam com elas. Algumas so melhores que as outras.
- Talvez voc devesse fazer uma poo do amor para Connor - exclamou Fiona.
- Isso no existe.
- Ora, claro que existe.  uma das coisas que as moas procuram com mulheres sbias.
- E desperdiam o dinheiro que seria mais bem aproveitado
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em outra coisa. As poucas receitas de poes de amor que vi so mais capazes de matar um pobre homem. E se existe, quantas vezes deveriam ser ministradas? Uma vez 
ao dia, uma por semana ou por ms? Acho que a criatura mais tola logo iria se perguntar porque sua mulher o faria beber tantas poes. Voc tambm tem de ter muito 
cuidado ao fazer isso.
- Ah, porque ele poderia ver outra moa e se apaixonar por ela. Teria de ser num lugar isolado ento. Como aqui.
- Poderia servir, mas poderia dar tudo errado. Ele poderia beber a poo e, ao terminar, no olhar direto para voc em primeiro lugar. Poderia olhar para a esquerda 
ou  direita e a prxima coisa que voc saberia  a de que ele estava propondo casamento a uma salamandra.
Assim que pararam de rir, Gillyanne comeou a ensinar Fiona sobre ervas, plantas e a arte da cura. Fora interessante ter uma tal conversa sria com Encaroado. A 
cada dia ela sabia mais sobre os MacEnroys, acerca da tragdia que os cercara. E sobre Connor. Infelizmente, pouco desse conhecimento vinha do prprio Connor. Sua 
vida de esposa resumia-se ao relacionamento carnal. Que os banhos levassem a isso no era surpresa, j que os dois estavam nus. O que a surpreendera fora quando 
lhe levara algo de beber e comer, quando estava fora, nos campos, dois dias atrs, e ele a possura atrs de uma sebe. Connor parecia pensar que as vrias tentativas 
de Gillyanne de lhe oferecer o conforto de uma esposa eram um convite para fazer sexo.
No que fosse uma coisa ruim, ela pensou, saboreando as lembranas picantes. A paixo poderia ajud-la a penetrar no corao do marido. Ainda partilhavam pouco mais 
que isso, contudo, mesmo depois de uma quinzena de casados. Ela poderia jurar que ele se assustara com aquele breve instante de bom humor e o selvagem ato sexual 
depois do primeiro banho, pois se tornara to distante quanto possvel por dois dias inteiros, depois disso. Felizmente se acalmara; porm, se ele fosse recuar trs 
passos para cada um que avanasse, ela jamais o alcanaria.
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Fiona reclamou-lhe a ateno e Gillyanne se alegrou com isso. Tinha tempo para refletir sobre o casamento numa outra hora. Assim que teve certeza de que Fiona reconheceria 
o tipo de musgo que queria, Gillyanne permitiu que a jovem se afastasse para procurar por mais.
Ao ver uma planta particularmente rara que tinha muitos usos, Gillyanne apressou-se a colh-la. E se viu com as saias presas nos espinhos das saras. Enquanto praguejava 
baixinho, Encaroado, com ar de riso, veio ajud-la. Assim que ele soltou o ltimo pano das saias, Gillyanne viu algo se mover atrs do rapaz. Abriu a boca para 
gritar, mas j era tarde. Um homem barbudo desferiu um golpe com o cabo da espada na cabea de Encaroado, e este caiu inconsciente.
- Voc! - Gillyanne arquejou, enquanto diversos outros homens surgiam por entre o mato e um, bonito e alto, se aproximava.
Sir Robert curvou-se ligeiramente.
- Sim, eu. Podemos ir, senhora?
Por um breve instante, Gillyanne pensou em gritar por ajuda. Isso atrairia Fiona para uma armadilha. Cogitou em seguida em lutar, tentar fugir e olhou para a meia 
dzia de homens que cercavam sir Robert. No ganharia nada, a no ser arranhes. E o barulho iria fazer Fiona aparecer. Praguejando, Gillyanne ergueu as mos e deixou 
que sir Robert a levasse.
Ao retornar com uma braada de musgo, Fiona ouvira o tilintar de arreios de vrios cavalos e o instinto a fizera se esconder. As habilidades duramente aprendidas 
a ajudaram a se aproximar sem ser vista para se deparar com Encaroado atingido por um golpe e Gilly a ser seqestrada.
A questo agora era o que fazer a seguir. Controlou o impulso de correr atrs de Gillyanne. No poderia ajud-la. Seu prximo pensamento foi correr para Deilcladach 
e contar a Connor o que acontecera. Ento, olhou para Encaroado. No poderia deixar o rapaz sozinho e ferido. Inconsciente, o pobre Encaroado no
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tinha como se proteger de algum perigo, fosse humano ou animal. Com toda a cautela, Fiona saiu de seu esconderijo e foi ajudar Encaroado.
Depois de livr-los dos espinhos da sara e vir-lo de costas, examinou-o por um momento. No seria fcil lev-lo de volta a Deilcladach. Fiona tirou o manto, estendeu-o 
no cho e rolou o corpo inanimado para dentro. Era uma pobre liteira, mas teria de servir, ela resolveu, ao agarrar uma ponta e comear a puxar. Dera apenas alguns 
poucos passos quando comeou a rezar para encontrar logo algum. Encaroado era a pessoa mais magra que j conhecera, mas Fiona julgou que os ossos do rapaz pareciam 
de chumbo.
No conseguia puxar o desacordado por mais um centmetro quando Colin, o guardador de porcos, e seu filho apareceram empurrando uma carroa cheia de lenha. Correram 
para ajud-la. Esvaziaram a carroa e colocaram Encaroado dentro dela. Fiona rumou para Deilcladach. E enquanto corria, rezava para que Connor estivesse por perto, 
para que Gillyanne estivesse bem, e mais ainda, com fervor, para que no comeassem as rixas sangrentas outra vez.
Connor viu Fiona entrar numa corrida pelo ptio.
-Gillyanne...-ela arquejou, mas teve de parar para recuperar o flego.
-Calma, menina-disse Connor, envolvendo-a pelos ombros e sentindo que ela tremia. - Isso, devagar, respire fundo. - Andrew chegou com um trapo molhado e limpou as 
faces e as mos de Fiona. - Acalme-se.
Enquanto esperava que a irm se recuperasse, Connor lutava para acalmar a si mesmo. Fiona sara com Gillyanne para aprender como colher plantas medicinais. Encaroado 
fora escolhido para acompanh-las. Era evidente que algo acontecera tanto a Gillyanne como a Encaroado.
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-Onde est Encaroado?-perguntou, obrigando-se a resistir ao impulso de saber de Gillyanne.
- Colin e seu filho o esto trazendo na carroa - respondeu Fiona.-Ele foi golpeado na cabea. Tentei-o arrast-lo para casa, porm  mais pesado do que parece.
- Voc viu o que aconteceu?
- No tudo. Eu fora recolher musgo e voltava quando ouvi rudo de cavalos. Escondi-me e me esgueirei at o mais perto que pude. Parecia que Encaroado ajudava Gillyanne 
a se livrar de alguns espinhos quando caram sobre ele e o desacordaram. Talvez tenha sido melhor pois, se lutasse, poderia estar muito ferido ou morto.
- Quem fez isso, Fiona?
- Homens do cl Dalglish. sir Robert em pessoa estava l. Aquilo pegou Connor de surpresa. Embora esperasse problemas com sir David, no considerara sir Robert uma 
ameaa.
- E Gillyanne foi com eles? Fiona concordou.
- Ela no queria. Ficou parada, encarando o idiota com fria. Ento praguejou e deixou que a levassem. Acho que ela ficou com medo que eu fosse atrada pelo barulho 
e no quis que isso acontecesse.
- Por que a levariam? - perguntou Diarmot, com ar confuso.
- Ela est casada com voc, Connor. As terras so suas agora. Tudo estava certo e acordado quando samos de Ald-dabhach. Quem ganhar a moa fica com as terras e 
pronto. O casamento foi consumado. Ento, o que pode aquele idiota ganhar?
- Na verdade o casamento pode ser anulado - disse James.
- Ela foi coagida.
- Ela disse "sim" - retrucou Connor, porm um n de desconforto lhe apertou o peito.
- S depois de trs ataques e a ameaa de um quarto. Connor tornou-se de sbito consciente do fato de que muitas mulheres julgavam Robert atraente, apreciavam sua 
corte.
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- Ento ele pretende seduzir minha esposa para que me deixe e se case com ele.
- Talvez pea resgate por ela - disse Diarmot. - Para conseguir pelo menos uma parte da terra que ele perdeu quando Gillyanne escolheu voc, Connor.
- Talvez ele leve a moa para cama julgando que voc no vai quer-la de volta - disse Neil, ao se aproximar. - Depois ir conquist-la e tomar todas aquelas terras. 
Voc no pode aceitar este insulto, rapaz. Isso dar incio a uma nova rixa e tudo por culpa daquela tola.
- Mais uma palavra, velho, e eu calarei essa sua boca funesta com um soco - esbravejou James, antes de lanar um olhar raivoso sobre Connor.-Ele no poder seduzi-la. 
Um homem capaz de raptar uma moa? No. Nenhum homem consegue seduzir uma Murray a menos que ela queira ser seduzida.
- Ele tem habilidade e as moas o julgam bonito.
- E Gillyanne se considera uma mulher casada.
- Como se isso atrapalhasse uma moa - resmungou Neil, e ento encarou Connor. - Est to desejoso por aquela terra que tomar de volta uma esposa coberta de vergonha?
Connor impediu que James avanasse sobre Neil e em seguida olhou para o tio com o cenho fechado.
- No tenho nenhuma razo para falar mal de Gillyanne embora o senhor tenha resolvido fazer isso desde que aqui chegou. Guarde suas palavras, tio, pois esta  a 
ltima vez que impeo este rapaz de tirar satisfaes.-Neil o fitou, chocado e com raiva. - E a menos que haja mais coisas, alm de Robert tentar roubar um prmio 
que ele perdeu de modo justo e combinado, no haver nenhuma rixa.
- E se ele a machucar? - perguntou James.
- Ento ser uma questo entre ns dois - ele e eu. Vingana numa luta justa. Se ele a seduzir...
James quase sorriu diante do lampejo de dvida e incerteza na face de Connor.
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- Gillyanne considera-se sua esposa, ligada por votos pronunciados diante de Deus. Ela no os quebrar. E no existe palavra doce ou gesto sedutor que ele possa 
tentar, pois ela o rejeitar, no reconhecer um elogio falso. Existem muitos belos rapazes em nossa famlia, alguns bem versados em seduzir as mulheres. Gillyanne 
conhece cada truque e mentira que um homem pode tentar. Se ela tivesse algum interesse por aquele homem, ela o teria escolhido, no teria?
Connor julgou aquele lembrete profundamente reconfortante, o que o preocupou um pouco. Isso indicava que poderia sentir algo bem maior por Gillyanne do que possessividade 
ou uma compreensvel preocupao de marido. Tambm sugeria que ele estava perdendo a batalha de se manter afastado dela a alguma distncia, de pensar nela apenas 
como a esposa, a mulher que lhe daria herdeiros e que cuidaria do lar. Tal fraqueza crescente explicava porque, a despeito da conversa sobre negociao e evitar 
a ressurreio de novas disputas sangrentas, ele ansiava por devastar as terras de Robert e cortar aquele homem em pedacinhos.
- Vamos parar de falar e ir atrs dela - exclamou Fiona.
- Voc ficar aqui - ordenou Connor.
- Mas...
- No. Voc e Drew ficaro aqui. - Connor ignorou os protestos de Drew. - Sabem que eu nunca levo todos juntos ao mesmo tempo.
Todos se calaram com a chegada de Encaroado. Estava desperto e agradecia a Colin e ao filho. Porm, estava muito plido. Connor ajudou-o a sentar-se na carroa.
- No vi nada - comeou Encaroado, a voz rouca de dor.
- Fiona viu. sir Robert raptou Gillyanne-contou-lhe Connor.
- Iremos atrs dela agora?
- Alguns de ns. Voc ficar aqui. Seria bom t-lo a meu lado porm creio que levar algum tempo at que possa montar um cavalo.
- Sim. O que aquele idiota pode estar pensando?
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- No sabemos. Parece que  um jeito de pr um fim a meu casamento. Coero pode ser motivo de anulao-explicou Connor, diante do olhar de surpresa do amigo. - 
Se Robert puder convenc-la, ela pode voltar-se para o lado dele e pedir ao pai que desfaa o casamento comigo.
Joan e Mairi chegaram para cuidar de Encaroado. James, Diar-mot, Nanty e Angus se juntaram,  espera do comando para partirem. Connor montou o cavalo que lhe traziam 
e fez um gesto para que o seguissem. E percebeu que seu tio no fazia meno de se reunir a eles, indo simplesmente se postar ao lado de Meg, os dois com o mesmo 
olhar furioso.
- Qual  seu plano, meu lorde? - perguntou Encaroado, parando ao lado da montaria de Connor quando Joan e Mairi o ajudavam a caminhar.
- Ora, irei fazer uma visita a sir Robert Dalglish - retrucou Connor.
Encaroado revirou os olhos.
- Quer dizer que pretende bater-lhe aos portes e dizer; Por favor, senhor, posso ter minha esposa de volta?
Connor esboou um lento sorriso.
- Sim, algo assim-retrucou, ao incitar o cavalo a um galope.
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Captulo X

Gillyanne correu os olhos pelo salo. Era bem maior que o de Connor, com belas tapearias, cadeiras e candelabros. O homem gastava mais com seu prprio conforto 
do que Connor gastava.
A crescente nota de irritao na voz de Robert indicou a Gillyanne que poderia ser hora de parar de ignor-lo. A despeito de todos os esforos dele para elogi-la 
e cortej-la, ela no lhe dirigira a palavra uma s vez desde que fora capturada. E podia quase sentir o cheiro da raiva dentro dele. Os homens realmente detestavam 
quando uma mulher os ignorava, pensou, ao enderear a Robert um olhar glacial quando ele lhe encheu de novo a taa de vinho.
- Voc  um tolo - disse, e tomou um gole do vinho enquanto ele a encarava com surpresa logo substituda por uma fria rapidamente oculta.
- Ah, sim? Um tolo saberia que voc pode pr um fim a seu casamento com Connor? - ele perguntou.
- Talvez. Que interesse isso poderia ter para voc?
- Voc pode mudar de ideia, alterar a escolha que fez.
- Oh? Acha que eu me livraria de Connor e depois penderia para voc? So para isso todos esses elogios inspidos e os gestos sedutores? Para tentar me seduzir e 
me afastar de Connor?
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- Connor pode ser um excelente lorde e um guerreiro, porm duvido que seja um marido muito bom. O homem no sente nada.  duro e frio. Seu nico interesse  o cl, 
torn-lo e mant-lo forte.
Aquele sujeito tinha cime de Connor, Gillyanne percebeu. Ao estud-lo melhor, percebeu outra emoo mais negra dentro dele. Ele tentava cortej-la, porm no a 
queria. No, se ela sentira certo, Robert estava revoltado com o pensamento de se apossar dos restos de Connor. A sensao era to forte que era como se ele a gritasse 
a plenos pulmes.
- Connor pode ser tudo que voc disse, porm  melhor um homem duro e frio que um cujo estmago se revolta ao pensamento de desposar e se deitar com uma moa com 
que Connor se deitou antes - disse Gillyanne, e pela maneira com que ele empalideceu, percebeu que havia acertado.
- Ser como se voc fosse viva - ele resmungou e tomou um longo gole de vinho.
- Eu logo seria uma se me casasse com voc. 
- No, Connor se empenha para que impeamos- as velhas disputas de renascerem.
- Tambm  um homem muito possessivo. Como voc disse, ele vive para o cl. Como sua esposa, sou agora desse cl e voc me colocou numa situao aflitiva.
- Eu no a machuquei.
- No. Mas feriu Encaroado. Isso pode aborrecer Connor um bocado. E certamente aborrecer minha gente e todos os seus aliados. Deixe-me ver, por esse ato de cega 
cobia, voc poderia se defrontar com Connor, com os MacMillans, os Armstrongs de Aigballa, sir Cameron MacAlpin e seu cl, os Drummonds e os Kircaldys. Talvez uns 
poucos outros, se necessrio, pois tenho uma famlia numerosa.
- Maldio, mulher, eu lhe ofereo casamento e no desonra ou dano. Isso no  motivo para guerra.
Gillyanne deu de ombros.
- Se eu quiser tornar a ser senhora de minhas prprias terras,
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livre de maridos que no queria, isso seria um problema. Minha famlia no fica contente quando uma de suas moas  obrigada a fazer o que no deseja.  tradio 
permitir que escolhamos nossos prprios parceiros, voc sabe.
- Ningum deixa a escolha nas mos de uma moa.
- Meu cl deixa.
- Voc no ama Connor nem o teria escolhido sob outras circunstncias. O homem a ignora a maior parte do tempo e anda com prostitutas na fortaleza. O prprio tio 
dele a insulta e Connor no faz nada para defend-la. Voc trabalha duro para tornar aquele castelo rstico um lugar mais civilizado e ele nem nota ou agradece. 
 isso realmente o que quer? Voc merece bem mais. Eu pode lhe dar mais.
Era de espantar ouvir seu casamento ser descrito assim, principalmente quando muito do que Robert dizia era verdade. Pondo de lado a mgoa e a tristeza que aquelas 
palavras despertavam, Gillyanne concentrou-se num fato: Robert sabia demais a respeito do que se passava por trs das muralhas de Deilcladach. Era evidente que tinha 
um espio dentro da casa de Connor.
- Como sabe tanto assim? - perguntou.
Robert ia responder porm sua ateno desviou-se para batidas sonoras que ecoavam pelo salo.
- Em nome de Deus, o que  isso?
- Meu senhor - gritou um homem, ao entrar correndo no salo -, so os MacEnroys!
Robert praguejou ao correr os dedos pelos cabelos.
- E vocs deixam que batam em nossos portes?
- Mas... no lutamos contra os MacEnroys. Quer que comecemos agora?
Por um momento eletrizante, Robert nada disse. Gillyanne receou que ele pudesse escolher a batalha. Ela e suas terras teriam reacendido uma rixa mortal. Era um pensamento 
apavorante e no entanto ela no sabia o que dizer ou fazer para impedir isso. Pelo
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que pudera ver, os Dalglish no tinham sofrido tanto com a guerra e Robert poderia no querer manter a paz.
- No, no lutaremos - esbravejou Robert, a frustrao e a raiva claramente impressas na voz. - Deixe o idiota entrar antes que destrua nossos portes. - Encarou 
Gillyanne quando o homem se afastou. - No creio que voc v mudar de ideia.
- Desistir de um marido indesejado por outro? No, acho que no.
- Comeo a pensar que Connor a merece.
- Obrigada.
- No  um elogio.
- No? Perdo. Engano meu. Ah, creio que ouvi o ressoar das botas de meu marido.
Robert a fitava como se ela fosse a mais estranha das criaturas que j conhecera e uma que ele gostaria muito de estrangular. Mas a entrada repentina e impressionante 
de Connor no salo o afastou daquele pensamento.
- Saudaes, meu marido - ela disse, endereando-lhe um ligeiro sorriso e em seguida cumprimentou Diarmot, James, Angus e Nanty, todos postados atrs dele.
- Minha esposa - disse Connor, examinando-a atentamente antes de voltar a ateno para Robert.
Connor estava aliviado em ver que Gillyanne parecia bem. Imaginou, contudo, porque ainda se sentia fortemente inclinado a espetar sir Robert na ponta da espada. 
Possessividade, disse a si mesmo. m simples, descomplicado e masculino senso de posse. Gillyanne era sua e nenhum homem tomaria o que era seu. Provavelmente se 
sentisse assim se Robert lhe tivesse roubado o cavalo. Ou quase assim. A fria que o consumia se abrandou um pouco e ele conseguiu enxergar o rival mais claramente.
- No vai lutar para conservar o que roubou? - perguntou a Robert.
- Vai batalhar para t-la de volta? - retrucou Robert, em vez de responder diretamente.
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- Ela  minha esposa.
Gillyanne quase pestanejou e ento disse a si mesma que era uma tola por se sentir atingida por aquela demonstrao de possessividade.
- Eu poderia pedir um resgate por ela - murmurou Robert.
- E eu poderia desafi-lo, lutar com voc e deix-lo a sangrar no cho.
- Talvez. Mas isso poderia iniciar uma disputa sangrenta novamente.
- No, pois seria uma batalha de honra entre dois cavaleiros. Um desafio feito, um desafio aceito. O que o levou a fazer isso? Todos concordamos em aceitar a escolha 
de Gillyanne.
- Ela poderia ter mudado de ideia e eu achei que estava pronta para isso.
- Por qu?
Robert deu de ombros e tomou um gole de vinho.
- Rumores.
- Mais que rumores - disse Gillyanne. - Este homem sabe muito, Connor. Tem olhos e ouvidos dentro de Deilcladach.
- Quem  seu espio, Robert?
- No coloquei nenhum espio em Deilcladach - retrucou Robert.
- Ento quem resolveu se tornar um?
- Isso realmente importa?
- Meg - Gillyanne murmurou e ouviu Diarmot, James, Angus e Nanty lhe fazerem eco.
Connor concordou com os companheiros, mas continuou a encarar Robert.
- Voc no julgou que ao roubar minha esposa e tentar ficar com as terras de dote iria prejudicar a mim e ao meu cl?
- Perdo - Gillyanne, encarando o marido. - Ele apenas me raptou. No vejo Ald-dabhach amarrada s minhas costas, voc v? Ele me pegou. Apenas a mim.
- Estou ciente disso - Connor resmungou e tentou esconder
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o lampejo de riso ao olhar para a face zangada da esposa.-Talvez voc deva sair e esperar junto aos cavalos. Meus companheiros podem lev-la. Ento Robert e eu poderemos 
conversar de homem para homem sem preocupaes que nossas palavras possam magoar seus ternos sentimentos.
Gillyanne respirou fundo para responder, mas James e Diarmot a agarraram pelos braos. Levaram-na com pressa para fora do salo, com Nanty e Angus logo atrs. Ela 
se ressentiu por ser tratada como uma criana problemtica mas resolveu que seria melhor no ouvir nem mais uma palavra sobre aquelas terras malditas. Isso s a 
aborreceria mais.
- Lidou muito bem com a situao - disse Robert, assim que ficaram a ss, sem esconder o sarcasmo.
- Como eu lido com minha esposa no  da sua conta - retrucou Connor, com frieza. - Nada do que ocorre dentro de meu castelo . Voc deixou que uma cadela ciumenta 
o conduzisse para perto do desastre.
- Ento, teria lutado por ela, no teria?
- Ela  minha esposa, uma MacEnroy agora!
- E voc precisa daquelas terras.
- Sim, isso no  segredo. A abundncia de l dar uma salvaguarda a meu cl contra a fome. E Gillyanne me dar herdeiros, pode mesmo agora estar carregando meu 
filho. - Percebeu que Robert sorria disfaradamente. - No creio que voc gostaria de ter meu filhote em seu ninho.
- Eu teria esperado para me casar com ela at ter certeza de que no estava grvida.
Connor avanou para Robert e apontou a espada para a garganta do rival. Os olhos de Robert se arregalaram e Connor percebeu que ele se maldizia por no ter mandado 
um de seus homens ficar a postos.
- Voc a tocou?
- No. Na verdade, ela s agora comeara a falar comigo. E apenas para me ameaar com voc e todos os parentes.
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Connor reprimiu um sorriso ao embainhar a espada. Sua mulher tinha a lngua afiada.
- Terei problemas com sir David a seguir? - perguntou.
- No, no contei a ele o que eu soube e no vejo razo para isso agora. Pode ser tudo verdade, porm no se mostrou til. Alm disso, David no a quer. Ela feriu-lhe 
o orgulho.
- Voc tambm no a quer, no ? Robert sorriu.
- Eu prefiro uma esposa mais dcil.
- Bem, quando resolver que seja hora de conquistar a sua, sugiro que evite qualquer uma da famlia Murray. E tambm sugiro que seja mais prudente com aquilo que 
ouve. Uma amante dispensada jogar seu prprio jogo sem pensar nas conseqncias para voc.
- Ento, voc dispensou sua amante para agradar sua esposa. Eu deveria ter levado isso em considerao. Contudo, o que ela disse tinha um toque de verdade, diante 
do homem que voc  e tudo o mais.
Aquilo espicaou a curiosidade de Connor, porm ele resistiu ao impulso de exigir que Robert se explicasse.
- Se aquela cobra venenosa vier sibilar em seus ouvidos, eu no prestaria ateno. Ela no ir privar mais de nada que acontea dentro de minhas muralhas.
- Ah, ento a amante desdenhada s ser escorraada.
- Voc faria o mesmo.
- Na verdade, eu seria bem mais duro em minha punio. E j que foi to gentil em me dar um conselho - resmungou Robert -, permita-me retribuir o favor. Existe mais 
de uma cobra em seu ninho, meu senhor.
- Quem? - Connor ficou tenso.
- No, no lhe darei um nome. No tenho provas e no farei acusaes sem isso. No so seus irmos nem sua esposa nem aquele idiota do Encaroado. Afinal, como est 
ele?
- Praguejando contra voc a cada latejar da cabea. - Numa
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tentativa de acalmar-se e sufocar o impulso de arrancar um nome de Robert, Connor contou como Fiona levara Encaroado de volta, roubando o tempo que Robert esperava 
para conquistar Gillyanne.
- A menina  uma MacEnroy at os ossos. No  ela tambm a serpente de que falei.
-  bom saber disso. Porm seria melhor saber quem .
- Ter de descobrir sem minha ajuda. No acusarei algum de traio sem prova. Cuide-se, pois toda cobra se expe eventualmente ao sol.
Connor concordou e saiu para levar a esposa para casa. Sentia-se um pouco tolo e era uma sensao desconfortvel. A despeito de tudo, ficara surpreso com a traio 
de Meg. Ignorara as atitudes ousadas da mulher e a maneira com que Meg tentara tornar as coisas difceis para Gillyanne, e no imaginara como iria longe na tentativa 
de se livrar da rival.
Quando a dispensara e ordenara que fizesse sua parte do trabalho, ele lhe tirara o poder, a deixara reduzida ao que era, uma prostituta. Deveria ter lhe ocorrido 
que ela faria algum pagar por isso, que veria Gillyanne como uma inimiga e tentaria se livrar dela. Connor prometeu a si mesmo que comearia a prestar mais ateno 
ao que as mulheres de Deilcladach faziam ou diziam.
Primeiro, porm, pensou com um suspiro, ao ver como a esposa o encarava, teria de escutar algumas coisas que a esposa haveria de lhe dizer. Colocou-a na sela e montou 
atrs. Ela poderia no saber disso, mas se um resgate fosse pedido, ele teria usado uma parte, se no o todo das terras dela para libert-la. J que uma tal confisso 
iria se tingir de algum dos sentimentos contra os quais lutava, Connor resolveu que a guardaria para si. No queria revelar fraqueza.
- Bem, suas belas terras esto seguras agora - Gillyanne resmungou e ento se maldisse por deixar clara sua mgoa.
- Sim - ele retrucou, calmamente. - E tudo a tempo de voc me dar meu banho. Voc poderia se lavar tambm - Fingiu cheirar-lhe os cabelos.
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Ela o socou na coxa, mas percebeu que o suave gemido era de surpresa, no de dor. Ela duvidava que pudesse machucar aquele tronco musculoso que Connor chamava de 
perna. Sabia que ele a provocava, caoava dela de propsito. Era tolice no aceitar uma simples provocao. E que deveria estar contente de que ele estivesse disposto 
a brincar.
- Tomarei um banho quando voc escorraar Meg na ponta das botas para longe de Deilcladach - ela exclamou. - Ela o traiu, disse a sir Robert o que se passa dentro 
de seu castelo e, eu suspeito, onde e quando eu estaria fora das muralhas.
Embora Robert no tivesse dito, Connor deduzira isso por si prprio. No havia como negar que Meg queria que Gillyanne fosse embora de Deilcladach. Poderia se considerar 
um sujeito de sorte por Meg ter procurado um aliado e no um inimigo.
-Pensei apenas em avis-la para no tentar tais jogos de novo. Meg provavelmente no pensou que eu iria descobrir sua participao nisso tudo.
-  provvel que no. Na verdade, suspeito que se a repreender, ela agir toda contrita, e pedir perdo enquanto chora rios de lgrimas. E ir jurar pela me morta 
que nunca mais far isso. Mentira. Assim que sentir que voc foi enganado por essa atitude penitente, tentar outra coisa. J foi ruim voc a obrigar a ser o que 
realmente ela , uma simples criada e uma vagabunda. Voc dever pagar por esse insulto e, j que aconteceu depois que me casei com voc, Meg me julga a causa disso. 
Est furiosa comigo e me odeia.
- E no  o cime que a faz dizer isso? Nem a vontade de ver minha antiga amante longe de suas vistas?
- Claro que eu gostaria de v-la longe, ela e as duas amigas prostitutas. Meg  mais que um espinho em minha vida, contudo, e voc sabe disso. Se no for punida 
por essa traio, pensar que  livre para tentar de novo. E tentar. Quer se vingar. No tenho certeza de que voc corre algum perigo, porm creio que eu possa 
correr, e maldigo a mim mesma por no ter percebido isso.
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- Ela ir embora. Eu estava apenas curioso para saber porque voc achava que ela precisava ser expulsa.
Gillyanne praguejou involuntariamente. Esperava no ter revelado o cime profundo que sentia por Meg e, em menor grau, pelas outras duas mulheres com que Connor 
se deitara. O sujeito j era muito arrogante. Certamente no precisava achar que tinha o corao da esposa na palma da mo, o que, para aflio de Gillyanne, ela 
suspeitava que j tivesse. At que notasse algum sinal da parte dele de que lhe despertava mais que apenas a luxria e o senso de posse, ela pretendia guardar para 
si os prprios sentimentos. Se o casamento fracassasse, ela ficaria magoada, porm se recusava a ser humilhada.
No momento em que cruzaram os portes de Deilcladach, Gillyanne sentiu que Connor ficava tenso. Estava se preparando para ser o senhor severo, ela se deu conta. 
Qualquer pequeno toque de suavidade que pudesse extrair dele, tal como quando estavam sozinhos, se desvanecia quando ele tinha de encarar o cl como o lorde. Embora 
pudesse compreender, aquilo tinha o sabor de derrota. Afinal, no poderia separ-lo do cl, no poderia impedi-lo de ser o lorde. Tudo que poderia esperar era que 
pudesse ensin-lo a ser tanto um marido amoroso como um senhor forte e respeitado. No seria fcil.
Ele desmontou e ajudou-a a descer.
- Veja que providenciem nosso banho, mulher. Gillyanne correu para o castelo, parando apenas para saber de Encaroado e Fiona antes de ir preparar o banho de Connor. 
Era uma oportunidade que tinha de lhe oferecer conforto e calma depois de um dia extenuante. Tinha certeza de que era uma daquelas coisas que faziam um homem apreciar 
uma esposa. Embora ansiasse por afeio, resolveu que poderia encontrar satisfao na apreciao de Connor. Afinal, pelo menos era um pequeno passo, um na direo 
correta.
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Captulo XI

Connor sorriu ao entrar no quarto e surpreender Gillyanne nua, ao lado da banheira. Ela soltou um gritinho de susto e entrou na gua. Ao comear a se despir, ele 
se deu conta, de sbito, do quanto apreciava aqueles banhos, na verdade ansiava por eles ao fim do dia. Depois de encarar a possibilidade de perder a esposa para 
Robert e se defrontar com uma traio dentro do prprio cl, sentia-se especialmente ansioso por isso. Havia um perigo por trs daquela ansiedade, porm, naquele 
instante, ele resolveu ignor-lo. Os berros de fria de Meg ainda lhe retiniam aos ouvidos e ele queria substitui-los pelos gemidos de paixo de Gillyanne. Ou, de 
preferncia, pelos gritos de prazer, ele pensou, e sorriu de novo ao entrar na banheira.
- Do que est rindo? - perguntou Gillyanne.
-Eu estava pensando em ficar surdo com seus gritos de paixo ele resmungou, quando ela comeou a lhe esfregar os ps.
- Est me dizendo que fao escndalo? - ela no tinha certeza se deveria se sentir insultada ou apenas constrangida diante da ideia.
Quase pe abaixo as muralhas que nos rodeiam.
Existem algumas coisas que os homens no deveriam dizer as esposas. - Gillyanne esfregou-lhe os braos. - Ele deveria considerar a possibilidade de constranger a 
pobre e modesta esposa
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to profundamente que ela no ousar nem respirar nem exalar o mais suave dos suspiros, a despeito dos melhores esforos da parte dele.
- Uma observao reveladora, mulher - ele murmurou.
- Penso que sim. - Ela lavou-lhe os cabelos com cuidado e depois comeou a lhe esfregar as costas.
Connor tirou o esfrego da mo de Gillyanne.
- Claro, alguns homens poderiam ver isso como um desafio.
- Oh, puxa!
Gillyanne olhou para o teto, feliz com o peso do corpo do marido sobre o seu, e decidiu que ele tinha uma habilidade impressionante com um esfrego. Ela s esperava 
que os lenis secassem antes que fosse hora de dormir. E tinha de confessar a si mesma, com alguma tristeza, que se mostrara um pequeno desafio para Connor. Ela 
no tinha certeza de quanto barulho fizera, mas supunha que fora bem alto, o que provavelmente deixara gratificado aquele grande tolo. Tudo que ela poderia fazer 
era rezar para que ningum fosse rude o suficiente para dizer que a tinham ouvido:
- O que aconteceu a Meg?-perguntou a Connor, procurando desviar os pensamentos para o que poderia ser causa de constrangimento.
- Ah, sim, Meg. - Ele esfregou o nariz no pescoo de Gillyanne. - Ela tentou negar tudo e depois implorou perdo. Eu disse a ela que permitir que continuasse vivendo 
era todo o perdo que iria conseguir.
- E ela no entendeu, no ?
- No, a ingrata. Praguejou contra mim e contra voc. Connor sentou-se e se espreguiou. E percebeu que conseguia pensar na srdida confrontao com Meg sem raiva, 
agora. A satisfao sensual borbulhava em suas veias, mantendo a raiva distante. Beijou Gillyanne, saiu da cama e comeou a se vestir.
- Voc apenas a baniu - disse Gillyanne. - Foi muito misericordioso. Muitos outros lordes poderiam ter feito mais do que simplesmente mand-la ir embora.
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- Robert disse que no seria to gentil. E ela me pareceu ter mais coisas do que tinha, quando partiu e, assim, suspeito que se pode somar o furto aos crimes que 
cometeu. Eu planejava coloc-la numa choupana bem rstica, porm ela est numa cabana na vila. Isso me fez sugerir a Jenny e Peg que se juntem a ela, l. Sem a arrogncia 
de Meg para proteg-las das outras mulheres, creio que aceitaro a sugesto.
- Acha que elas a ajudaram, que tiveram parte na traio?
- Penso que sabiam o que ela estava fazendo e no me avisaram. Isso  ruim do mesmo jeito. E resolvi que era injusto para as moas que davam duro e eram virtuosas 
terem de conviver com prostitutas a andar to aberta e livremente pelo castelo. Aquelas mulheres podem cuidar de seus negcios na vila.
Connor segurou Gillyanne pela mo e rumou para o salo. Ao entrarem, ficou um pouco surpreso ao encontrar todos prontos, a esperar. Era algo que se tornava a cada 
dia mais comum. Ele sentou-se e se serviu enquanto os demais ocupavam rapidamente os seus lugares  mesa.
- Como a comida foi servida assim que desci? - perguntou a Diarmot, vencido pela curiosidade. - No ouvi nenhum sino ou algo parecido.
-No precisava de sino-retrucou Diarmot. - S esperamos pelo berro.
- O berro?
- Sim, o berro. Assim que ouvimos, sabemos que voc descer para jantar em meia hora. Ou, com mais freqncia, em quinze minutos.
Gillyanne sentiu as faces em fogo. Tentou convencer-se de que Diarmot no poderia estar se referindo ao que ela pensava que estaria, mas os olhares divertidos ao 
redor no permitiram. Soltou um gemido e pousou a testa na mesa, envergonhada.
Comeava a rezar para que o cho se abrisse e a engolisse, quando um rudo estranho chamou-lhe a ateno. Ento a sensao de alegria emanada pelos outros na mesa 
a cercou. Lentamente ela ergueu a cabea e olhou para Connor. E levou um minuto inteiro
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at perceber que ele estava rindo. Uma gargalhada sonora e contagiante.
-Um toque de clarim-Connor disse, com a voz entrecortada, e riu de novo.
- Ns no precisamos tocar o sino desde que voc comeou a tomar seu banho no quarto-Diarmot disse e caiu na gargalhada.
- No  alto assim - Gillyanne esbravejou.
- No? Moa, voc poderia derrubar as muralhas de Jeric - disse James, entre risadas.
- Vocs todos esto se comportando como crianas - Gillyanne exclamou, pondo-se de p. Pegou o prato e a taa. - Irei comer na cozinha. - Ao se afastar, percebeu 
que Fiona parava de rir apenas o tempo suficiente para pegar sua comida e segui-la.
Ao entrar na cozinha, Gillyanne praguejou baixinho e depois suspirou. Joan, Mairi e as duas cozinhas riam tanto que tinham lgrimas nos olhos. Sentindo-se extremamente 
constrangida, Gillyanne sentou-se  mesa apenas para constatar que seu apetite se fora.
- Milady - disse Joan, a voz rouca de tanto rir-, isso no deve envergonh-la ou mago-la.
-  um assunto particular - resmungou Gilyanne.
- Os homens nem sempre pensam assim. - Joan levou a mo ao peito e tentou controlar o riso. - Oh, moa, o lorde est rindo. Rindo! Eu nunca mais tinha ouvido algo 
parecido desde as mortes.
- No creio que algum dia tenha ouvido meu irmo rir-disse Fiona.
- Bem... isso certamente me deixa contente - admitiu Gillyanne. - Infelizmente os idiotas foram rpidos em me recordar sobre o qu estavam rindo. Foi humilhante. 
E detesto ser relembrada que posso ser escandalosa. Que maldio! Parece que posso convocar todos para jantar quando o safado de meu marido me d prazer.
- Sim, e posso lhe afirmar que debaixo daquelas risadas campeia a inveja. - Joan meneou a cabea quando Gillyanne a fitou, indecisa. - Que homem no gostaria de 
dar prazer  sua mulher
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to bem que ela abalasse as pedras com seus gritos? Eu no ficaria surpresa que o orgulho masculino de poder fazer isso e que agora todos saibam,  parte da razo 
de Connor estar rindo assim.
- Connor grita tambm - disse Fiona. - Podem no ser gritos to potentes como os meus, mas ningum precisa apurar os ouvidos para ouvi-lo.
Era algo reconfortante de saber, porm Gillyanne suspirou.
- Ser difcil encar-los nos olhos agora que sei que todos conhecem meus assuntos particulares.
- Milady, no instante em que comeou a dar banho ao lorde naquele quarto, todos sabamos o que iria acontecer - disse Joan. - S algum tolo pensaria que dois jovens 
cheios de luxria poderiam tomar banho juntos de forma inocente.
- Penso que terei de fazer um esforo para ficar muda.
- Seria um desafio para Connor.
Ao recordar o ato de amor que causara tantas conversas, Gillyanne sorriu e piscou para Joan.
- Sim, poderia ser - Juntou-se s outras num borbulhar de gargalhadas.
-- Espero no termos ferido os sentimentos da moa - disse Diarmot, quando todos pararam de rir.
- Acho que ela estava apenas um pouco constrangida - murmurou Connor, olhando para a cozinha. - Por que ficaria zangada?
- As mulheres no gostam que seus assuntos particulares sejam comentados - disse James. - Gillyanne ficou embaraada.
- Somos casados. Mesmo que no fssemos, quando um homem e uma mulher entram num quarto e fecham a porta, qualquer idiota sabe o que esto fazendo. Gillyanne deveria 
saber disso.
Claro que sabe. Quando papai se ausenta por algum tempo, ele e mame quase sobem correndo as escadas e o barulho pode ser ouvido pela casa toda. - James revirou 
os olhos. - E quando nossas primas Avery e Elspeth nos visitam com os maridos, o rudo que se ouve ao se ir para os quartos faz pensar que estamos em algum bordel 
para marinheiros lascivos. At a comida desaparece.
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E fica difcil manter a lngua dentro da boca quando se escuta as criadas reclamarem de como  difcil tirar o mel dos lenis. Contudo, nunca falamos disso. Embora 
ocorram brincadeiras. O que deixa as moas furiosas toda vez.
Connor encarou James num silncio espantado. Simplesmente no conseguia conceber a vida tal como o primo de Gillyanne descrevera. Era verdade que ele e seus irmos 
algumas vezes se permitiam jogos mais erticos, mas havia pouco tempo para tanta frivolidade. Mesmo antes das mortes, as nicas bobagens ou risadas vinham de brincadeiras, 
quando ele e outras crianas se esqueciam de que estavam num constante estado de guerra. Os Murrays pareciam felizes, e Connor percebeu que sentia uma pontada de 
inveja.
- Mel? Por que haveria mel nos lenis?
James riu, olhou ao redor para se certificar que no havia qualquer mulher por perto, e comeou a contar as delcias de se brincar com comida. E Connor se deu conta 
de que havia ali uma poro de coisas sobre jogos amorosos que ele jamais aprendera. No iria admitir, porm. Era de algum conforto saber que, pelas expresses dos 
outros homens, ele no era o nico ignorante.
Era tarde, hora de ir para a cama, quando Connor percebeu que sua esposa no voltara. Procurou por Gillyanne na cozinha, porm apenas uma das criadas estava l, 
terminando seu trabalho. Ao rumar para o quarto, Connor ficou a imaginar se ela ficara ofendida com as risadas. Ele sentia um grande orgulho de poder fazer sua pequenina 
esposa berrar como um guerreiro a liderar um ataque, porm damas poderiam ser sensveis com relao  modstia. Se ficara magoada, talvez envergonhada, ele deveria 
tentar acalm-la, e Connor duvidava que tivesse tal habilidade. Contudo, se a mgoa ou o ultraje ameaassem a plenitude da paixo que ele e Gillyanne compartilhavam, 
ele suspeitava que poderia encontrar um jeito de sosseg-la. Finalmente ele aceitara que encontrava alegria e contentamento nos braos da esposa. Contanto que no 
parecesse fraqueza aos olhos dos outros, ele no tinha inteno de perder o que conquistara.
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De sbito, pensou na gargalhada que se permitira. Fora tima, refrescante. Connor sabia que deixara seu povo espantado com tamanha alegria. Fora at mesmo bem acolhida, 
deu-se conta com surpresa. Nem gerara alguma falta de respeito, qualquer enfraquecimento em sua posio de lorde. timo. Na verdade, ao tornar a provar o gosto bom 
de uma risada, duvidava que pudesse resistir  outra de vez em quando.
Connor soltou um suspiro de alvio ao entrar no quarto e encontrar Gillyanne na cama. Pelo menos no se escondera dele. Contudo, ele pensou com um sorriso ao comear 
a se despir, no havia muito dela para se ver, acima das cobertas. Depois de uma rpida abluo, ele se enfiou na cama e puxou-a para dentro dos braos. Ela continuou 
de olhos fechados. Se tentava fingir estar dormindo, fazia uma pobre encenao.
- Est emburrada? - ele perguntou, acariciando-lhe as costas e franzindo a testa ao perceber que uma camisola o impedia de sentir a suavidade daquela pele.
- Por que estaria eu emburrada? - ela resmungou. - Constrangimento e humilhao no valem mais que uma piscadela ou duas, no ? Ora, eu s pensei em me enfiar num 
buraco bem fundo e jogar terra por sobre minha cabea.
Connor roou os lbios no pescoo de Gillyanne, escondendo a expresso. Sabia que no era a hora de demonstrar divertimento. A moa tinha um jeito de falar que o 
fazia querer rir, contudo, e isso desde o instante em que a conhecera.
- Ningum queria envergonh-la.
Eu no disse vergonha. No senti vergonha. Fiquei embaraada, profundamente constrangida. - Ela suspirou. - Isso  um assunto particular entre ns dois.
-- Gilly, somos casados. No momento em que buscamos privacidade, todos sabem o que estamos fazendo. Isso  exatamente o que estariam fazendo ou gostariam de estar 
fazendo.
- Sei disso, porm no deveriam falar sobre isso, pelo amor de Deus. Os homens podem se vangloriar e as mulheres tambm
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comentam entre si, porm no  algo para se falar publicamente. Assim sendo, tomei uma deciso - disse ela. Connor a encarou com cautela.
- E qual seria?
- Que devo me tornar mais discreta. Sim, todos sabem o que fazemos aqui, porm eu no os divertirei mais com o barulho. No, no chamarei ningum mais para o jantar.
Gillyanne no se surpreendeu quando ele estreitou os olhos. O orgulho masculino pressentira um desafio, justamente como ela suspeitara. Compartilhar da paixo era 
ainda o nico momento em que ela sentia que conseguia alcanar Connor, penetrar-lhe as defesas, mesmo que por algum tempo. E ela no deixaria que brincadeiras rudes 
a forassem a se afastar disso. Na verdade, no tinha certeza de que conseguiria. Ansiava demais pelo prazer que Connor lhe proporcionava para deixar que algo interferisse 
nisso.
Connor empurrou-a de costas. A princpio julgara que ela estava de camisola porque fora para a cama sozinha e estava com frio. Agora, ele percebia que fazia parte 
do plano de se mostrar mais modesta. Poderia at tentar ser como a maioria das moas bem-nascidas, como seu tio lhe contara, e se comportar como elas no quarto. 
Isso ele no permitiria. Passara longos e tortuosos dias antes de aceitar o fato de que ansiava pelos momentos de intimidade no quarto. Nenhum ataque de modstia 
lhe roubaria a esposa ardente a quem tanto desejava.
-O que  isto?-ele perguntou, puxando os laos da camisola.
- O que uma esposa modesta usaria na cama - retrucou Gillyanne.
- ? E eu teria de abrir caminho no meio disso?
Ela arquejou quando Connor de repente puxou-lhe os ombros da camisola e forou o tecido para baixo at que seus seios apareceram desnudos. Gillyanne no sentiu medo, 
sabia no fundo do corao que Connor no a machucaria. Porm os braos estavam presos dos lados e ela teria que se debater para se livrar. Contudo, aquilo a excitou. 
Tornara-se uma libertina, pensou, com um sorriso secreto.
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Ele beijou-a, e Gillyanne deixou que a magia sensual daquele beijo a envolvesse. A sensao daquele peito largo comprimido contras seus seios era o bastante para 
faz-los doer. Gillyanne tentou mexer os braos e percebeu que ele amarrara de novo a camisola. Gemeu de frustrao.
- Connor, no posso me mexer - ela protestou, quando ele comeou a lhe beijar os seios.
- Damas modestas no se mexem. - Usando os dedos e a lngua, ele acariciou-lhe os mamilos at torn-los duros e tentadores. - Damas modestas devem se deitar como 
mrtires silenciosas e deixar que seus maridos satisfaam as vontades.
- No penso que isso seja certo.
Ela ia continuar a discutir, porm Connor sugou o boto do seio para dentro da boca. A cada suco, ela perdia a capacidade de raciocinar. E Gillyanne se espantou 
com a rapidez com que Connor lhe acendia o desejo. Ele era como um fogo em suas veias, uma necessidade imperiosa que ela temia desejar pela vida toda. O que ela 
mais receava, porm, era que aquele casamento se revelasse um absoluto fracasso.
Mesmo essa preocupao esvaiu-se de sua mente quando Connor comeou a lhe beijar a parte interna das coxas. E quando ele levou aqueles beijos mais para cima, os 
lbios e depois a lngua a tocarem a suavidade quente entre suas pernas, Gillyanne soltou um grito de protesto. Connor agarrou-a pelas ndegas, segurando-a com firmeza 
quando ela tentou se esquivar e, em breve, ela no queria mais se afastar. Um prazer de enlouquecer percorria-lhe o corpo a cada estocada daquela lngua.
A nica ideia que lhe ficou na cabea era que tinha de se mexer, tinha de acarici-lo. Ento, ela ouviu o tecido se rasgar e sentiu que estava livre. Um instante 
depois, Gillyanne percebeu que atingia o orgasmo.
Agora, Connor, por favor, agora!
- No, mulher. Solte-se e se entregue a mim.
Gillyanne no conseguiu se conter. O xtase a tomou de assalto
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e ela ainda tremia com a fora do orgasmo quando Connor a fez gemer outra vez. Desta vez, quando ela o chamou, ele no hesitou e penetrou-a, unindo seus corpos. 
E Gillyanne se agarrou a ele enquanto atingiam as alturas.
Um tempo indefinido se passou antes que Gillyanne fosse capaz de se mover, quanto mais falar. Preguiosamente, ela acariciou a coxa de Connor, desfrutando da sensao 
do peso daquela perna forte sobre a sua. Uma parte de si ainda se sentia chocada pela maneira libertina com que correspondera a uma tal intimidade, porm logo ela 
afastou o sentimento. Connor era seu marido.
- Berrei de novo, no foi? - era mais uma constatao que uma pergunta.
- Sim, duas vezes. Meus ouvidos ainda esto retinindo - ele retrucou, com mal disfarado orgulho.
- Animal arrogante.
- Talvez eu devesse sair e ver se algum daqueles idiotas saiu da cama na esperana de que a mesa seja posta.
Gillyanne soltou uma risadinha.
- Ora, v, ento.
- No, no consigo me mexer. - Ele bocejou e beijou-a no pescoo, sonolento. - Voc drenou todas as foras de mim.
- Eu tambm estou me sentindo um pouco fraca.
- timo, ento cumpri meu dever de marido e posso agora descansar.
Embora Gillyanne sorrisse com a brincadeira, sentiu-se um tanto desapontada tambm. Depois de tal paixo cega, depois de uma to bela conjuno carnal, preferiria 
palavras de amor a piadas. O que a preocupava era que poderia nunca escut-las e que, a despeito da perfeio do desejo que compartilhavam, Connor pudesse mant-las 
todas trancadas dentro dele. Gillyanne beijou-lhe os cabelos e ficou a imaginar por quanto tempo esperaria por aquelas palavras doces antes de comear a parecer 
uma tola.
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Captulo XII

- O que voc est fazendo? - Gillyanne suspirou ao se voltar para responder quela voz profunda e familiar, atrs de si. Connor sempre a apanhava no momento pior. 
Era verdade que a horta em que estava trabalhando parecia em ordem, bem cuidada e rica em plantas viosas. Infelizmente era tambm verdade que ela parecia ter chafurdado 
na lama. Franziu a testa ao perceber que ele tinha uma expresso tensa.
- Alguma coisa est errada?
- Seu pai est aqui.
- Aqui? No castelo?
- No. Est do lado de fora de nossos portes com uma dzia de homens armados.
- Oh, meu Deus.
Exige falar com voc. Eu o fiz prometer que no iria ret-la ou tentar lev-la para longe daqui.
Gillyanne sorriu, suspeitando que o pai tivesse achado isso uma promessa amarga.
- Ento, posso ir e falar com ele?
- Sim, se jurar que no tentar fugir.
- Eu juro.
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No era hora de simplesmente fugir para casa com o pai. Ela ainda era a esposa de Connor. Tambm desejava tornar aquele casamento uma unio feliz. Era muito cedo 
para desistir da luta. Tambm no seria coisa simples. Era esposa de Connor pelas leis da igreja e da Esccia e no se poderia ir contra tais leis sem levantar controvrsias.
- Diga a meu pai que sairei para conversar com ele em quinze minutos. Preciso me limpar desta sujeira. Seria melhor cumpriment-lo parecendo to bem quanto eu puder.
- Acho que aquele homem ficaria muito contente em lhe arrancar as entranhas - murmurou Encaroado, depois que Connor repassou a mensagem de Gillyanne ao pai, do 
alto das muralhas.
Ao ver o modo com que Sir Eric andava de um lado para outro,  frente de seus homens, Connor concordou.
- Posso perceber de quem a moa herdou o temperamento.
- Voc no vai sair, vai? - protestou Encaroado, apenas para correr atrs de Connor quando o lorde comeou a descer as escadas.
- No vou me aproximar muito.  melhor que pai e filha conversem com privacidade. S quero estar presente.
Gillyanne atravessou os portes de Deilcladach e correu para os braos abertos do pai. Era bom ser abraada pelo pai de novo. Quando ele a afastou ligeiramente, 
ela ficou imvel enquanto sir Eric a inspecionava de alto abaixo. A conversa que estavam prestes a ter seria sem dvida desconfortvel s vezes e ela no estava 
com pressa para inici-la.
- Voc no foi maltratada - disse sir Eric, com uma leve entonao de questionamento na voz.
- No, papai. sir Connor jamais me machucaria.
- Conte-me o que aconteceu.
- O senhor no parou em Dublin e ouviu a histria de mame? Mandei James contar a ela.
- Ela me relatou. Agora, quero ouvir de voc.
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Gillyanne sorriu, mas contou-lhe tudo, superficialmente. E descreveu com pressa a parte que inclua o casamento e a volta a Deilcladach. Porm o olhar duro de seu 
pai lhe disse que ela no o faria de tolo.
- Foi consumado?
- Sim! papai - ela respondeu, olhando para os ps para esconder o rubor.
-  ele ali, entre ns e os portes?
Gillyanne olhou para trs, surpresa de que Connor estivesse fora das muralhas.
- Sim. O homem alto  frente dos outros.
- E quem so os outros?
- Os irmos Diarmot, Drew, Nanty e Angus, a irm Fiona e seu brao-direito, Encaroado, cujo nome verdadeiro  Iain.
- H uma moa naquele grupo?
- Sim, a menor. Tem quase treze anos.
Eric coou o queixo e olhou de Connor para Gillyanne e de volta algumas vezes antes de perguntar:
- Jura que ele no a machucou?  um sujeito grande.
- Oh, sim. - Ela corou violentamente, sem precisar que a sobrancelha erguida do pai mostrasse que ela revelara um toque de luxria com aquela exclamao. - Juro 
ao senhor, papai, Connor jamais me machucaria.
Falei com o rei. - Ele sorriu ligeiramente quando a filha o encarou, preocupada.-Ele mostrou-se at mesmo contrito. Tudo isso est em minhas mos. Ele no voltar 
atrs naquilo que  visto como uma permisso, porm se eu optar por colocar um fim no casamento, ele aceitar e apoiar minha deciso. Quer ver isso terminado?
- No. - disse Gillyanne, um pouco surpresa de como a negativa lhe pulara dos lbios, pois ficara indecisa por um longo tempo. - Ainda no. O casamento foi abenoado 
por um padre e consumado. No deveria eu pelo menos tentar fazer dele um bom casamento?
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- Sim, deveria. Voc ama aquele bruto?
-- Existem boas chances de que eu possa am-lo. Alguns dias eu o amo, outros no tenho certeza.
- E por que  uma coisa to difcil de resolver? Sente algo falso naquele homem?
- No. Na verdade, posso captar muito pouco dos sentimentos ou pensamentos de Connor. Quando tento alcan-lo,  como bater contra uma muralha. Contudo, no creio 
que haja algo de falso dentro dele. - Ela suspirou. -  um homem duro, excessivamente controlado.
- O que soube a respeito dele?
Gillyanne relatou ao pai as histrias da vida de Connor. E pde sentir que sir Connor se acalmava e que um brilho de respeito luzia nos olhos dele. No havia dvida 
de que, se ela pudesse fazer o casamento dar certo, seu pai prontamente aceitaria Connor como parte da famlia. Felizmente seu pai tambm compreendia que mesmo que 
um homem parecesse bom para outro, isso no fazia dele necessariamente um bom marido.
- Creio que compreendo - murmurou Eric, examinando o alto lorde cujas feies se endureciam  medida que mais ele e Gillyanne conversavam. - Uma vida como essa e 
a necessidade de liderar quando se  pouco mais que um rapaz sem barba poderia estrangular toda a ternura dentro de um homem.
- Exatamente. Ele tem honra, coragem, fora e um profundo senso de responsabilidade. - Sentiu que corava porm forou-se a ser honesta. - Compartilhamos uma paixo. 
O tio dele incutiu-lhe algumas ideias estranhas sobre damas bem-nascidas, porm Connor teve juzo para ouvir outra opinio. Pelo menos estava preparado para ver 
que nem precisava de uma amante nem que era particularmente prudente ter uma.
- Voc no me disse nada de ruim ainda, menina.
- Como lhe contei, toda a ternura foi aparentemente esmagada dentro dele. Eu no pediria que ele se tornasse algum corteso a
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dizer poemas e elogios. Tudo que quero  alguma... bem, emoo, algo que indique que ele sente algo por mim alm de paixo.
- Voc quer que ele a ame.
- Sim, quero. No momento, ficaria feliz com alguma pista de que lhe alcancei o corao, que provoco mais do que apenas desejo. Ah papai, ele riu duas noites atrs 
e deixou todos espantados. Uma das mulheres chegou a chorar de to comovida. Felizmente seu povo no o deixou constrangido.
- Um pequeno passo de cada vez.
Gillyanne concordou.
- No continuarei com um casamento em que meu marido no v ou no possa dar algo de si mesmo. Desejo, no entanto, continuar como esposa dele at que consiga aquilo 
que preciso para ficar ou at saber que ele no tem algo a dar, pelo menos a mim, e ento irei embora.
Eric abraou-a pelos ombros e beijou-a na testa.
- Voc quer tentar fazer um bom casamento, porm tambm precisa saber que no ficar presa a um relacionamento frio.
- Sim, papai. Sei que partirei meu corao em pedaos se tiver de partir, porm, se no conseguir um pedao para mim no corao de meu marido, isso me magoar mais, 
se eu ficar.
- Voc  prudente em prever isso, minha Gilly. Eu jamais a deixaria diante dessa sina. Existe uma maneira de sair da situao.
Coero? - Eric concordou. - No aceitei de boa vontade, realmente. Sim, eu o escolhi entre os trs e fiz o juramento, porm apenas depois de trs ataques e a promessa 
ou ameaa de um quarto, com fora conjunta. Isso servir de argumento?
-- Servir. - Eric olhou na direo de Connor e quase sorriu.
Ele est ficando impaciente.
- Eu jurei que voltaria.
- James, meu rapaz - disse Eric, fazendo com que James se aProximasse.-Vai ficar aqui?
Sim, a menos que o senhor precise de mim. - James viu
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que Gillyanne se afastava para conversar com o marido. - Ele est inquieto.
- Ambos juramos que ela ficaria. Talvez ele no esteja to intocado como ela pensa.
-  difcil dizer, porm eu poderia apostar que ela lhe tocou o corao. A questo  se ele deixar ou no Gillyanne saber disso ou mesmo se ele prprio aceitar 
a verdade. Existe ainda a possibilidade de que se ele souber disso, faa um esforo para sufocar o sentimento. Creio que ele v tais emoes como sinal de fraqueza 
e no se permitir t-las.
- Ento, julga que  um bom plano Gillyanne tentar conquist-lo.
- Ser pelo menos divertido, pelo menos s vezes. Gilly o ama. Tenho certeza. Se o casamento terminar, ela precisa saber que fez tudo o que foi capaz para conquistar 
o corao do marido. Tudo repousa na forma como ele enterrou as emoes e a vontade de libert-las outra vez.
- Ela ter tempo. Mesmo com boas razes para pr um-fim ao casamento, isso no  algo que possa ser feito rapidamente. - Eric cruzou os braos no peito e sorriu. 
- Creio que estou prestes a conhecer meu novo genro.
- Connor - disse Gillyanne, ao se aproximar do marido -, por que est aqui?
- Eu queria ver seu pai de perto - ele retrucou. - No  um homem muito grande, ?
- Um que no precisa ser algum gigante para empunhar bem uma espada. - Ela o encarou e cruzou os braos. - S queria v-lo, hein? Que tolice a minha pensar, por 
um instante, que voc poderia julgar que papai ou eu no manteramos nossa palavra.
- Sim, tolice a sua. - Connor examinou-a. - Conversaram por um longo tempo.
- Tnhamos muito a dizer. Afinal, enquanto meu pai servia ao rei, eu me deitava em minha cama de solteira, reclamei meu lugar
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como senhora de Ald-dabhach, repeli trs ataques a meu castelo, fui arrastada para diante de um padre...
- Voc no foi arrastada - resmungou Connor.
Gillyanne ignorou a interrupo. e lanada, completamente despreparada, nas guas revoltas do casamento e fechada atrs das grossas muralhas de Deilcladach. Papai 
estava um pouco curioso,  natural.
- Acabou?
- Creio que disse tudo.
- timo, agora pode me apresentar a seu pai.
- No tenho certeza se devo aproximar os dois - ela murmurou, quando Connor avanou, puxando-a pela mo.-Ele no est muito feliz com voc.
- Talvez no, porm no creio que ele estar empunhando a espada.
Quando pararam em frente de sir Eric, Connor ficou surpreso ao ver como o homem era magro e baixo. A figura de sir Eric no era ameaadora para Connor. Nos olhos 
dele, contudo, Connor podia ver o perigo. Ali jazia a verdade; a despeito de sua elegncia e feies bonitas, aquele homem poderia ser um inimigo mortal. Ali estava 
a capacidade e a perspiccia que compensavam a falta de altura ou de peso. Era um homem com o qual poderia aprender habilidades que j vira James exibir.
- Papai, este  sir Connor MacEnroy, lorde de Deilcladach, e meu marido - disse Gillyanne. A maneira com que os dois se encararam a deixou inquieta. - Connor, este 
 meu pai, sir Eric Murray, lorde de Dublin. - Embora a reverncia que ambos fizessem fosse breve, ela soltou um suspiro de alvio.
Eric olhou por sobre o ombro de Connor.
- Receio que meus homens possam ficar nervosos se esse estranho grupo de pessoas atrs de voc como uma sombra chegar mais perto.
- Para trs - Connor esbravejou, sem nem mesmo olhar para trs, para ver se era obedecido.
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Eric resistiu  vontade de rir quando o grupo recuou depressa.
- Voc deveria ter me procurado primeiro.
- Como uma moa de vinte anos, dona de suas prprias terras, eu no julguei que ela precisasse da permisso do pai para se casar.
- No, porm voc precisava.
- Papai - Gillyanne murmurou, preocupada.
- E voc no me dar a permisso agora, dar? - perguntou Connor, segurando com fora a mo de Gillyanne.
- No, ainda no, rapazinho. - Darei assim que julgar possvel.
-Vai voltar a Dublin primeiro?-perguntou Gillyanne, dando um passo na direo do pai apenas para ser puxada com firmeza para junto de Connor.
- Sim. Sua me est ansiosa por notcias. Ela pode me acompanhar da prxima vez que eu vier visit-la.
- Se vier como um parente, ser bem-vindo a Deilcladach. - Connor ignorou o chute na perna que Gillyanne lhe deu.
- Muito justo.
Quando seu pai se aproximou para lhe beijar a face,; Gillyanne teve de lutar com o puxo de Connor para receber o beijo. No instante que seu pai se endireitou, Connor 
puxou-a de novo para o lado. Algum poderia pensar que ela se despedia de um amante em vez de dizer adeus ao pai, Gillyanne pensou, aborrecida. Connor inclinou-se 
em despedida, antes de pux-la de volta a Deilcladach.
Gillyanne voltou-se como pde para acenar para o pai e franziu a testa ao ver que James ainda estava ao lado dele.
- James? Vai partir com papai? - ela perguntou, precisando falar aos gritos conforme Connor continuava a arrast-la para o castelo.
- No, voltarei num instante - James gritou de volta, rindo baixinho ao ver a maneira que Gillyanne encarava o marido enquanto ele a puxava. -- Ela ficar bem, papai 
- assegurou a sir Eric.
- Sim, sei disso. Acho que a mocinha est mais perto de seu
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objetivo do que pensa. Contudo, como voc disse, o idiota pode lutar contra os sentimentos que o fazem arrast-la para o castelo com receio que eu possa tir-la 
dele. Gillyanne, contudo, ver tal ato como nada mais que um tolo querendo manter o controle das terras que cobia. - Ento perguntou, abruptamente: - Ele sabe da 
habilidade de Gillyanne?
- Eu mencionei isso e no provoquei nenhum desconforto.
- Ele  parente de um homem chamado sir Eric MacEnroy? Os olhos de James se arregalaram.
- Sim, sir Neil  tio dele. Gillyanne no gosta dele. O senhor tambm no?
- Fique de olho nesse homem. Eu o encontrei umas poucas vezes e embora no tenha as habilidades de Gillyanne, ele me provocou uma sensao muito ruim. Voc no se 
importa de ficar aqui at que eu possa voltar?
- No. A no ser aquele tio e as prostitutas do castelo, cada homem, mulher e criana quer que Gillyanne seja a senhora. As prostitutas se mudaram recentemente para 
a vila e eu ficarei de olho no tio. J que tambm pretendo tentar empurrar aquele grande tolo para a direo correta, tenho muito com que me manter ocupado. Boa 
viagem, papai. - James riu quando, assim que Eric e seus homens se afastaram, todos desembainharam as espadas para saudar Gillyanne, que acenava das muralhas.
- Eles a saudaram como a um guerreiro - resmungou Neil, e se afastou depressa, antes que algum pudesse dizer alguma coisa.
Connor fechou o cenho ao ver o tio descer das muralhas. Neil ficava mais zangado e mais zombador a cada dia que passava. Sem saber o que fazer com relao a isso, 
Connor voltou a ateno para a esposa, que se debruara na amurada para acenar para o pai.
Aquela tola vai cair da muralha - ele resmungou, ao seguir at onde ela estava.
"or que seu tio ficou to aborrecido com aquela saudao? perguntou Encaroado, ao acompanhar Connor.-Puxa, a moa
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repeliu trs ataques sem derramar uma gota de sangue e apenas se rendeu para proteger seu povo. Merece uma saudao de seus parentes.
- Meu tio no est feliz com este casamento. No sei porque ele no gosta de Gillyanne. Ela no merece tanto veneno.
- No, no merece. O que ser que o incomoda?
- No sei. Nunca o vi to agressivo de temperamento e palavras antes.
- Antes, eram voc, os rapazes e as prostitutas. Uma esposa muda tudo.
-  verdade. - Connor andou mais depressa. - A menos que aquela criaturinha caia da muralha. - Agarrou-a pela cintura e puxou-a de volta. - Uma brisa mais forte 
por trs, moa, e voc no seria mais do que uma mancha no cho. Seu pai no pode v-la mais.
- Sei disso - Gillyanne disse e, quando Connor a soltou, ajeitou as saias.
- Por que seu tio estava to irritado?
Por um breve instante, Connor pensou em mentir. Porm resolveu ser franco.
- Ele no gostou que voc recebesse o tipo de saudao dada a um grande guerreiro.
Gillyanne revirou os olhos e seguiu para os estreitos degraus que conduziam ao ptio.
- Aquele homem no julga que uma moa possa servir para alguma coisa a no ser para ser usada ou levar um coque na cabea. Acho que jamais conheci algum to mal-humorado.
Neil era bem mais que mal-humorado, parecia ter se empenhado numa cruzada para lhe tornar a vida miservel e todos sabiam disso. Dizer tal coisa a Connor poderia 
facilmente ser interpretado como uma suja tentativa de banir algum que a irritava. Ela precisava de uma prova concreta de que Neil no era o amigo e o protetor 
mais velho que Connor julgava que fosse.
Isso logo viria  tona. Ou a cerveja e o vinho que bebia iriam
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fazer irromper o turbilho dentro de Neil ou ela revolveria o lodo daquela alma, pois os segredos que Neil guardava estavam transbordando dentro dele com a fora 
de uma enchente. Gillyanne pensou que talvez Neil soubesse que ela podia sentir a verdade sobre ele, ler aqueles segredos sombrios e as mentiras que ele guardava 
no ntimo e era por isso que se mostrava to torpe para com ela. Aquilo poderia torn-lo perigoso. Um homem que guardava tais segredos e por tanto tempo poderia 
estar disposto a fazer qualquer coisa para impedi-los de serem expostos  luz.
Aquele pensamento continuava a atorment-la e portanto ficou feliz ao ver James, quando este foi reunir-se a ela na horta de ervas medicinais na qual ela voltara 
a trabalhar.
- Papai quis que voc ficasse comigo?
- No precisamente, porm ele ficou contente quando eu preferi ficar. Ele me disse para vigiar sir Neil de perto.
- Papai sabe quem  sir Neil? Encontrou-se com ele antes?
- Brevemente, na corte. Lamentou o fato de no ter suas habilidades, porm disse que o homem lhe passou algo ruim. Voc tambm pensa assim, no ?
Gillyanne concordou.
- Parece que est nas garras da culpa e do dio. Essa raiva e agora uma boa dose de averso est dirigida a mim. Acho que ele sabe que posso ver a verdade de seu 
negro corao e de sua alma atormentada.
- E voc acha que ele pode tentar ceg-la para esse fato?
- Sim. Cegar-me e depois enterrar-me - bem fundo.
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Captulo XIII

- Tem certeza de que Fiona precisa aprender a danar? -perguntou Joan, ao sentar-se  mesa, no salo vazio.
-Esta  uma daquelas coisas que todas as moas bem-nascidas devem aprender - retrucou Gillyanne.
Nos dois meses desde que Gillyanne chegara a Deilcladach, Fiona tinha comeado a parecer cada vez mais com uma mocinha. Ainda precisava apresentar-se a todos num 
vestido, mas se sentia constrangida. Contudo, com os fartos cabelos presos com uma larga tira de couro e as saias enfeitadas com bordados, Fiona no mais parecia 
ou se comportava exatamente como um menino. Gillyanne percebera muitas vezes um olhar de surpresa, at mesmo de interesse nos olhares dos jovens de Deilcladach. 
Fiona era uma garota adorvel e seria indubitavelmente uma bela mulher.
- Acho que eu poderia gostar de danar - disse Fiona. - A triste verdade  que muitas das coisas que as damas devem aprender no so muito interessantes ou divertidas, 
como o trabalho de agulha. Contudo... - ela sorriu e tocou as flores bordadas da saia -,  bonito. As artes de cura, as ervas e poes so muito interessantes.
- E voc demonstra uma verdadeira habilidade, um instinto agudo que  inestimvel - retrucou Gillyanne. - Se tem realmente
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pendor para tais coisas, talvez pudesse visitar minha tia Maldie ou minha prima Elspeth. Elas so verdadeiras curandeiras.
- Creio que eu gostaria.
- O que esto fazendo? - disse Connor, ao se aproximar.
- Eu ia ensinar Fiona, Mairi e Joan a danar.
- So coisas que uma dama deve aprender, Connor-retrucou Fiona.
- Parece uma grande perda de tempo.
- Bem, sim, algumas vezes  - concordou Gillyanne. - Na verdade, Fiona pode nunca precisar disso. Por outro lado, se ela for a alguma grande casa ou mesmo para a 
corte, poderia mesmo parecer inferior diante de outras damas se no soubesse danar.
Connor abriu a boca para dizer que havia pouca chance de que algum MacEnroy fosse convidado a um grande castelo ou  corte do rei, mas ento a fechou de novo. Fiona 
bem que poderia ver-se lanada num mundo de que no fizera parte e do qual conhecia pouco.
- Precisa fazer isso aqui? - ele perguntou.
- E o que me diz daquele campo fora das muralhas? Seria um ambiente mais privado, porm ainda seramos vistas.
O primeiro pensamento de Connor foi dizer no. Ento percebeu que no havia motivo. Robert no tentaria agarr-la de novo e lhe assegurara que David no tinha interesse 
nem em tentar. No havia relato de estranhos ou ladres na rea. Resolveu deix-la ir, a despeito da inquietao que o invadiu. Ela no sairia das muralhas sozinha, 
contudo.
-Pode ir, mas Encaroado e Diarmot iro com voc. Seu primo tambm, se voc quiser.
- Isso no ser muito reservado - ela protestou.
- Reservado o bastante.
Em questo de minutos, Gillyanne, Fiona, Joan e Mairi caminhavam para um campo gramado com Encaroado, Diarmot e James a segui-las.
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- Aqui  um bom lugar - anunciou Gillyanne, parando no meio do pequeno campo e olhando ao redor.
- Ser fcil manter os olhos em vocs - disse James. - Diarmot e eu ficaremos por perto.
- Na verdade, James, eu gostaria que voc cantasse. No  fcil cantar e ensinar a danar ao mesmo tempo. Se voc cantar, posso conduzir a dana. Assim que aprenderem 
os passos, posso cantar enquanto praticamos.
- Diarmot e eu vamos caminhar pelo terreno - disse Encaroado. - Tente no esgoelar muito alto. - Riu e evitou a tentativa de James que fingiu esmurr-lo. - No 
estaremos longe.
Enquanto Diarmot e Encaroado se afastavam, e depois de conversar sobre o que ela queria ensinar a Fiona, Gillyanne e James escolheram as canes que ele cantaria. 
Ele comeou a cantar a primeira e Gillyanne a instruir o pequeno grupo nos passos-da dana.
Entre risadas, Gillyanne puxou Diarmot e Encaroado para que entrassem na aula, assim que retornaram.
- O que Diarmot est fazendo? - perguntou Angus, ao juntar-se a Connor nas muralhas e seguir-lhe o olhar na direo do grupo, no campo.
- Acho que est aprendendo a danar - retrucou Connor.
- Por que ele haveria de querer isso?
-Minha esposa diz que  algo que se espera dos bem-nascidos. Parece que  prtica em alguns castelos e na corte.
- Nunca vi danas no castelo do conde de Dinnock.
- Mas estivemos l apenas duas vezes e em nenhuma era uma ocasio festiva. Gillyanne e James estiveram ambos na corte e, eu creio, desfrutaram de mais entretenimentos 
do que ns.
- Oh... - Angus franziu a testa.-Acha que todos deveremos aprender?
Connor deu de ombros.
- Talvez. Eu estava aqui pensando que, algum dia, vocs iro
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se casar. Agora tenho algo a oferecer a Diarmot - Ald-dabhach. Porm no tenho nada para o resto de vocs.
- No precisamos de nada, Connor.
- Sei disso e  bom que estejam contentes em viver aqui ou em Ald-dabhach. Contudo, voc, Drew e Nanty podero ganhar terras atravs do casamento, como aconteceu 
comigo. Para encontrar moas com dinheiro ou terras, vocs tero de ir a castelos como o do conde ou at mesmo  corte do rei. Tero que se apresentar bem perante 
rapazes que tm mais a oferecer que um rosto bonito e um bom sangue.
Angus concordou.
-Um pouco de refinamento, algumas habilidades para cortejar.
-Exatamente. Vocs foram todos abenoados com corpos fortes e uma aparncia de que as moas parecem gostar. Adicione-se um ligeiro toque de cortesia, o que as jovens 
parecem tambm apreciar, e podero fazer um bom casamento.
-  isso que planeja para Fiona? J tem um homem em vista para ela?
- Receio no ter percebido o quanto ela estava prxima de se tornar uma mulher, e assim, no, no escolhi ningum - retrucou Connor. - Enquanto estava aqui, a observ-la, 
recordei-me de muitas coisas que minha esposa me disse e creio que deixarei Fiona escolher por conta prpria.
- No!  verdade?
-  verdade. Manterei os olhos em quem a cortejar e continuarei com direito de impedir o que eu possa ver como um mau casamento, porm quem desposar ser escolha 
dela. Desejo a felicidade de Fiona muito mais do que gostaria de ganhar com um casamento. Se ela aprender as maneiras que a maioria das damas bem-nascidas conhecem 
desde o bero, isso lhe ampliar as escolhas. - O instinto me diz que, quando Fiona estiver na idade de se casar, a famlia de Gillyanne ajudar a providenciar que 
a garota tenha acesso a lugares que lhe proporcionaro boas escolhas e em bom nmero.
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Angus sorriu e piscou para o irmo.
- Eu estava pensando que a famlia de sua esposa tambm poderia nos oferecer damas solteiras como uma ampla escolha.
Connor deu uma risada.
- Quando procurei esta noiva, estava de olho em Ald-dabhach. Agora percebo que havia mais a ganhar do que apenas a terra. Temos muitos novos aliados, Angus. Sim, 
podem no ser de grandes cls poderosos, porm no estamos mais sozinhos. O lao j existe, a nos ligar.
- Virgem Maria,  claro. Eu no tinha pensado nisso. E, sim, ao lembrar como o pai dela parecia zangado, voc ter de fazer algo para acalm-lo. Afinal, se James 
falou a verdade, esse seu casamento pode ter um fim.
- Gillyanne no terminaria nosso casamento - disse Connor, com mais confiana do que realmente sentia.
- Voc me diz como seria boa ideia aprender os modos da corte para conquistar uma dama com dote, e contudo no segue o prprio conselho.
- O que quer dizer com isso?
- Ora, voc poderia tentar conquistar sua esposa, mais do que faz-la berrar de prazer. Voc  uma pessoa muito dura e solene, Connor e... - ele olhou para o grupo 
no campo - sua esposa  cheia de alegria de viver. Teve liberdade para desfrutar de todas as coisas que ns no tivemos, desde danar at simples brincadeiras e 
piadas entre parentes. Ela precisa de afeio, Connor. Creio que foi rodeada por isso por toda a vida.
-- Espera que eu me torne um bajulador?
- Oh, no. No creio que conseguisse, por mais que tentasse. Tudo o que digo  que voc sabe que ela tem um jeito de escapar do casamento, portanto voc deveria 
ver bem o que precisa fazer para que ela deseje ficar. No acho que Gillyanne deseje que voc se torne algo que no  e no gostaria de ser. Porm, seria muito difcil 
dizer uma palavra gentil de vez em quando, falar com ela
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fora do quarto ou dizer como ela est bonita? No vale a pena um pequeno esforo?
Connor olhou para os danarinos no campo e pensou nas palavras de Angus. Parecia que a ameaa que pairava sobre seu casamento era de pleno conhecimento da famlia, 
que as palavras de James haviam sido ouvidas e levadas em considerao. Gillyanne tinha um lugar de escape e a famlia estava evidentemente preocupada que ele pudesse 
empurr-la por esse caminho.
A ameaa de que seu casamento pudesse terminar era real. Angus era apenas um dos vrios que tinham se sentido compelidos a avis-lo, que percebera que ele precisava 
fazer algo mais se pretendesse manter a esposa. Se fosse cauteloso, ele supunha que poderia fazer umas poucas coisas sem se expor demais. Ele notara o quanto seu 
castelo estava mais limpo e mais confortvel agora e custaria pouco cumpriment-la ou agradec-la por isso. Ele cumprimentava e elogiava os homens pelos trabalhos 
bem feitos; no pareceria fraqueza fazer o mesmo com a esposa.
Ao abrir a boca para dizer a Angus de sua deciso, algo lhe chamou a ateno no campo. Todos tinham parado e olhavam para Gillyanne. Um instante depois, ela caa 
ao cho. Connor ouviu os prprios gritos estrangulados de agonia, ao correr para baixo nas muralhas.
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Captulo XIV

A flecha veio do nada. Gillyanne sentira alguma coisa chocar-se contra suas costas e empurr-la na direo de Diarmot que estava  sua frente na dana. Os outros 
haviam se imobilizado como se transformados em pedra e a fitavam com espanto. S quando a dor a invadiu, ela percebeu que todos comeavam a se mover. Encaroado 
empurrou Mairi para o cho, protegendo-a com o corpo. Joan fez o mesmo com Fiona. Gillyanne ouviu um estranho barulho vindo do castelo, como o grito de um animal 
ferido. Toda a fora lhe sumira das pernas e ela caa no cho quando Diarmot puxou-a e protegeu-a com o corpo. Gillyanne olhou para o lado e viu o olhar preocupado 
de James.
- O que aconteceu comigo? - ela murmurou.
- Levou uma flechada - ele retrucou, e olhou pra o bosque  procura do inimigo.
- Onde?
- No ombro esquerdo.
- Oh, meu Deus - ela murmurou e mergulhou na escurido que a envolvia.
Connor caiu de joelhos ao lado de Gillyanne enquanto seus homens se espalhavam para dar uma busca no bosque vizinho. Mesmo quando corria at ali, ele vira o suficiente 
para saber que
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no encontrariam nenhum exrcito. Porm, tentaria resolver o que aquilo significava mais tarde. Por ora, a vista daquela flecha cravada nas costas de Gillyanne prendia-lhe 
toda a ateno. Levou a mo para arranc-la.
- No-Fiona gritou e arrastou-se para longe de Joan a tempo de agarrar o pulso de Connor e impedi-lo de tirar a flecha.
- A flecha precisa ser removida - exclamou Connor.
- Sim, mas no desse jeito. Precisamos empurr-la, cortar a cabea fora e depois pux-la.
- Isso ser uma agonia!
- Sim, porm se arrancar como ia fazer, vai causar mais danos.
- Fiona tocou a face de Gillyanne com os dedos trmulos. - Ela explicou tudo para mim. Precisamos voltar ao castelo onde esto as ervas, a gua e panos limpos.
A despeito da tristeza e do medo que faziam a voz de Fiona tremer, Connor percebeu confiana em tudo que ela dizia. E concordou. Com toda a gentileza e cuidado de 
que foi capaz, ele ergueu Gillyanne nos braos e ficou de p.
- Connor - protestou Diarmot, ao se levantar tambm -,  seguro fazer isso?
- Sim - retrucou Connor, j a caminho do castelo, em passos rpidos, sem querer piorar o estado de Gillyanne com uma corrida.
- No h nenhum exrcito ou grupo de ataque no bosque.
- Jesus, isso foi assassinato.
-Uma tentativa. Apenas uma tentativa-esbravejou Connor, recusando-se a considerar qualquer outra possibilidade.
Sem mais palavras, entrou no castelo e subiu as escadas para o quarto. Sentou Gillyanne na cama. Fiona estava plida como morta, porm suas mos e a voz estavam 
firmes enquanto distribua ordens. Connor segurou Gillyanne conforme a flecha era removida, sentindo as entranhas se revolverem quando ela gritou, embora inconsciente.
Guarde a flecha - ele ordenou, e saiu do aposento para falar com um dos homens que j voltara da inspeo no bosque.
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Connor no ficou surpreso ao saber que os nicos sinais encontrados eram de uma pessoa s e que tinham sido impossveis de seguir. Olhou para a besta que o homem 
lhe entregou e teve de lutar contra o impulso de atir-la no fogo. Poderia ajud-lo a encontrar aquele que tentara matar sua esposa. Era uma arma que no muitos 
poderiam ter. Depois de dispensar o homem, Connor voltou para o quarto e colocou a besta perto da flecha.
Fitou, admirado, a irm trabalhar. Joan, Mairi e mesmo James atendiam s ordens de Fiona sem perguntas ou hesitao. Era evidente que Fiona no apenas aprendera 
as lies sobre cura, porm tinha uma verdadeira habilidade. A despeito do medo que sentia por Gillyanne, Connor experimentou uma sensao de orgulho pela mulher 
que sua irm estava se tornando.
Quando Fiona fez tudo que poderia, dispensou Joan e Mairi. Lavou-se e afundou numa cadeira que James colocara ao lado da cama. Depois de um longo olhar para Gillyanne, 
Fiona cobriu as faces com as mos. Connor aproximou-se e lhe afagou os cabelos.
- Trabalhou bem, garota. Estou orgulhoso de voc:
- Isso eu sei -- ela murmurou, ao erguer a cabea e limpar as lgrimas. - S posso rezar para que ela no pegue uma infeco pois tnhamos apenas comeado as aulas 
de como trat-las.
- No tenha receio - disse James. - Podemos sempre chamar minha tia Maldie ou a prima Elspeth. E Gillyanne  mais forte do que parece.
- Oh, Connor, quem tentaria matar nossa Gilly? - gemeu Fiona.
- Isso  algo que eu gostaria muito de saber - resmungou James.
- Tambm eu - disse Connor. - Temos as armas. Podem nos ajudar a encontrar o bastardo.
-- Acha que foi um Goldie ou um Dalglish?-perguntou Fiona.
- No, mas procurarei entre eles.
- Ora, Robert raptou-a, tentou roub-la de voc.
-  verdade, porm no a maltratou. Robert foi induzido a
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acreditar que poderia mudar a escolha que ela fez. Isso  tudo que ele procurava. Tambm me garantiu que eu no precisaria me preocupar com sir David. No, isso 
no foi ordenado por nenhum deles.
- Creio que foi algum mais prximo - disse James. - Algum prximo o bastante para observar e esperar por uma ocasio perfeita para atacar.
- O que faz do assassino um dos meus - Connor retrucou, baixinho, incapaz de refutar a lgica de James.
- Sim, pois um estranho a rondar logo seria notado. Isso incluiria qualquer inimigo que possamos ter.
- Mas, por qu? - perguntou Fiona. - Por que tentar matar Gillyanne?
-Uma boa pergunta. - Connor afagou a face plida de Fiona. - Se eu puder encontrar uma resposta, acho que encontrarei o bastardo que tentou matar Gillyanne. O porqu 
apontaria para quem. Pena que eu no possa pensar em alguma razo para que algum quisesse ferir minha esposa. Isso no me impediria de ter um herdeiro. J tenho 
quatro e ningum tentou matar nossos irmos. Ningum pode ficar com as terras dela. Elas viriam para mim ou retornariam aos parentes dela. E ela no desprezou nenhum 
amante. - Connor olhou para James, que meneou a cabea. - Portanto, no pode ser cime. No faz sentido.
- Voc desprezou uma amante - disse Fiona, baixinho. - Uma que j tentou causar problemas entre voc e Gilly.
- Meg? Onde arranjaria uma besta e o que teria a ganhar se fosse bem-sucedida?
- Sua cama estaria vazia outra vez - disse James, num tom de incerteza.
- Sim, porm eu no a encheria com uma prostituta que me traiu, como Meg - retrucou Connor. - E ela sabe disso.
- dio e ressentimento - murmurou Fiona. - Meg tinha uma boa vida aqui. No trabalhava e era a mulher do lorde. Tinha Poder sobre as outras mulheres tambm. Tudo 
isso se foi. Ela nunca
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gostou de Gillyanne e eu no ficaria surpresa que a odiasse agora. Pode odi-lo tambm, Connor. Por que vocs parecem to indecisos? - ela perguntou, ao ver que 
ambos a encaravam com ar hesitante. - No acham que uma mulher pode odiar com fora o bastante para querer matar algum? Ou acham difcil imaginar que uma mulher 
pudesse matar outra? Talvez ela no tenha feito isso por si mesma, tenha seduzido algum tolo para fazer o trabalho por ela.
- No vou ignorar o fato - disse Connor. - Ignorei antes e ela me traiu. No sou tolo para repetir o erro. Contudo, primeiro conversarei com sir Robert e sir David. 
sir Robert me avisou que havia outro traidor, alm de Meg, porm no me disse quem. Talvez agora ele me conte.
- V ento - disse Fiona. - Ficarei olhando por Gillyanne, e Joan e Mairi me ajudaro. Voc no pode fazer nada aqui, a no ser esperar.
- Eu ficarei - James apressou-se em dizer. - Se acontecer alguma coisa que Fiona no possa dar conta, buscarei ajuda com minha famlia.
Connor no queria partir, embora soubesse que deveria. Poderia ser uma longa espera antes que soubessem se Gillyanne iria piorar ou melhorar. Nesse nterim, o atacante 
poderia fugir at fora do alcance. A menos que se espalhasse a notcia do que acontecera, as pessoas poderiam se esquecer do que tinham ouvido ou presenciado, coisas 
que poderiam se mostrar importantes. Havia dzias de razes para sair na trilha do atacante de Gillyanne de imediato, porm ele ansiava por estar ao lado dela.
- Se alguma coisa der errado, me avise - ele ordenou e forou-se a sair, depois de enfiar a besta e a flecha num saco.
- Como est Gillyanne? - perguntou Diarmot, quando ele e Encaroado encontraram Connor ao p da escada.
- Descansando - retrucou Connor. - A flecha foi removida, a ferida limpa, costurada e coberta. Fiona est cuidando dela.
- Fiona? - Diarmot fez um ar de dvida.
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- Se tivesse visto a maneira calma porm rpida com que trabalhava, iria perceber que nossa irmzinha promete ser uma excelente curandeira. Tudo que podemos recear 
 uma infeco, pois Fiona mesmo admite que sabe pouco sobre isso, apenas comeou a aprender. sir James vem de um cl com curandeiras renomadas e no mostrou dvidas 
a respeito de nossa Fiona. Joan e Mairi tambm ajudaro.
- Voc no vai ficar ao lado de sua esposa?
- Se eu esperar muito para caar o covarde que fez isso, ele pode escapar de minhas garras para sempre. Portanto, no, vou sair  caa. Primeiro, conversarei com 
nossos aliados. - Saiu do castelo e rumou para os estbulos, com Diarmot e Encaroado logo atrs.
- No posso acreditar que seja um deles - disse Encaroado. - No ganhariam nada a no ser o renascimento da rixa entre famlias que todos demos duro para enterrar 
e bem fundo.
- Sei disso. Porm, quando resgatei Gillyanne, Robert me avisou sobre outro traidor. Ele sabe de alguma coisa. Disse que no poderia acusar algum sem provas, a 
no ser rumores. Ele pode me dizer que rumores so esses agora.
- No, no lhe darei um nome - protestou Robert, a observar Connor que, furioso, andava de um lado para outro no salo. - Voc quer algum morto, Connor, e no lhe 
darei uma vtima quando no tenho nada que lhe prove a culpa.
-Maldio, Robbie - Connor esmurrou o tampo da mesa -, se eu no pegar o bastardo que fez isso, ele poderia tentar outra vez e ser bem-sucedido. Eu quero um nome!
Robert meneou a cabea.
- No. Vou lhe dizer apenas uma coisa. Procure sua prostituta.
- Eu no tenho uma prostituta - protestou Connor. - No Preciso. Tenho uma esposa agora.
Meg o traiu uma vez - disse Robert. - Acha que a raiva passaria porque voc a chutou de Deilcladach?
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Connor jogou o saco com as armas sobre a mesa.
- Foi uma besta, Robbie. Uma arma pesada de homem. Meg no teria fora ou conhecimento para us-la. E no  uma arma que se encontre facilmente. - Ficou desapontado 
quando Robert olhou para as armas e mostrou que no as reconhecia.
- Eu no disse que foi ela, Connor. O que eu soube  que sua esposa pode ver a alma das pessoas, ler um homem como um livro. Pode olhar e saber todos os segredos 
de uma pessoa. - Robert deu de ombros. - A princpio ignorei os murmrios. Ela  uma estranha, uma forasteira, embora tenha se casado com voc. As pessoas sempre 
falam de desconhecidos. Ento, quando ela esteve aqui... - Ele meneou a cabea. - Sua esposa me fitou por um instante e depois me disse exatamente o que jazia em 
meu corao. E ento eu soube que os murmrios eram verdadeiros.
- O primo dela me contou que ela tem um dom e, bem, sente coisas e que eu deveria ouvir se ela me advertisse contra alguma pessoa. - Connor franziu a testa. - No 
posso acreditar que ele tenha contado a muita gente. Como comearam esses murmrios?
- Com aqueles que voc deixou zangados. E de algum que tem muitos segredos a esconder, o tipo de segredo que o faria matar para os manter escondidos. Esse algum 
tem medo do dom de sua esposa, teme que ela exponha verdades que jazem enterradas. Esse algum  aquele que voc procura. E, insisto, fique de olho em Meg, pois 
quem compartilha um ressentimento e um inimigo muitas vezes se rene.
-- Falarei com sir David e depois irei atrs de Meg - disse Connor, furioso que Robert ainda se recusasse a citar nomes, mas sabendo que no o faria mudar de ideia.
- David no tem nada a ver com isso.
- Sei disso. Contudo, se voc viu e ouviu coisas que eu no vi ou ouvi, talvez ele tambm.
-  verdade, mas no se zangue se ele no puder ajud-lo. David no  muito perspicaz. Se ouviu ou viu alguma coisa, pode no ter percebido que era importante.
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Connor concordou. Robert tinha razo. David era um guerreiro de inegvel fora e coragem. No entanto, poderia ser curto de ideias a ponto de fazer algum desejar 
chut-lo. No obstante isso, ele iria procur-lo. A vida de Gillyanne fora ameaada. E ele no poderia ignorar nada ao tentar descobrir quem a ameaara. Connor tambm 
sabia que se David tivesse um nome ou dois para dizer, o homem no hesitaria. David no se preocuparia com as conseqncias. Nem consideraria a possibilidade de 
que pudesse dar o nome errado.
Connor rumou para o castelo de sir David, ansioso para conversar sobre o que precisava saber e voltar assim que possvel para Deilcladach. O perigo do ferimento 
de Gillyanne, a ameaa de febre ou infeco eram algo que no lhe saam da cabea. Tinha de encontrar quem fizera aquilo, porm tambm precisava ficar perto dela 
para vigi-la de perto.
Gillyanne se tornara importante para ele, Connor se deu conta. Muito importante. Quando a ameaa que pesava sobre ela se dissipasse, ele sabia que teria que examinar 
detidamente o que sentia e ver o que poderia fazer a respeito. Precisava encontrar uma maneira de dar a Gillyanne o suficiente para que quisesse ficar a seu lado 
e contudo no deixar que os sentimentos que fervilhavam dentro dele o enfraquecessem de alguma forma. A fora e sobrevivncia de seu cl tinham de ser a coisa mais 
importante e por isso ele precisava manter-se forte. Ainda mais importante, ele precisava parecer forte, com completo controle e sem fraquezas, fsica ou emocionalmente. 
No momento, contudo, isso estava alm de sua capacidade. Sentia-se aflito por causa de Gillyanne e cheio de raiva por aquele que a ferira.
- Sente-se, Connor - resmungou David, ao servir-se de um copo de cerveja. - Beba. Vou segurar minha lngua, embora isso me custe muito. Mas a moa me envergonhou. 
No se pode culpar um homem por ficar aborrecido. Contudo, eu no tentaria matar a moa por causa disso.
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- Eu sei. O que busco aqui  informao. Robbie tem ouvido coisas, tem suspeitas, porm no me deu nomes.
- Ele conversou comigo e tambm no citou nomes. Robbie  um homem cauteloso, voc sabe. Precisa de provas, sempre mais provas. No dar ouvidos a rumores. -- David 
deu de ombros. - Boatos nem sempre refletem a verdade. Ouvi alguns poucos com respeito  sua esposa.
- Como os que Robbie ouviu?
- No sei. Dizem que sua esposa pode ver a alma de um homem. Pode descobrir segredos que algum guarda no corao. As pessoas no gostam desse tipo de coisas. Faz 
pensar em coisa do demnio ou em bruxas. Voc deveria dar um jeito de silenciar essa bobagem. A menos,  claro, que seja verdade.
- Gillyanne no tem poderes mgicos, talvez uma natureza mais... sensvel. Pode at mesmo ter um ouvido privilegiado. Uma pessoa no pode esconder tudo o que se 
passa em seu ntimo. Mostra coisas na maneira com que age, fala ou deixa transparecer. Muitos de ns no vemos isso a menos que seja muito evidente ou forte. Minha 
esposa s precisa de um sussurro. Como eu disse, sem mgica, sem demnio, apenas uma habilidade til. Se ela conhecesse os segredos, seria magia. Saber que algum 
os esconde no .
- Tem razo. Mesmo assim, os rumores comearam em algum lugar. Voc tem de descobrir onde e porqu.
- Robbie me disse para conversar com minha amante Meg.
- Por que tem uma amante? Tem uma esposa agora!
A ltima pessoa de quem Connor poderia esperar uma tal atitude de condenao seria David. Ele dormira com a maioria das mulheres em suas terras e tinha uma legio 
de bastardos.
- No tenho uma amante agora. Contudo, mesmo que eu tenha posto Meg para fora de minha cama quando me casei, fui forado pela traio de Meg a expuls-la de Deilcladach. 
Ela ficou zangada e poderia pensar em se vingar em Gillyanne. Mas precisaria de um homem como aliado, para tentar matar minha esposa, pois Meg
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no poderia disparar uma besta nem teria uma tal arma nem saberia onde arranjar uma.
- Bem, essa Meg pode no ter disparado a flecha, mas est claro que procurou ver que sua esposa fosse morta. Acusar uma mulher de ser bruxa, mesmo que atravs de 
boatos, poderia significar a morte dessa mulher, no poderia?
A observao de David fez Connor cair em silncio e mergulhar em pensamentos durante o trajeto de volta a suas terras. David tinha razo. Eram murmrios perigosos, 
do tipo que provoca mortes. Aquilo o preocupava; porm, o que o preocupava mais era que, novamente, algo particular, algo no conhecido por todos em Deilcladach, 
se espalhara alm de suas muralhas. Meg no sabia do dom de Gillyanne antes de ser expulsa de Deilcladach. Algum lhe contara depois que ela partira e apenas uma 
das pessoas que sabia fora ver Meg na cabana na vila.
- Irei sozinho conversar com Meg - Connor disse a Diarmot e Encaroado.
- Mas, se ela for parte disso... - comeou Diarmot.
-- Ento, pagar. Posso me defender contra ela, no que eu julgue que seja estpida o bastante para me atacar quando toda a vila me vir entrar em sua cabana. - No 
vou demorar.
- timo. Tome cuidado.
Ao rumar para a cabana de Meg, Connor lutou contra as concluses que se formavam em sua mente. Eram traioeiras, ingratas, dolorosas. Infelizmente, tambm respondiam 
a muitas perguntas. Desmontou. Dizendo a si mesmo que uma verdade dolorosa era melhor que mais mentiras e uma ameaa contnua contra Gillyanne, entrou na cabana.
O cheiro de sangue pesava no ar. Com cautela e sacando a espada, Connor comeou a rebuscar o lugar. Parou de repente e praguejou diante da cena com que se deparou 
ao entrar no quarto no alto da pequena escada. Seu tio estava esparramado sobre os lenis amarfanhados de uma cama, uma caneca ainda presa entre
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os dedos enquanto olhava sem ver para as vigas no teto. Estava coberto de sangue. Algum esfaqueava Neil vrias vezes, o golpe final e verdadeiramente mortal direto 
no corao. E Connor viu que o crime fora cometido com o seu prprio punhal.
Connor jogou a espada sobre a cama. No haveria respostas agora, ele pensou, ao fechar os olhos de Neil, pelo menos no aquelas pelas quais ansiava. Tirou-lhe o 
punhal do peito, endireitou-se e ento ficou rijo ao sentir as pontas de trs espadas lhe tocarem as costas.
- No pensei que voc seria tolo o bastante para buscar sua faca - disse uma voz profunda que Connor reconheceu como sendo de Peter MacDonald, o sargento de armas 
do conde de Dinnock.
- No matei o homem - retrucou Connor, ao se ver desarmado. Os homens lhe amarraram as mos atrs das costas.
- Pode contar sua histria ao conde.
Ao sarem da cabana, Connor avistou a irm e a me de Encaroado. Contou-lhes o que havia acontecido e pediu que avisassem seu irmo e Encaroado. Depois, permitiu 
que os homens do conde o levassem, sabendo que no tinha outra escolha.
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Captulo XV

Pairava um ar frio no salo de Dinnock. Connor suspeitou que viesse do homem de olhar glacial que agora encarava. Era dever do conde conduzir a justia em suas terras, 
porm era sabido que ele no gostava de ser aborrecido com tais problemas. Pior, o homem tinha grande orgulho de sua limpeza e aparncia. Depois de passar mais da 
metade do dia na sela, a buscar a verdade, Connor no ficaria surpreso de que o fato de estar sujo, cheirar a suor e cavalo ofendesse a seu lorde soberano.
- Ficou desse jeito ao tentar fugir de meus homens? - perguntou o conde.
- No, milorde. No lutei contra seus homens. Meu triste estado  em virtude de ter cavalgado durante quase todo dia enquanto procurava o vilo que tentou matar 
minha esposa.
- Ela est morta? - Lorde Dunstan MacDonald pareceu honestamente preocupado.
- No, pelo menos quando parti para comear minha busca.
- timo. No precisamos que os malditos Murrays ou quaisquer outros de seus parentes apaream por aqui em busca de vingana. Ento voc matou sir Neil porque ele 
tentou assassinar sua esposa.
No matei meu tio. - Embora a insinuao de que pudesse
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matar um homem idoso, desarmado, provavelmente bbado fosse um insulto, Connor lutou contra a raiva que borbulhou dentro dele. - Eu precisava dele vivo, tinha perguntas 
que somente ele poderia responder.
- Sua adaga foi encontrada fincada no peito do homem. - O conde olhou para o punhal que fora colocado sobre a mesa e correu o dedo pelo desenho cltico encravado 
no cabo. - At mesmo eu me recordo desta arma de uma de suas raras visitas aqui.  um belo trabalho e muito antigo.
- Foi passado de pai para filho, de lorde a lorde, desde que o primeiro MacEnroy reivindicou as terras de Deilcladach.
- Uma pea da qual voc cuida com zelo.
- Sim. Eu a guardo em meu quarto, retirando-a apenas em ocasies importantes, tais como quando vim aqui.  muito valiosa, uma das poucas peas de minha histria 
que sobreviveu  destruio com a rixa entre famlias, para ser usada como um punhal comum. O fato de us-la raramente  indubitavelmente o motivo de eu no saber 
que fora roubada.
Lorde Dunstan o estudou detidamente, ainda acariciando o cabo da adaga.
- Quer nos fazer crer que foi roubada?
- Sim. - Connor sabia que, pergunta aps pergunta, o conde tentaria lev-lo a uma confisso. E s poderia rezar para que a verdade fosse suficiente para afast-lo 
de alguma armadilha em que o astuto lorde pudesse pensar.
- E aconteceu de estar na cabana naquele exato momento?
- Sim. Eu j tinha conversado com sir Robert Dalglish e sir David Goudie. O que me disseram me levou a falar com a mulher que vive l. Eu tambm queria conversar 
com meu tio, porm no imaginei encontr-lo na cabana..
- Nem na casa de sua amante, com certeza.
-Meg foi minha amante, milorde. Livrei-me dela quando desposei Lady Gillyanne Murray. Escolhi dispensar aquela mulher. Meg no trabalhava, causava desavenas e insatisfao 
entre o
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resto das mulheres, era abertamente confrontadora e desrespeitosa com minha esposa e, finalmente, me traiu.
- Dizem que voc culpou essa mulher pelas aes impulsivas de sir Robert com relao  sua esposa. Voc no disse nada a respeito, e raptar a esposa de um lorde 
 um crime srio.
- O senhor ouviu provavelmente o relato de como eu vim a me casar. - O conde concordou e Connor ficou feliz de no ter de contar aquela histria complicada e de 
certa forma constrangedora. - Meg contou a sir Robert coisas particulares de meu castelo e o fez crer que a escolha de minha esposa poderia ser alterada. Existe 
um modo de minha esposa pr um fim ao casamento. Robbie julgou que poderia seduzir minha esposa e lev-la a se descartar de mim e casar-se com ele. Ele no maltratou 
Gillyanne e no me enfrentou quando fui busc-la de volta. Achei que fosse um erro que poderia ser mantido entre ns dois.
- Seria timo se outros lordes pudessem resolver seus problemas com tanta calma - murmurou o conde.
- Todos conhecemos bem o alto custo de fazer o contrrio, milorde.
-  claro. Contudo a mulher contou apenas um pedao de todos os boatos. No foi uma grande traio.
- Ela procurou sir Robert e lhe contou exatamente o que era necessrio para causar problemas. sir Robert  um aliado e o problema mostrou-se pequeno. Isso no diminui 
o crime. Meg fez isso simplesmente para ganhar algo para si prpria ou por vingana. No vi razo para lhe dar uma segunda chance, para arriscar que contasse a algum 
inimigo segredos mais importantes. Eu ia expuls-la para algum casebre nas charnecas porm resolvi que uma cabana na vila seria melhor pois eu poderia mandar as 
duas companheiras com ela. Afinal, sabiam o jogo que Meg fazia e mantiveram silncio, prestando mais lealdade a ela do que a seu senhor.
Eu teria sido mais duro em minha punio, se o que voc diz  verdade. Peter, d a sir Connor um pouco de vinho - o
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conde ordenou a seu subordinado.-Tenho mais perguntas a fazer a ele. No queremos que sua garganta seque.
Connor aceitou o vinho apesar de ter de tomar gole a gole pela mo de Peter, j que as suas permaneciam amarradas. O maior problema de ser acusado de algo, pensou, 
era a necessidade de provar que se dizia a verdade. Era difcil de crer que o conde aceitasse a palavra de uma prostituta contra aquela de qualquer lorde, e no entanto 
o homem obviamente levava a histria de Meg em considerao. Connor desejou que Gillyanne estivesse a seu lado pois de sbito teve a certeza de que o velho sabia 
algo que ele no sabia, algo que o fazia considerar a histria de Meg alm do que seria concebvel. Gillyanne poderia farejar algo, enquanto ele simplesmente comeava 
a se sentir mais e mais inquieto, como se apanhado em algum jogo do qual no conhecesse as regras.
- Ento, sir Connor - disse Lorde Dunstan, assim que Connor terminou o vinho -, suas explicaes tm o toque da verdade, contudo existem trs mulheres que contam 
a histria de uma forma muito diferente.
- Trs prostitutas - Connor retrucou, calmamente. - Trs mulheres que expulsei de Deilcladach onde estavam muito confortveis. Trs criaturas que agora precisam 
trabalhar para comer, o que nunca tiveram de fazer antes.
- Algo a considerar - murmurou o conde.
- Posso saber exatamente o que disseram?  evidente que as mulheres me culpam pelo assassinato de meu tio, porm disseram por que eu fiz isso?
- Porque finalmente soube a verdade sobre ele.
- A verdade? - Connor ficou tenso, sua inquietao a se transformar em medo, embora no soubesse com certeza porque se sentia assim.
- As mulheres dizem que voc se zangou ao descobrir que seu tio estava se deitando com sua amante. J que seu tio era um bbado, no cuidava das prprias palavras. 
Expressava desgosto por sua esposa, porm foi a revelao sobre o passado que fez com
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que voc o agredisse. Quando as mulheres me contaram do que o homem era culpado, confesso que senti que ele bem mereceu a sina de ser morto. No entanto, no posso 
permitir o assassinato de um par do reino. Seria melhor que o tivesse desafiado para um duelo. Um combate homem-a-homem para resolver velhos erros.
- No matei meu tio - Connor repetiu.
- Ora, rapaz, compreendo o que o levou a fazer isso. O sujeito era um traidor. Ele manteve aquela rixa mortal viva, envenenou cada tentativa de se pr um fim s 
desavenas. Soube que ele cortejava sua me, porm ela foi dada ao lorde seu pai. Sempre julguei que foi escolha dela, porm seu tio falava disso como coisa forada 
pelos pais dela. Tornou-se amargo, porm nunca imaginei o quanto isso era profundo, que se transformara em dio assassino. A rixa evidentemente estava demorando 
demais para fazer o que ele queria. Essa  a nica explicao para tamanha traio de algum do prprio sangue. Instigar os inimigos do prprio irmo com mentiras 
e depois ajud-los a rodear as defesas de Deilcladach. Ele deveria saber que sua traio poderia matar com facilidade muitos mais do que apenas seu irmo. Ele colocou 
a famlia inteira sob uma espada. Talvez tenha passado a odiar a mulher que amava tambm. - O conde deu de ombros. - Dizem que um amor escarnecido pode se tornar 
um dio profundo. Duvido que ele tenha dedicado um s pensamento a voc e s outras crianas quando soube que haviam sobrevivido. Talvez julgasse que morreriam ou 
partiriam nos tempos difceis que se seguiram, pois ele certamente no prestou nenhuma ajuda. Deve ter parecido uma bno para ele ter todos que sabiam o que ele 
fizera assassinados naquele dia sangrento.
Lorde Dunstan fixou o olhar agudo sobre Connor.
- Diga-me a verdade, rapaz, e eu me esforarei por livr-lo. Eu o faria agora no fosse o prprio rei que exigiu o fim de tais derramamentos de sangue, de se fazer 
justia com as prprias mos. No posso lutar por seu bem se voc se recusar a me dizer a verdade.
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Connor estava admirado por ainda continuar de p. Cada palavra que o conde dissera fora como um soco em seu estmago. Desde que Gillyanne chegara a Deilcladach, 
Connor soubera que se conduzira de forma cega com relao ao tio, comeara a enxerg-lo com mais clareza e no gostara do que vira. Aquela histria terrvel explicava 
muita coisa que Connor sabia e lhe mostrava a verdade, verdade que o cortara to profundamente que estava surpreso em no sangrar.
Debaixo da dor havia uma profunda e humilhante vergonha. Fora um tolo, apegara-se  cegueira da juventude. Permitira que o assassino de seus pais entrasse em sua 
casa, em sua vida, nas vidas de outros que a traio de Neil deixara rfos ou vivas. Durante todo o tempo em que Connor se esforara por ser um lorde forte, para 
reconstruir suas casas e terras, abraara o prprio homem que levara Deilcladach  runa. Se aquele devastador ataque final no houvesse saciado a necessidade de 
seu tio por vingana, Connor percebia que possibilitara a seu tio uma vasta possibilidade de mat-los a todos. Embora isso no tivesse acontecido, Connor sabia que 
era ainda assim um fracasso, um de tais propores que no acreditava ter qualquer direito de chamar a si prprio de lorde.
Agora era hora de defender-se, de explicar que no sabia de nada disso. Porm, como poderia explicar tamanha ignorncia? Com os pensamentos tumultuados, no conseguia 
pensar com clareza e duvidava que o conde ficasse sentado pacientemente enquanto ele lutava contra as emoes que o devastavam.
- No matei meu tio - foi tudo que pde dizer e ele percebeu que a afirmao soava fria, distante, sem nada revelar de seu choque ou sofrimento.
- Ah, rapaz, eu tinha esperana que pudesse confiar em mim.
-- Eu confio, milorde.
- No o bastante. Eu lhe darei tempo para pensar. Peter ir ret-lo num pequeno quarto da torre do qual no h sada. Depois de alguns dias, falaremos outra vez.
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Connor sabia que deveria agradecer quele homem, porm s conseguiu se curvar numa reverncia antes que Peter o levasse do salo. O quarto da torre em que foi colocado 
era pequeno, porm no desagradvel. Antes que as tiras que lhe prendiam as mos fossem cortadas, uma bandeja com comida e vinho fora colocados no quarto, trouxeram 
gua para que se banhasse e o fogo foi aceso com lenha deixada a mais ao lado da lareira. Ele parado ali, incapaz de se mexer ou falar, enquanto as mos eram libertadas 
e os homens saam do aposento.
Sozinho, Connor praguejou, ao se jogar de costas sobre a cama, surpreendentemente confortvel. No queria pensar. No queria contemplar a vil traio de um homem 
no qual confiara, gostara e respeitara durante anos. Mesmo na morte, o senso distorcido de vingana de seu tio o alcanava, para lhe arruinar a vida. Poderia ser 
enforcado pela morte de um homem que merecia morrer, um homem cujas mos estavam encharcadas do sangue do prprio irmo e de muitos do mesmo cl.
Mesmo que escapasse ou tivesse o nome limpo, como poderia retornar a Deilcladach como lorde? Seu fracasso fora muito grande. Connor levou as mos aos olhos e no 
se surpreendeu ao senti-los molhados de lgrimas. Era,quem sabe, uma boa hora para lamentar, para chorar por aqueles que tinham morrido por causa dos cime de um 
homem, e pela sua prpria cegueira em ver a verdade. Por mais fraqueza que isso denotasse, Connor esperava que ao dar rdeas livres  fraqueza, sua cabea ficasse 
clara. Quando se postasse diante do conde outra vez, precisaria estar de posse de toda a perspiccia e de um plano.
- Senhor - disse Peter, ao voltar para junto do conde -, no tenho certeza de que sir Connor seja culpado.
- No? - O conde sopesou o punhal de sir Connor. - Voc no mataria o homem que quase trouxe a completa destruio de seu cl, sua famlia e suas terras?
Sim, e provavelmente to lenta e dolorosamente quanto pudesse.
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Contudo, no creio que ele soubesse de alguma coisa at que o senhor lhe contou. - Peter meneou a cabea. - Ele no disse nada. Repetiu a declarao de inocncia 
como uma criana que repete uma lio. Quando o levamos para o quarto da torre, tive a sensao de que ele estava atnito, completamente estarrecido. Agia como algum 
que fora atingido na cabea com uma pedra at desmaiar.  difcil de explicar.
- No explicou to mal. Creio que mandarei uma mensagem ao rei.
- Por que julga que sir Connor  culpado?
- Ele tinha motivo, foi dele a arma e trs mulheres, prostitutas que sejam, alegam que ele fez isso. Deveria ser simples, porm no . No posso crer que sir Connor 
matasse um homem assim. Por tudo que ouvi dizer, no creio que ele agisse de modo to tolo nem se permitiria ser consumido pela raiva. Alguma coisa no se encaixa 
aqui, e eu devo informar ao rei. Ele precisa saber que um de seus cavaleiros est morto, porm no acusarei ningum do crime ainda.
- Ah,  claro. Deverei levar a mensagem?
- Sim - o conde levantou-se. - E esteja pronto para ir to logo eu acabe de escrever o maldito comunicado.
Diarmot enxugou as palmas suadas em seu gibo enquanto esperava que o guarda destrancasse a porta da priso de Connor. No conseguia crer no que estava acontecendo. 
Num momento vira Connor se afastar para falar com Meg e, no momento seguinte, a me quase incoerente de Encaroado lhe contava que Sir Neil estava morto e que os 
homens do conde tinham arrastado Connor para Dinnock para responder pela acusao de assassinato. Diarmot no conseguira dormir, ficara a andar de um lado para outro 
no quarto, a mente cheia de perguntas,  espera do dia raiar para que pudesse seguir para Dinnock. O prprio conde no fora muito claro, porm pelo menos permitira 
que ele visse Connor. Depois de lhe tirarem todas as armas, fora conduzido  torre.
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No instante em que Diarmot entrou no quarto, a porta foi fechada atrs dele. Custou-lhe um momento para que pudesse enxergar com clareza, o aposento iluminado apenas 
por um pequeno fogo. Quando finalmente viu Connor numa cadeira ao lado da lareira, Diarmot sentiu sua inquietude crescer. No havia sequer uma marca em seu irmo, 
porm Connor parecia ter sido surrado at o estupor.
- O que, pelo amor de Deus, est acontecendo? - Diarmot perguntou, aflito com o brilho sombrio nos olhos do irmo.
- Fui acusado da morte de sir Neil MacEnroy - retrucou Connor.
- Voc no mataria nosso tio.
- Depois do que eu soube, sim, eu teria arrancado as entranhas daquele porco sem hesitao. - Connor encheu novamente sua caneca e perguntou: - Vinho?
Diarmot puxou uma banqueta para sentar-se em frente de Connor e serviu-se de um pouco de vinho da jarra que Connor segurava. Havia uma raiva glacial por trs das 
palavras de Connor. Era como se toda a afeio e o respeito pelo tio tivessem de repente sido brutalmente mortos. Diarmot s esperava que a despeito do nimo sombrio 
do irmo, ele pudesse contar-lhe tudo.
- Seu punhal foi encontrado enterrado no corao de tio Neil.
- Sim, e no teve um uso to bom em uma gerao. Eu gostaria de ter sido aquele que o enterrou l.
- Por qu, Connor? Por que haveria de querer matar um homem que voc sempre respeitou e reverenciou, e por que ele merecia morrer?
Connor descansou a cabea no encosto da cadeira, bebeu um longo gole de vinho e ento fechou os olhos. Numa voz montona, sem qualquer emoo, contou a Diarmot a 
terrvel verdade sobre sir Neil MacEnroy. Quando terminou, o silncio era to pesado que Connor podia quase sentir que o oprimia. Olhou para Diarmot e no se surpreendeu 
ao ver o irmo plido e abalado.
Jesus, e ns deixamos que aquele bastardo fosse quando
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quisesse a Deilcladach, demos-lhe as boas-vindas, ficamos agradecidos que pelo menos um dos nossos parentes mais velhos tivesse sobrevivido - Diarmot balbuciou finalmente. 
- Como o conde soube disso?
- Meg e as outras mulheres lhe contaram - retrucou Connor. - Disseram ao conde que Meg e eu ainda ramos amantes, que eu discuti com Neil e, enfurecido, Neil, bbado, 
pusera para fora toda a verdade que ocultara durante tantos anos. E eu, enlouquecido, o esfaqueei. Depois enterrei meu punhal em seu corao e sa. Depois de passado 
o tempo suficiente para que Meg e suas companheiras fossem contar tudo ao conde e para o conde enviar seus homens em minha captura, eu de repente me lembrei de meu 
punhal e voltei para recuper-lo.
- Ento, Meg no apenas tenta enforc-lo por um crime que voc no cometeu, porm faz com que parea um perfeito idiota tambm - resmungou Diarmot. - Por que nosso 
tio contaria a Meg um segredo to perigoso? Ele no confiava em mulheres.
- No, porm adorava beber. Acho que ele e Meg- queriam que Gillyanne fosse embora, depois a quiseram morta quando ela no mostrou sinais de que iria partir. Talvez 
eles tenham discutido quando a ltima tentativa de se livrarem de Gillyanne pareceu fracassar. Neil pode ter deixado escapar uma parte da verdade e Meg conseguiu 
arrancar o resto dele.
- Meg no perdeu ningum nas rixas. Por que se importaria com o responsvel pelas mortes?
- No creio que ela matou Neil por esse crime. No ficaria surpreso se Meg tivesse pensado em usar esse segredo contra nosso tio para engordar a prpria bolsa. Neil 
deve ter feito ou dito alguma coisa que a provocou. Eu tambm no me surpreenderia se souber que Meg roubou meu punhal quando foi expulsa, pensando em vend-lo depois. 
E tramou para me culpar depois de assassinar nosso tio. Somente ela pode nos dizer porque o matou. S no consigo compreender porque ele lhe disse tanto, mesmo caindo 
de bbado.
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- Talvez tenha sido sua esposa que lhe destravou a lngua.
Nosso tio a detestou desde o comeo, agiu como um miservel com ela. Bem, existe a possibilidade de que soubesse que ela tem o dom de captar o que um homem pensa 
ou sente. Isso poderia t-lo deixado com medo e esse medo trouxe as lembranas das mortes hediondas muito perto da lngua. Depois, foi apenas uma questo de tempo 
antes que ele as deixasse escapar.
- Acha que ele temia Gillyanne? Ouvi falar vrias vezes sobre as habilidades dela, ontem. E os rumores se espalharam. E fazem seu dom parecer maior do que . Dizem 
que ela pode ler os segredos ocultos no corao de um homem.  claro que ela tem um senso aguado de percepo, porm o resto  tudo mentira, rumores para espalhar 
o medo e o dio por minha esposa. Julgo agora que Neil, com a ajuda de Meg e talvez com a de Jenny e Peg tambm, espalhou essas histrias na esperana que os outros 
pudessem livr-los de Gilly. - Connor riu, uma risada fria e amarga. - Foi David quem me revelou a ameaa que tais rumores representavam. Mesmo David enxergou mais 
claramente que eu. - Meneou a cabea e ento perguntou, de repente: - Como est Gillyanne?
- Bem, ainda descansando. Fiona est mais calma, no receia mais que haja febre ou infeco, e James concorda. James planeja ir a Dublin em breve para contar a histria 
para a famlia. Receia que algum boato sombrio possa chegar aos ouvidos dela e quer ter certeza de que todos saibam da verdade.
- Ah, sim, sendo que a verdade  que eu quase fiz com que a filha deles fosse morta.
- Voc? Que bobagem  essa? Voc no tem nada a ver com isso.
Eu nada fiz a no ser dar abrigo a um assassino. Abracei nosso inimigo mais mortal, trouxe-o para perto da esposa que jurei Proteger. Enquanto eu estava aqui, pensando...
- Remoendo-se-Diarmot resmungou, mas Connor o ignorou. Percebi que Neil jamais nos ajudou realmente e ele poderia
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ter feito isso muitas vezes e de muitas maneiras. Eu deveria ter me questionado sobre isso.
- Voc no o fez porque provavelmente pensou que ele no tinha nada a oferecer. Tambm sentiu que era seu dever liderar-nos, nos livrar da destruio.
- Orgulho tolo. Jesus, alguma vez que deveria ter pelo menos imaginado porque ns no poderamos nos agasalhar nos estbulos de nosso tio, por trs de espessas muralhas, 
em vez de em pequenas choas ao ar livre. Com minha cegueira, falhei com todos.
- Maldio, voc no falhou com ningum! Connor, eu nunca gostei de nosso tio. Julgava que era um intil que no fazia nada alm de vir ver nossa luta, de vez em 
quando, que comia demais e bebia mais ainda - mesmo quando havia to pouco - dormia com nossas moas e nunca ergueu um dedo para fazer alguma coisa. Sentia-se livre 
para dizer o que fazer, no entanto, no mesmo? E houve ocasies que tive vontade de bater en voc por dar ouvidos quele beberro pomposo. O jeito que agia como 
se a pobre Fiona no existisse me enraivecia.
- Voc o enxergou com mais clareza do que eu.
- J que no era eu que carregava o fardo de cuidar de todos ns, tive tempo e discernimento para pensar em outras coisas. No entanto, em todos esses anos, mesmo 
os dias em que eu quase odiava o idiota, jamais pensei que ele fosse responsvel por tudo o que aconteceu. Eu o julgava mal-humorado, egosta, intil, leviano e 
preguioso, mas ainda estou to chocado quanto voc de ouvir essas terrveis verdades. Por Deus, Connor, o homem era nosso tio! Claro que nem voc nem qualquer um 
de ns poderia imaginar que ele tivesse algo com a morte do prprio irmo, da cunhada ou de tantos do mesmo cl.
-Mas eu era o lorde! Eu deveria ter visto. Em algum momento, em doze longos anos, eu deveria ter enxergado. - Connor esfregou a mo no rosto. - No sou adequado 
para ser o lorde.  voc que... - as palavras de Connor foram interrompidas pela entrada do guarda.
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- O conde acha que sua visita j demorou bastante - disse o homem.
-  verdade - concordou Diarmot, e olhou com ar zangado para Connor ao se levantar e rumar para a porta.
- Diarmot.
- No, no posso me demorar. - E voc, fique a sentado ruminando sobre sua falha em ter o olho que tudo v do prprio Deus. Eu pretendo encontrar o verdadeiro assassino 
e tirar voc daqui. S no se remoa tanto a ponto de colocar uma corda no pescoo por um assassinato que no cometeu. Gostaria que estivesse ainda vivo quando eu 
voltar. Talvez ento eu possa colocar algum bom-senso nessa sua cabea. Suspeito que sua esposa poder me ajudar. - Diarmot bateu a porta atrs de si.
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Captulo XVI

- Voc tem de contar a ela.
Diarmot suspirou e procurou ignorar as palavras da irm. Connor estava mergulhado numa depresso perigosa e era acusado de assassinato. E isso deixara Diarmot com 
o tipo de responsabilidades as quais no queria.
A parte mais difcil, sabia, era contar ao resto da famlia a terrvel verdade sobre o tio. Gostassem ou no do homem, seriam notcias duras de aceitar. Ele mantivera 
trs cls em constante desavena, era responsvel por mais mortes do que Diarmot poderia imaginar. Mais duro ainda seria compreender que aquela verdade dava ao conde 
uma razo muito concreta para crer que Connor era culpado pelo assassinato do tio. Se no conseguissem encontrar o verdadeiro assassino, o melhor que poderiam esperar 
era que Connor fosse perdoado da morte em razo dos crimes de sir Neil.
- Como ela est passando?
- Muito bem, na verdade. Uma cura bastante rpida. Ela  bem mais forte do que se acreditava. Peguei-a de p esta manh e embora estivesse muito plida, mostrou-se 
firme. Ela precisa saber o que est acontecendo com Connor. Ir ajudar.
- Voc acha que notcias to ruins poderiam ajud-la na recuperao? - Diarmot indagou, atnito.
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-  melhor que ela saiba a verdade. Pelo menos ento ela no ficar pensando que Connor foi ferido ou est morto ou que no se importa com ela.
- Ah,  claro. - Diarmot levantou-se. - Rena os rapazes, Fiona, e leve-os ao quarto do lorde. Encaroado tambm. E onde est James?
- Partiu logo depois que Gilly acordou. Disse que via que ela ficaria bem e queria levar notcias aos parentes. Sua famlia poderia ouvir boatos e ele queria que 
soubessem da verdade. Tambm disse que os Murrays tm alguma experincia com falsas acusaes e ele poderia trazer algumas sugestes de como libertar Connor.
- Vamos, menina, rena a famlia.
-  assim to srio?
- Muito srio.
Gillyanne ficou tensa e quase temerosa quando toda a famlia dos MacEnroys e Encaroado entraram no quarto. A tenso e a inquietao de todos desabaram sobre Gillyanne.
- Primeiro, preciso lhe contar acerca de nosso tio - comeou Diarmot.
- Ele foi assassinado - disse Nanty.
- O que precisamos lhe contar  sobre aquilo que foi descoberto depois que ele morreu. Nosso tio no era quem aparentava ser. Havia coisas sobre ele que nunca soubemos, 
jamais poderamos imaginar.
Gillyanne sentiu um calafrio.
- Oh, todos aqueles segredos sombrios vieram  tona, no ?
- Sim, e so horrivelmente sombrios. - Com um suspiro fundo, Diarmot repetiu tudo que soubera de Connor a respeito de sir Neil. - Quando viu o quanto todos estavam 
plidos, Diarmot Aspirou. - Talvez no seja certo contar isso a vocs.
- No - protestou Fiona, limpando as lgrimas da face. - Fez bem. - Os outros murmuraram, concordando. - Essas verdades terrveis ficaram ocultas por tempo demais. 
Agora se espalharo
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depressa. -  melhor saber de voc do que murmuradas a nossos ouvidos mais tarde por algum estranho. Conforme passarem de boca em boca, ficaro mais sombrias, embora 
eu no possa ver como poderiam ser mais tenebrosas-Fiona murmurou, ao se sentar na cama, ao lado de Gillyanne. - - E  por isso que o conde pensa que Connor matou 
nosso tio?
- Sim - retrucou Diarmot. - Era a adaga de Connor que estava no corao de sir Neil.
Gillyanne ficou branca como cera.
- Meg a roubou quando partiu.
-  muito provvel. Connor acha que Meg e Neil estavam tramando juntos para se livrarem de voc. Conversas sobre o dom que voc tem de captar o que as pessoas pensam 
ou sentem se espalharam. E bastante exageradas. Imagino que Neil acreditasse nisso e que o medo de ver a verdade descoberta soltou-lhe a lngua. At voc chegar, 
ele provavelmente no pensava muito nisso. Ento, de repente, estava tudo de volta  sua mente o tempo todo e ele ficou apavorado que todos soubessem ou que voc 
o desmascarasse.
- Julgaram que poderiam fazer as pessoas apavoradas se livrarem de mim por eles ou me obrigar a fugir dos murmrios perigosos.
-No h nenhuma prova, nenhuma confisso e poucas pessoas em Deilcladach sabiam de sua habilidade. Deve ter sido nosso tio que espalhou os boatos.
- No que foi ajudado por Meg, Jenny e Peg. - Gillyanne calou-se por um instante e ento perguntou: - Onde est Meg?
-O conde disse que ela e as outras mulheres receberam ordens de voltar para a cabana e de ficar l, porm, quando parei na casa ao voltar de Dinnock, no vi sinal 
de nenhuma delas - retrucou Diarmot.
- No  surpresa. Duvido que tenham ido muito longe - murmurou Gillyanne, e procurou confortar Diarmot. - Elas no tm para onde ir, no tm dinheiro e nenhum parente. 
Meg tambm
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poderia querer ficar por perto para ver os resultados de suas tramas e crimes.
- Voc tem algum plano, Gilly?-Fiona perguntou, ao ajudar Gillyanne a se levantar, depois de dar a ela uma caneca de vinho.
- Tenho certeza de que Diarmot tem, Fiona - murmurou Gillyanne.
- Porm no tive tempo ainda de escolher a melhor soluo. A no ser a necessidade de encontrar o verdadeiro assassino.
-  Meg, no ? - Gillyanne tinha certeza que era, porm receava que o cime e o desgosto pudessem obscurecer sua razo.
- Creio que sim - disse Diarmot. - E Connor tambm. No pelas razes pelas quais ns mesmos poderamos ter matado aquele bastardo. Talvez nosso tio tenha destilado 
o seu veneno contra as mulheres ou enraivecido Meg ao escarnecer de alguma ideia que ela tivera.
Gillyanne meneou a cabea.
- Ela  capaz de tudo, principalmente se se sentir insultada, e seu tio poderia se mostrar bastante ofensivo. Contudo, poderemos descobrir a verdade quando encontrarmos 
Meg e as outras duas.  a primeira coisa que precisamos fazer.
- Concordo - disse Diarmot e voltou-se para os quatro outros rapazes. -- Poderemos iniciar a busca por elas agora mesmo.
- Como est Connor? Est zangado? - Gillyanne perguntou.
- Ah, no. Est deprimido.
- Oh, meu Deus. Seria melhor se estivesse zangado.
-Bem melhor. No entanto, ele acha que falhou para com todos ns, no merece ser nosso lorde. - Diarmot ergueu a mo para silenciar os protestos da famlia e de Encaroado. 
- Fiz o melhor Para faz-lo ver que ningum poderia adivinhar que segredos nosso tio escondia em seu negro corao. Como algum haveria de conceber uma coisa dessas?
Ele no mudou de ideia, no entanto.
No, Gilly. A traio corta fundo, eu creio, pois Connor via o homem quase como um pai. Agora se sente um completo idiota.
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 fcil de ver quantas vezes Neil poderia ter terminado a matana de todos os MacEnroys. E Connor pensa em como deixou aquele homem chegar perto de voc, Gilly, 
como no viu a ameaa que representava para sua vida. Isso e muito mais. Ele est preso num quarto da torre e tem todo conforto, porm fica sozinho na penumbra durante 
horas.
- E assim pode ficar se remoendo sem parar. Bem, isso se resolve. Preciso v-lo.
-- No. So vrias horas de cavalgada e voc foi seriamente ferida, dois dias atrs.
- Porm no foi nada srio. - Ela ergueu a mo quando Diar-mot ia argumentar contra. - A flecha atingiu meu ombro no alto. O msculo est bem, o osso no foi atingido 
e no sangrei muito. Sim, ainda di, mas no tanto como antes. Contanto que eu tenha cuidado e no reabra o ferimento, ficarei bem.
- Mas a viagem...
- Irei num coche que mandarei preparar para suavizar a jornada.
Diarmot franziu a testa.
- Isso ir retardar a viagem. No creio que possa ir e voltar no mesmo dia.
-Ento ficarei em Dinnock. Diarmot, no se pode deixar Connor sozinho num quarto escuro a remoer o que ele julga ser a pior das falhas. Desde o dia que seus pais 
morreram, o nico propsito na vida de Connor foi a proteo e a sobrevivncia do que restou de sua famlia e de seu cl. Ele no pode se convencer de que fracassou. 
Ele precisa de algum que lhe ponha senso na cabea.
- Voc tem razo, porm talvez fosse melhor se eu fizesse isso.
Gillyanne negou com a cabea.
- Como esposa, tenho umas poucas maneiras de... ah... melhorar o humor de Connor, que voc no tem. - Gillyanne piscou para Diarmot, que sorriu, enquanto os outros 
caam na risada. -
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Ele no ir me esmurrar se eu disser alguma coisa que ele no queira ouvir.
- Ora, esse  um argumento forte - murmurou Diarmot e riu. - Pode ir. Leve Fiona, Encaroado e dois outros homens com voc. Meus irmos e eu iremos caar Meg enquanto 
voc estiver fora e arrancar a verdade dela.
- Se no conseguirem, eu farei isso ao regressar.
- Creio que posso ser um bocado mais ameaador que voc.
- Sim, para uma moa que no conhea voc como Meg conhece. Ela sabe de suas fraquezas.
- Que fraquezas? - perguntou Diarmot, ofendido.
- Ora, o fato de que voc provavelmente no conseguiria machucar uma mulher.
- Ah, eu no tinha pensado nisso. - Ele franziu a testa. - Tambm no tenho certeza de que ela acreditaria que voc pudesse ferir algum.
- Confie em mim, Diarmot, ela acreditar. Para deixar Meg apavorada, levarei Joan para ajudar-me. - Riu ao ver que todos os homens arregalavam os olhos. - E, uma 
ltima coisa - descubra tudo que Connor fez naquele dia. Onde esteve, quando foi  cabana e quem o viu.
- Por qu?
- Podemos provar que ele simplesmente no teve tempo ou oportunidade de matar ningum.
- Moa, voc tem uma mente admirvel.
- Obrigada. Agora, vamos nos preparar para ir ao encontro do conde e de meu marido deprimido.
Connor olhou incrdulo para a pessoa que Peter introduzia no Quarto. Julgou que estivesse sonhando. Gillyanne no poderia estar ali de p, um tanto plida, mas saudvel. 
Da ltima vez que a vira, ela estava inconsciente, e acabara de ter retirada uma flecha do Oonbro. Embora ele tivesse perdido a noo de tempo, isso fora aPenas 
trs dias atrs.
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- Jesus, Connor, no lhe deram nenhuma vela? - perguntou Gillyanne, estreitando os olhos numa tentativa de enxerg-lo melhor na penumbra.
- Se eu acender uma, voc pode desaparecer, j que no  mais que uma viso provocada por bebida demais e pensamentos dolorosos.
- Voc parece muito deprimido.
Connor acendeu uma vela e voltou-se para fit-la. Realmente parecia um pouco plida, porm estava firme de p e a expresso irritada na face era mesclada de um toque 
de pesar. Era impossvel que uma mulher frgil como Gillyanne, que fora ferida por uma flecha, trs dias antes, em Deilcladach, estivesse ali em Dinnock, agora, 
fisionomia fechada a encar-lo.
- Voc no deveria estar na cama? - ele perguntou.
- Soube que voc estava deprimido e resolvi que precisava que eu lhe pusesse senso na cabea.
Gillyanne sentou-se na banqueta e Connor voltou para sua cadeira.
- Talvez eu apenas tenha sonhado com o ataque - ele resmungou.
- No. Fui ferida. - Abriu o corpete, puxou-o para o lado e ergueu a bandagem de linho que cobria o ferimento. - Viu? Est feio, porm est sarando.
Ela tinha razo, ele pensou, ao olhar o ferimento. Parecia mais antigo. Na pele clara e macia, parecia feio. Por um instante, o olhar de Connor caiu sobre os seios 
de Gillyanne. Seu corpo retesou-se  vista dos mamilos rosados, duros e convidativos. Desviou de novo a ateno para a ferida, de volta  horrvel recordao de 
como falhara em proteg-la. Ento, levantou-se e recostou-se contra o aparador de carvalho da lareira e fitou as chamas. Ainda a queria, com loucura, mas no tinha 
mais qualquer direito de toc-la.
Gillyanne franziu a testa. Por um breve momento, Connor reagira como era comum diante da vista dos seios apenas cobertos pelo tecido fino. Agora, teria de ser mais 
agressiva. Connor precisava
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ser trazido ao bom-senso, porm parecia estar afundado em depresso. E isso tinha de ser afastado para que ele pudesse ouvi-la, paixo, ela resolveu, seria a maneira 
de consegui-lo..
No seria difcil, imaginou, ao fit-lo. Ele usava apenas as ceroulas de linho. Pelos cabelos molhados, ele devia ter acabado de tomar um banho. Ao apreciar cada 
centmetro daquele corpo, o olhar de Gillyanne parou sobre a evidente prova de que ele no estava completamente controlado como queria fazer supor. Se ela pudesse 
faz-lo sentar, Gillyanne sabia exatamente como seria seu plano de ataque.
- Voc no deveria ter vindo aqui, Gillyanne - disse Connor, ao olhar finalmente para ela e ver que no cobrira os seios.
- No? Eu deveria ter ignorado o fato de que voc est sendo acusado de um crime que no cometeu e que est deprimido a ponto de tomar uma deciso insensata?
Connor afundou-se na cadeira, tomou um longo goled e vinho e encarou-a com o rosto fechado.
- No sou o homem adequado para ser lorde.  dever de um lorde proteger sua famlia e o cl. Eu fracassei. Fui um cego, abracei meu inimigo, deixei que entrasse 
em minha casa e atacasse minha prpria esposa.
Gillyanne ajoelhou-se entre as pernas do marido.
-Ele era seu tio, Connor.-Ps a caneca de lado e lhe acariciou as coxas. - Sangue do seu sangue. Quase todo mundo confia no sangue at que faam algo terrvel que 
quebre essa confiana.
-Ele sobreviveu. Isso deveria ter levantado uma suspeita, uma dvida. - Connor estava julgando difcil ignorar as carcias e a aquela posio provocante.
- No, isso provocaria exatamente o que provocou - faz-los gratos que um outro membro da famlia tivesse sobrevivido  matana.-Ela se inclinou, deslizou as mos 
at os quadris de Connor
beijou-lhe o ventre liso. - Voc  um homem justo e honrado, Connor MacEnroy, que passou a maior parte da vida lutando para manter seus irmos vivos. No  de se 
surpreender que, dentre
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todos, jamais considerasse a possibilidade que um homem pudesse fazer de tudo para ver o irmo e a famlia mortos. Se fosse outro qualquer, talvez voc pudesse se 
maldizer por no ter visto a ameaa, mas era seu tio, o prprio irmo de seu pai, acolhido com amor na casa. Voc no pode se culpar por no ter visto o demnio 
nele. Ningum mais viu.
- Voc viu - Ele estendeu a mo e afagou os cabelos de Gillyanne, o corpo todo a ansiar por ela.
- No, vi uma alma atribulada. - Ela soltou-lhe as ceroulas. - Vi um homem atormentado. - Curvou os dedos em torno do membro ereto e acariciou-o, saboreando o tremor 
que percorreu o corpo de Connor por inteiro e a maneira com que as pernas dele se fechavam, prendendo-a. - Vi que ele estava cheio de raiva e segredos sombrios, 
porm nunca teria imaginado a plenitude de seus crimes. - Gillyanne inclinou-se mais e substituiu os dedos pela lngua, feliz com o profundo gemido de prazer que 
arrancou do marido.
- Diarmot disse a mesma coisa - ele conseguiu dizer, por entre os dentes cerrados.
- Temos razo, e se voc parasse de se martirizar, concordaria com isso.
- Talvez - Ele comeava a acreditar que permitira que a autopiedade o consumisse, porm o desejo o impedia de falar.
Connor recostou a cabea na cadeira e fechou os olhos enquanto lutava para se controlar. Queria ter a fora para se sentar ali, simplesmente desfrutando dos toques 
quentes daquela lngua, do calor daqueles beijos, da carcia dos dedos longos. Gillyanne parecia saber o quanto ele ansiava para se demorar naquele atordoamento 
sensual. E quase agradeceu o breve instante de ausncia de carcias, quando ela parou para lhe tirar as ceroulas.
Ento, ela o tomou por inteiro na boca. Connor agarrou-se nos braos da cadeira, a lutar para conter o prazer at um nvel prximo  necessidade de liberao. Ela 
fazia amor lentamente, de uma maneira que o deixava louco. Como uma criana a tentar fazer seu
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doce favorito durar tanto quanto possvel, ele pensou, e a ideia lhe pareceu to elogiosa que ele percebeu que precisava pr um fim quela brincadeira.
Afastou-a com doura. Com cuidado para no lhe tocar o ferimento, ergueu-a nos ps. Gillyanne parecia ligeiramente atordoada.
- Tire seu vestido - ele pediu, e ficou a observ-la enquanto ela se despia at ficar apenas com a fina combinao e as meias.
Quando ele lhe ergueu a perna, pousando-lhe o p sobre sua coxa, e comeou a lhe tirar a meia, Gillyanne apoiou-se no brao da cadeira com uma das mos e, com a 
outra, fez um gesto de modstia.
Ao lhe tirar a mo da combinao, Connor murmurou:
- No, permita a seu pobre homem espiar aquilo que ele tanto quer.
Gillyanne enrubesceu, mas no discutiu, mesmo quando o olhar foi mais que uma espiada. Logo, a maneira com que ele lhe acariciava a perna, da coxa at o p, a deixou 
em chamas. Quando ele tirou a outra meia, ela tremia toda. E quando deslizou a mo at o meio das pernas e comeou a provoc-la, ela suspirou de prazer.
- To quente e to mido - ele murmurou e beijou-a no ventre. - Sente-se aqui.
Puxou-a e sentou-a nas pernas, as coxas a lhe prenderem as ndegas. Lentamente tirou-lhe a combinao. Ainda a prend-la nas coxas, beijou-a, um beijo lento e vido.
Gillyanne gemeu de puro prazer quando ele a ergueu ligeiramente e comeou a lhe sugar os mamilos. Depois, Connor beijou-lhe e lambeu-lhe o ventre, at os quadris. 
Ela ento, enterrou os dedos nos cabelos dele, exigindo que desse fim quele tormento. Ele lentamente puxou-a para baixo, unindo seus corpos. Comeou a lhe beijar 
os seios outra vez. E Gillyanne envolveu-o nos braos. Um instante depois, ele deslizou a mo por entre os corpos para tocar aquele ponto sensvel acima da juno 
carnal.
Ento, os espasmos comearam dentro dela. Por um instante,
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ele saboreou a sensao, o grito de prazer a lhe ecoar nos ouvidos, antes de berrar ele prprio quando chegou s alturas do delrio.
Gillyanne abriu os olhos e viu que Connor espiava seu ferimento. Doa um pouco. Percebeu que estavam na cama. Recordou-se de Connor carreg-la at ali.
- Di um pouco, mas no mais do que doa quando cheguei - ela murmurou.
Quando ele ia responder, uma batida soou na porta. Connor praguejou. Levantou-se e vestiu as ceroulas quando se deu conta de que ningum nunca batera antes. Olhou 
para Gillyanne que puxara as cobertas at os olhos e, ento, rumou para a porta. Abriu-a e viu Peter e Encaroado no corredor.
- Voc no deveria ter deixado que Gillyanne fizesse essa viagem - disse a Encaroado.
- Sua esposa  to teimosa quanto voc - retrucou Encaroado, ao colocar uma pequena sacola dentro do quarto. - Partirei ao amanhecer.
Peter entregou uma bandeja com comida e bebida nas mos de Connor e em seguida fechou e trancou a porta. Connor colocou a bandeja sobre a cama. Depois, olhou para 
a sacola antes de encarar Gillyanne.
- Veio preparada para ficar? - perguntou.
- Bem, depresso pode ser difcil de expulsar. - Gillyanne sentou-se, puxou os cabelos por sobre os seios e serviu-se de uma grossa fatia de po.
- Bem, creio que ela sumiu por enquanto - retrucou ele, ao tirar as ceroulas e enfiar-se na cama. - Mesmo assim,  bom que voc fique para passar a noite, s para 
o caso de eu cair de novo nela, uma ou duas vezes at o sol nascer.-Piscou para Gillyanne, que riu, e ento perguntou: - Ento, vai voltar a Deilcladach? Para fazer 
o qu?
- Pretendo encontrar o verdadeiro assassino e tirar voc daqui. Ele examinou-a por um instante, atnito ao perceber que aquela
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frgil mulher iria ajud-lo, iria salv-lo. Fazia um longo tempo, se  que acontecera alguma vez, que algum fizera algo por ele. Sorriu.
- Se algum pode conseguir,  voc, minha esposa - ele murmurou. - Agora, coma. Precisa de foras.
- Meu ferimento est sarando bem.
- No  por isso.
- Para pegar o assassino?
- Nem por isso tambm. Por cumprir seu dever como minha esposa e banir qualquer depresso que eu possa me sentir inclinado a ter durante a noite.
- Ah, ser um prazer, meu marido.
- Eu realmente pretendo que seja, minha esposa.
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Captulo XVII

Gillyanne sentou-se  mesa para comer. Voltara do castelo do conde fazia horas, porm todos tinham permitido que ela descansasse. Fiona provavelmente lhes saciara 
a impacincia repetindo tudo que Gillyanne lhe contara.
Estava morrendo de fome depois daquela longa noite sensual com Connor e tambm pela cansativa viagem.
De repente, recordou-se como dera boas-vindas  manh, com Connor dentro de si, e estremeceu de renovado prazer. Connor abandonara a depresso. Mostrara-se at irritado 
e frustrado por depender dos outros para livrar-se do problema. Ela sabia que no era por no confiar nos demais, mas porque era um homem acostumado a liderar, no 
seguir, e certamente no costumava ficar sentado e esperar.
- Encontraram Meg - anunciou Fiona, ao entrar no salo.
- Por favor, conte-me tudo.
- Um pobre idiota pensou que Deus lhe sorria ao lhe mandar trs moas adorveis que procuraram refgio em sua humilde cabana. No se sentiu to glorioso quando todos 
aqueles MacEnroys zangados e bem armados bateram  sua porta. Angus disse que o homem quase jogou as mulheres nuas para fora e bateu a porta, mas Diarmot lhe ordenou 
que deixasse que elas recolhessem os
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pertences. Meg comeou a xing-los e tentou fugir. Eles lhe ataram as mos e a amordaaram. Isso fez com que as duas outras se mostrassem bastante cooperativas. 
Portanto, Meg est aqui,  espera de interrogatrio.
- Isso vai estragar o que parecia um dia lindo - Gillyanne resmungou e sorriu quando Fiona soltou uma risada. - Ah, a vem o resto.
- Suponho que Fiona j lhe contou tudo - disse Diarmot, quando ele, os irmos e Encaroado se sentaram  mesa. - Tentei fazer Meg falar, mas ela infelizmente no 
revelou nada enquanto praguejava, entre insultos e ameaas a ns. Oh, e nos assustou com a possibilidade de Connor ser enforcado pelo assassinato de nosso tio.
- Terei de falar com ela, no ?
- Receio que sim, Gillyanne - retrucou Diarmot. - Tem certeza de que poder faz-la confessar? Eu... ah... no vejo porque voc deva sofrer com o veneno que ela 
vai destilar.
- Com a ajuda de Joan, eu a deixarei com muito medo ou talvez muito zangada. Vocs j verificaram tudo o que Connor fez naquele dia para que possamos provar que 
ele no teve tempo nem oportunidade para matar o tio?
- Sabemos o que fez porm todas as testemunhas so de MacEnroys. No so as melhores para o conde.
- No. Contudo, se o sangue ainda estava fresco quando os homens do conde chegaram, poderemos argumentar que o assassinato foi cometido depois do meio-dia. Estranho, 
pois considerando o quanto demoraria para Meg chegar at o conde, contar a histria e em seguida para os homens rumarem para a cabana, mesmo que forassem os cavalos, 
teria se passado tempo bastante para o sangue secar.
- Porm Meg no precisou cavalgar at Dinnock. Ela encontrou os homens do conde a meio caminho, numa vila em que faziam patrulha. Peter mandou as moas contarem 
ao conde o acontecido enquanto ele e seus homens seguiram para a cabana. Quando Peter
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voltou a Dinnock, j com Connor, o conde mandara as moas para a vila.
- Portanto, seu tio foi assassinado depois que eu fui atacada. Seria fcil provar que Connor no poderia fazer isso, pois estava comigo e em seguida foi procurar 
sir Robert e depois sir David. Ser que podero atestar isso?
- Por que no pergunta voc mesmo? - disse Diamort. Gillyanne olhou para a porta do salo e quase arquejou. Encaroado entrava, ao lado de sir Robert e sir David.
- Pensei que estivesse ferida - disse Robert, ao se aproximar da mesa, com sir David a segui-lo.
- Estava - retrucou Gillyanne, convidando-os a sentar. - O ferimento est sarando depressa.
- Faz apenas trs dias.
- Quatro, e no foi nada srio.
- Soubemos o que aconteceu a Connor e julgmos que podemos ajudar. Ele passou a maior parte daquele dia cavalgando para falar conosco. - Robert franziu a testa. 
- No sei porque algum haveria de pensar que Connor pudesse matar o tio. O sujeito era irritante e intil, porm Connor parecia gostar muito dele.
Gillyanne levantou-se.
- Vou deixar que Diarmot e os outros lhe contem toda a histria. Preciso ir e arrancar uma confisso de Meg.
- Acha que ela matou sir Neil? - perguntou Robert.
- Oh, sim, embora eu no saiba a razo. - Gillyanne olhou para Diarmot. - Onde est Meg?
- Amarrada a uma cadeira na cozinha. Suas duas amigas esto presas nos estbulos.
- A cozinha  um bom lugar. Fica distante e com a porta fechada, ser impossvel distinguir se os gritos so de raiva, medo ou dor.
- Pretende faz-la gritar? - perguntou Robert. Gillyanne preferiu ignorar o ar divertido nas feies de Robert.
- Creio que ela far uma gritaria pois est furiosa e com medo
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que a verdade venha  tona. Contudo, qualquer um sentado aqui ficar convencido de que a mulher est sendo cruelmente torturada. Portanto - olhou para Diarmot -, 
traga as outras para c. Acho que voc pode faz-las acreditar que estou arrancando a pele de Meg viva na cozinha. Elas contaro tudo, mesmo que Meg no fale.
- Moa esperta - resmungou Diarmot -, muito esperta.
- Se conseguir uma confisso, ento no precisar de ns - disse David, quando Drew e Nanty saram para buscar as duas amigas de Meg.
- Oh, sim, precisarei - disse Gillyanne. - Pretendo apresentar ao conde tantas provas da inocncia de Connor quanto eu possa conseguir. Assim, ele no ficar apenas 
livre, porm seu nome ser limpo.
- Um bom plano, senhora - disse Robert -, embora eu no tenha certeza de que seja capaz de assustar Meg a ponto de confessar um crime pelo qual ser enforcada.
- No? - Gillyanne sorriu. - Meg est presa na cozinha, que est cheia de todo tipo de coisas ameaadoras, facas enormes. E prestes a ficar frente a frente com uma 
mulher cujo marido se deitava com ela enquanto tinha de fazer todo o trabalho que Meg no fazia, e comigo, uma mulher a quem destratou. Creio que ficar muito, mas 
muito assustada quando a porta estiver fechada. - Gillyanne pde ouvir as risadinhas dos homens ao se dirigir para a cozinha.
Aquilo seria um calvrio, pensou Gillyanne, ao entrar e olhar para Meg. Meg no estava machucada ou sangrando, porm o estado de suas roupas e os cabelos emaranhados 
diziam a Gillyanne que ela lutara e que os homens no haviam sido gentis ao rend-la. E a mulher tambm tremia com a fria da raiva que a dominava. Gillyanne captou 
o cheiro de medo, dio e abominao. O que parecia estranho era que aquelas emoes fortes no pareciam dirigidas apenas a ela e a Joan, porm a todos. A mesma mistura 
que infectara sir Neil MacEnroy. No era de se admirar
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que duas almas contaminadas depois de juntas por um certo tempo, acabassem por entrar em choque.
- Que tolice matar seu protetor - disse Gillyanne, cruzando os braos no peito, ao encarar Meg.
A risada de Meg foi de escrnio.
- Connor matou o velho idiota. O bastardo ser enforcado por isso.
Ela jogou a cabea para trs para afastar os cabelos do rosto com uma arrogncia que fez Gillyanne desejar esbofete-la.
- Eu era a melhor que ele poderia ter e o idiota me ps de lado. Por qu? Por uma nanica sem peito?
Gillyanne percebeu que o insulto no a atingia. Connor gostava de seus seios, achava-os excitantes. Isso a deixava imune s provocaes de Meg.
-Isso no vem ao caso. Amantes so muitas vezes descartadas. Porm no esfaqueiam um bbado e acusam o antigo amante do crime. Por que voc matou aquele homem?
- No o matei. Como poderia uma mulher matar um homem? No, foi Connor. Ficou louco quando soube a verdade sobre o tio. Talvez essa verdade impea Connor de ser 
enforcado, j que o homem que ele matou merecia a morte.
- Na verdade, acho que a ltima coisa de que voc gostaria  a liberdade de Connor. Ele sabe quem matou seu tio e jogou a culpa nele. Assim que ficar livre, pode 
procurar por voc. - Gillyanne percebeu que o medo de Meg tornava-se mais forte.
- Ele no se daria ao trabalho. E eu no estarei aqui. Eu, Jenny e Peg vamos  corte do rei. L existe dinheiro e amantes gentis e excelentes, no os grosseires 
que moram em Deilcladach.
- No creio que ela v nos dizer o que queremos saber, Joan - disse Gillyanne.
- Ento precisamos persuadir a vagabunda - retrucou Joan. Joan parecia ansiosa, pensou Gillyanne. Provavelmente queria se vingar do sofrimento que Meg lhe causara. 
Porm Gillyanne confiava que Joan lhe seguiria as ordens.
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O que era preciso era algo ou para assustar Meg ou para enraivec-la a ponto de cuspir a verdade, mesmo que num estado de fria desafiadora. Ento Gillyanne viu 
Meg jogar os cabelos para trs daquele seu jeito arrogante e percebeu qual ttica usar. Meg era vaidosa de suas feies, seu corpo e seu cabelo. No teriam coragem 
de machuc-la no corpo ou no rosto, porm certamente poderiam fazer um dano considervel quela cabeleira.
- Eu lhe darei a ltima oportunidade de nos dizer a verdade, Meg - disse Gillyanne.
Os olhos de Gillyanne se arregalaram com a praga que Meg lhe rogou: Ento ela se dirigiu  bancada onde vrias facas e outros instrumentos pontudos e cortantes estavam 
dispostos, estudando-os. Se ela e Joan investissem contra o orgulho e a vaidade de Meg, tanto com palavras como com atos, Gillyanne tinha certeza de que todo o dio 
e abominao iriam transbordar. Com isso, arrancariam uma confisso que livraria Connor de qualquer suspeita.
- O que faremos agora? - perguntou Joan, num sussurro, ao testar o peso e o fio de uma faca enorme.
-Vamos cortar-lhe os cabelos-Gillyanne retrucou baixinho.
- Os cabelos?
- A mulher  vaidosa, Joan. J que nenhuma de ns teria coragem de lhe cortar a face ou aqueles malditos seios com que seduz cada homem, poderemos acabar com aquela 
espessa cabeleira de que ela tanto se orgulha.
- Ah, entendo. Se ela no confessar at quando lhe cortarmos tudo fora, podemos raspar-lhe as sobrancelhas e arrancar aqueles malditos clios longos Sim, isso a 
deixaria mais calva do que um ovo.
Gillyanne mordeu o lbio para no cair na risada.
- Devemos cortar-lhe os cabelos da forma mais lenta que pudermos, e, assim, acabarmos com aquele enorme orgulho dela. Ela est afogada em dio e eu espero que nos 
diga o que aconteceu quando dirigir essa raiva sobre ns. Acha que pode fazer isso?
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- Sim. Posso. - Joan pegou a faca que Gillyanne segurava. - E a retalharei com palavras.
- Diga qualquer insulto que lhe vier  mente. Precisamos enterr-la em escrnio e ridculo.
- No seria difcil - Joan murmurou e, faca na mo, avanou para Meg, com Gillyanne logo atrs.
A risada de Meg foi to desafiadora que fez Gillyanne rilhar os dentes. E ela caoou.
- Voc no tem coragem de usar isso em mim.
Joan agarrou uma mecha espessa dos cabelos de Meg e cortou fora e antes de jog-lo de lado, examinou-o.
- Como eu pensei - cheio de piolhos. Gillyanne concordou.
-  difcil mant-los limpos quando se passa a maior parte de costas com as pernas para o ar.
- Suas putas!
No demorou muito para Gillyanne saber que aquelas duas palavras berradas seriam as coisas mais gentis que Meg diria. E a mulher realmente berrou, o que iria deixar 
apavoradas as outras sentadas no salo. Gillyanne rezou para que entre as pragas proferidas, as blasfmias e os insultos, um pouco da verdade emergisse, antes que 
ela ficasse surda.
- Pelos santos e mrtires, o que se passa aqui?
Diarmot olhou para James, que estava na soleira da porta, parecendo preocupado enquanto os berros de Meg ecoavam pelo salo. Saltou da cadeira e correu para encontrar 
James antes que o homem pudesse dizer mais alguma coisa. As duas mulheres estavam prestes a se render, Diarmot tinha certeza, e logo contariam tudo. Uma palavra 
errada da parte do primo de Gillyanne poderia arruinar todo o plano.
Diarmot aos sussurros contou-lhe tudo o que acontecera desde que James partira.
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- Jesus - James resmungou. - Acha que o plano de Gilly vai funcionar?
- Ah, sim. Aquelas moas esto batendo os dentes de medo. Se souberem de alguma coisa sobre o assassinato, logo estaremos ouvindo tudo. - Diarmot passou o brao 
pelos ombros de James e conduziu-o at a mesa.-No creio que a brincadeira v demorar muito.
Quando James sentou-se, um grito horripilante veio da cozinha. Um rpido olhar para as outras duas mulheres lhe disse que Diarmot tinha razo. Qualquer que fosse 
a lealdade que tivessem por Meg, estava desaparecendo.
- Ela a est matando, no est? - perguntou Jenny, chorosa.
- Jesus - murmurou Jenny, o olhar apavorado fixo na porta da cozinha. - Ela est gemendo agora... Ns no fizemos nada! - berrou, de repente.
- Calada - esbravejou Peg. - Se disser alguma coisa, Meg vai nos matar.
- No acho que  com Meg que precisamos nos preocupar agora, voc acha? - Jenny olhou para Diarmot. - Meg matou aquele velho idiota. Eles estavam tramando contra 
a senhora do castelo desde o comeo. Primeiro tentavam faz-la querer ir embora, depois induziram sir Robert a rapt-la e por fim tentaram mat-la.
Peg concordou.
- Acharam que dizer aquelas mentiras sobre ela faria o povo ficar com medo e a matar como uma bruxa. Isso no pareceu funcionar e ento resolveram que precisavam 
eles mesmos fazer isso. Meg era como uma rainha aqui at Lady Gillyanne chegar. Culpou-a quando perdeu todo aquele conforto e vida fcil. No sei porque seu tio 
a queria morta, contudo.
- Ele disse certa vez que o casamento com ela deixou a todos muito fortes - emendou Jenny. - Disse que no veria o fim de vocs agora. No explicou o que queria 
dizer, apenas balbuciou alguma coisa sobre no permitir que aquela Murray os tornasse
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fortes e quem sabe ricos. Assim, ficou  espreita em Deilcladach por alguma chance de livrar-se dela e encontrou naquele dia quando ela e outros danavam no campo. 
Quando a flecha no a matou, ele desistiu.
- Sim - concordou Peg -, e foi isso que comeou a discusso. Meg queria que ele continuasse tentando. O velho alegou que estava cansado de tudo e que estava morrendo, 
de qualquer forma. Meg gritou com ele e Sir Neil comeou a falar de fantasmas e pecados do passado e de como iria morrer porque seus intestinos estavam sangrando 
e que ele fracassara porque muitos de vocs continuavam vivos. Meg tentou obrig-lo a fazer o que ela queria, at mesmo lhe dar um monte de dinheiro, ameaando de 
contar a todos os crimes do velho.
Jenny meneou a cabea.
- Ele riu e disse a ela que no viveria muito para enfrentar qualquer carrasco. Depois comeou a insult-la e ridiculariz-la. Meg ficou cega de raiva. Ento, de 
repente, comeou a esfaque-lo, vrias vezes. Nem sei quantas facadas lhe deu, at enterrar aquele punhal no corao de sir Neil.
- E depois vocs foram procurar o conde e confirmar as mentiras de Meg - Diarmot disse, a voz fria de raiva.
- Estvamos com medo - disse Peg, quando Jenny comeou a chorar de novo. - Um cavaleiro sagrado estava morto e Meg no estava bem da cabea. No sabamos mais o 
que fazer.
- O que faro  contar essa histria ao conde - esbravejou Diarmot - e retirar a acusao contra meu irmo.
- Mas Meg...
- Creio que Lady Gillyanne cuidar dessa ameaa.
- Eu no esperava que ela fosse chorar - murmurou Joan, ao se recostar contra a parede e olhar para Meg. - No parecia ser uma mulher capaz disso.
Gillyanne olhou para Meg, que chorava e resmungava na cadeira.
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- Ela no est rezando ou pedindo perdo. So lgrimas de raiva e ela est praguejando contra ns.
- Acha que ela est louca?
- Sim. Assim como com sir Neil, a raiva e a amargura finalmente lhe roubaram o juzo, a deixaram maluca. - Ouviu-se uma suave batida na porta e Gillyanne entreabriu-a 
e quase riu diante da espiada cautelosa que Diarmot deu para dentro. - Acabamos aqui. E as outras?
- Puseram para fora tudo que queramos saber e esto chorando e clamando inocncia.-Diarmot entrou na cozinha e arquejou: - Nossa, ela est quase careca!
Ao se voltar, Gillyanne olhou para Meg por um instante. Parecia realmente pattica. Tudo que sobrara da gloriosa cabeleira eram uns tufos aqui e ali pela cabea. 
Joan fora, talvez, excessivamente zelosa em seu trabalho, o que era compreensvel. E Meg se mostrara notavelmente teimosa na recusa em confessar, apesar da ira violenta 
em que mergulhara.
- Deixamos um pouco - murmurou Gillyanne. - Cuidado ao se aproximar dela. Est quase louca, eu acho, e  um tipo de loucura perigosa. Todo dio e fria so em grande 
parte dirigidos aos homens. Ela precisa ficar bem presa tambm.
Diarmot chamou seus irmos, Drew e Nanty, para ajudar a ele e a James. Foram preciso os quatro pois, no momento em que foi solta da cadeira, Meg comeou a lutar 
como um animal encurralado. Enquanto ela e Joan tentavam ficar o mais longe possvel da mulher que gritava vingana, Gillyanne desejou que um dos homens apenas deixasse 
Meg inconsciente. E acompanhou Jon no profundo suspiro de alvio quando Meg foi finalmente amarrada e amordaada. Drew chamou dois outros homens para levar Meg 
dali, para os calabouos.
Quando Gillyanne entrou no salo, a maneira com que todos a fitaram deixou-a constrangida. Os olhos arregalados de Peg e Jen-ny eram os piores e Gillyanne sentiu-se 
aliviada quando Diarmot
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as levou para um pequeno quarto da torre. Ela se aproximou da mesa e serviu-se de uma caneca de vinho.
- Deveremos partir para o castelo do conde ao raiar da manh - disse Diarmot, ao voltar. - Acha que pode nos acompanhar?
-Talvez eu pudesse cavalgar com algum. No creio que pese tanto que possa atrasar o passo do cavalo. Diarmot sorriu e concordou.
- S preciso decidir quem ir ficar aqui. Drew - ele comeou e suspirou com o protesto do jovem. - Voc conhece as regras de Connor. Um dos cinco irmos deve sempre 
ficar.
-No-James o interrompeu -, eu ficarei. Depois de chegar de Dublin, no estou com vontade de voltar ao lombo de um cavalo.
- J que est tudo resolvido, creio que irei me deitar - disse Gillyanne, inclinando a cabea ao desejar boa-noite aos homens e sorrindo para James, que se apressou 
em acompanh-la at o quarto. - Como est a famlia?
- Muito bem. Mame mandou um ungento para passar no ferimento. Espera ver como vai a cura com os prprios olhos muito em breve.
- Em breve? - Gillyanne ficou tensa.
- Dois, trs dias. - James pousou a mo no ombro de Gillyanne, obrigando-a a fit-lo. - Ainda incerta?
- Sim. Mas creio que estou muito cansada para pensar nisso agora.
- Descanse. S uma ltima coisa. Mame diz para voc se perguntar se est disposta a arriscar tudo antes de desistir de Connor, se seu orgulho vale tanto, que talvez 
fosse melhor deix-lo de lado e deixar que o homem soubesse exatamente o que ir perder se voc o deixar. Durma bem, prima. - Beijou-a na face e se afastou.
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Captulo XVIII

Payton? - Gillyanne exclamou, incrdula, quando o belo primo levantou-se para cumpriment-la, assim que ela entrou no salo de Dinnock. - Payton! - gritou, e correu 
para lanar-se nos braos dele.
- Voc est tima, adorvel - disse Payton, e beijou-a na testa.
- Sim, estou bem.
Gillyanne tomou a mo de Payton na sua e apresentou-o aos demais. Encaroado e Fiona o cumprimentaram alegremente, porm os outros permaneceram cautelosos. Os homens 
sempre reagiam assim para com Payton, at conhec-lo melhor. Contudo, Gillyanne ficou a imaginar porque sir Robert e Sir David mostravam-se to cautelosos como os 
irmos de Connor. Talvez fossem aliados mais prximos do que algum deles tivesse se dado conta. O lao no fora reconhecido porque no fora testado antes.
- Como aconteceu de voc estar aqui, Payton? - ela perguntou. - No sabia que conhecia o conde.
- Oh, no conheo, apenas de cumprimentar - retrucou Payton. - Eu o vi na corte. Estou aqui porque o conde notificou ao rei o assassinato de Sir Neil MacEnroy. O 
intendente do conde, Peter, me caou, explicou o assunto e disse que o conde julgava
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melhor ter um de seus parentes aqui. - Payton deu de ombros. - Ento fui ao rei, disse-lhe que voltaria para casa por algum tempo e perguntei se tinha alguma diligncia 
da qual quisesse me encarregar, principalmente uma que pudesse realizar por ele durante minha viagem a Donncoill. Por conseguinte, fui escolhido para trazer a resposta 
do rei a Dinnock e o assunto no ficou inteiramente nas mos do conde.
- Oh, que bom.
- Voc tem provas de que seu marido  inocente? O conde e eu jantamos juntos e ele me contou a triste histria. Seu marido tinha boas razes para querer o tio morto.
- Connor no matou o tio, Payton. No sabia a verdade sobre aquele homem at que o conde lhe contou tudo. Tenho provas que mostram que o assassinato foi cometido 
quando Connor no estava perto daquela cabana e duas testemunhas do paradeiro dele para confirmar isso. Tambm tenho a verdadeira assassina, embora eu receio que 
esteja louca no momento. Existem contudo duas testemunhas do assassinato. So as mesmas mulheres que acusaram Connor. Acha que o conde aceitar isso?
- S h um jeito de ter certeza. Voc deve perguntar a ele. Ei-lo que chega. Voc se sair bem.
-Esteja pronto para trazer aquelas mulheres - Gillyanne disse a Diarmot e ento caminhou at o conde.
Gillyanne rilhou os dentes por ter de cumprir as formalidades. A cortesia s vezes era pura tortura.
- Ento, milady, veio impedir que seu pobre marido caia em depresso mais uma vez? - perguntou o conde. - Ouvi dizer que foi muito bem-sucedida antes.
Gillyanne controlou o impulso de enrubescer e praguejar. No precisava ver o brilho divertido nos olhos do conde nem ouvir a inflexo de sua voz para saber que ele 
lhe ouvira os berros de prazer na noite em que visitara Connor. Talvez tivesse de usar uma mordaa quando ela e o marido faziam amor. Logo toda a Esccia
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saberia que Lady Gillyanne MacEnroy berrava como um clarim quando se deitava com o marido. Era de mortificar qualquer um.
- Ele est deprimido de novo, milorde? - ela perguntou, sabendo que seu ar de inocncia no enganaria o conde.
- No. Est cansado de ficar aprisionado, entretanto. Quem so aquelas pessoas com seu primo?
Apontando cada um enquanto os nomeava, Gillyanne acrescentou:
- Vieram me ajudar. Creio que posso provar que Connor no poderia ter matado Neil pois estava em outro lugar quando o assassinato foi cometido. - Ela olhou para 
Peter. - Voc chegou  cabana ao entardecer?
- Sim-respondeu Peter. - Voltamos depressa para c antes que escurecesse.
- E o sangue ainda estava fresco?
- Estava mais fresco que seco.
- E j que Meg lhe contara que vira Connor matar o tio, isso significa que o homem foi morto depois do meio-dia.
- Sim, isso seria o mais provvel - retrucou o conde.
- Ento Connor no poderia ter cometido o assassinato pois estava  procura de sir Robert Dalglish, em Dunspier, para ver se ele poderia ajud-lo a descobrir quem 
tentara me matar. Dali, foi atrs de sir David Goudie, em Aberwellen, para ver o que ele sabia. Depois, tomou o rumo de Deilcladach e mandou Diarmot e Encaroado 
continuarem em frente enquanto ele passava na cabana para conversar com Meg e talvez com o tio, duas pessoas que agora sabia serem as culpadas. Eu trouxe sir Robert 
e sir David comigo, pois eles se ofereceram gentilmente para atestar tudo que acabei de dizer.
Gillyanne ficou sentada enquanto o conde ouvia os dois cavaleiros. Robert e David no apenas confirmaram o que ela dissera, mas tambm deixaram claro que no acreditavam 
que Connor pudesse ter matado sir Neil. Quando o conde os dispensou, Gillyanne
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percebeu que o conde acreditava na inocncia de Connor. Podia lhe sentir o alvio por poder declar-lo inocente.
- Muito bem pensado, milady - disse o conde. - Eu jamais julgaria que uma mulher fosse capaz de perceber a importncia de o sangue estar ou no seco.
- Ah, ora, venho de uma famlia abenoada com muitas curandeiras experientes - ela retrucou. So pequenos detalhes que se observa ao aprender tais habilidades.
- No seja modesta, milady. Foi uma bela defesa, precisa e sem deixar dvidas. Suponho que pretenda me apresentar o verdadeiro assassino agora.
- Sim, mas acho que o senhor j sabe quem . - Olhou para os companheiros. - Podem traz-las agora, por favor?
O conde suspirou e meneou a cabea.
- As mulheres,  claro. Aquela de nome Meg?
- Sim, milorde. As outras duas mentiram por ela, porm estavam com muito medo. H loucura brilhando nos olhos de Meg, milorde, e eu posso entender porque as mulheres 
a temiam e faziam o que ela dizia, principalmente ao se verem s voltas com o assassinato de um cavaleiro. Contudo tais mentiras mancharam o nome de meu marido e 
poderiam mand-lo para as gals. E elas no contaram a verdade de boa vontade ou apenas porque era o certo, mas por medo. Eu as defrontei com uma ameaa maior e 
mais imediata. Portanto, receio que eu no possa resolver o que fazer com elas.
- Se no empunharam o punhal ou tramaram o assassinato, no as mandarei enforcar.-Ele sorriu quando Gillyanne suspirou de alvio.-Porm, o mais depende de quanta 
culpa compartilham com a lder. Pelo amor de Deus - exclamou, ao olhar de olhos arregalados para a porta.
Gillyanne encolheu-se ligeiramente quando Diarmot e Angus arrastaram Meg at diante do conde, com Robert e David a acompanhar Peg e Jenny, extremamente abatidas. 
Amarrada e amordaada, a se debater na mo dos captores, a cabea raspada evidente,
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era uma triste figura, realmente. Seu olhar, contudo, e os sentimentos de dio e abominao que Gillyanne ainda sentia nela, diziam que qualquer simpatia que sua 
aparncia pudesse despertar logo seria dissipada quando a mordaa fosse retirada.
O conde mostrou-se firme quando falou com Jenny e Peg. As duas mulheres contavam a verdade agora, encolhendo-se entre Robert e David quando Meg a fitava com um olhar 
malevolente.
Depois que as duas foram retiradas do salo, o conde ordenou que a mordaa de Meg fosse removida. Mesmo o conde arregalou os olhos diante dos palavres, blasfmias 
e a confusa ladainha de dio e fria que brotou da boca da mulher. Gillyanne rezou para que ele no estivesse to chocado que perdesse os bocados de confisso que 
se espalhavam entre tanto veneno.
- Amordace-a - Lorde Dunstan ordenou, com voz sombria. - Como no enxerguei tamanha loucura? - ele se perguntou enquanto Meg era amordaada e arrastada para fora 
pela guarda.
- Estava bem escondida, milorde - Gillyanne retrucou. - Creio que o assassinato trouxe tudo  tona. Mesmo as razes pelas quais ela matou sir Neil MacEnroy podem 
ter ajudado a romper o controle que ela exercia sobre isso. Depois, o plano bem elaborado de ver Connor enforcado pelo crime foi por gua abaixo. A cada pequena 
coisa que dava errado, ela perdia mais e mais o controle sobre essa loucura que habitava dentro dela. Assim que a raiva tornou-se to grande que arrebentou as rdeas, 
isso tudo transbordou.
- O que aconteceu aos cabelos dela?
- Ah, bem, assim como se faz quando algum tem febre, foi preciso cort-los para tentar libertar os demnios de que ela est possuda.
- Demnios, hein? Ento por que deixaram alguns tufos aqui e ali?
Gillyanne pde perceber que o conde no acreditara em uma Palavra do que ela acabara de dizer. Felizmente tambm sentiu
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que no se importava com a mentira nem que ela tivesse forado a confisso de Meg.
- Bem, ns no quisemos deix-la inteiramente careca. - Gillyanne esperou que todos parassem de rir e perguntou, com doura: - Vai libertar meu marido agora, milorde?
- Claro. Peter, v e traga o marido dela. - Assim que Peter saiu, o conde voltou-se para Gillyanne. - Vou mandar enforcar Meg. Pode ser at uma gentileza j que 
ela est completamente louca. As outras duas mulheres sero mandadas para uma propriedade distante. No tero permisso de partir, porm podero escolher - ou trabalham 
honestamente ou de costas. No me importo.
Nem Gillyanne. No queria que fossem enforcadas porm precisavam ser punidas pelo que tinham feito, ao acusar Connor injustamente.
Payton postou-se ao lado da prima e lhe deu um abrao.
- Saiu-se bem, moa. Muito bem. Ah, creio que seu marido est chegando - ele murmurou. - E com pressa. Ansioso para sair daquele quartinho, sem dvida.
Gillyanne agarrou o punho que Connor ia desferir no belo rosto de Payton e exclamou:
- O que est fazendo?
- O que parece que eu estou fazendo? - Connor esbravejou e logo teve vontade de rir ao ver o jeito com que Gillyanne se pendurava com as duas mos em seu punho. 
- Pretendo esmurrar esse sujeitinho bonito e esborrach-lo no cho. - Solte-me.
- Ele  meu primo. E um hspede do conde. No pode esmurr-lo.
Connor olhou para o conde e concordou.
- Creio que voc tem primos demais - resmungou. Gillyanne soltou o punho de Connor e ficou surpresa quando ele a segurou pela mo e puxou-a para perto.
- Connor, este  meu primo, sir Payton Murray de Donncoill - ela murmurou, quando Payton se postou diante deles outra vez.
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- Payton, este  meu marido, sir Connor MacEnroy, lorde de Deilcladach. - Os dois se inclinaram de um jeito brusco.
- Por que est aqui? - Connor perguntou a Payton, ao se recordar de algumas das histrias que Neil havia contado a respeito daquele belo homem.
- Quando o conde avisou o rei sobre a morte de sir Neil MacEnroy, perguntando se o julgamento poderia ser deixado em suas mos, pediu tambm que um Murray fosse 
aquele que trouxesse a resposta do rei. Afinal, voc est casado com uma Murray. Por enquanto.
Ao ver o modo com que os olhos de Connor se estreitavam, Gillyanne se apressou em dizer:
- Bem, agora poderemos desfrutar de uma bela visita.
- No, agora voltaremos a Deilcladach. - Connor olhou para o conde. - Estou livre?
- Sim - respondeu o conde. - Sua esposa me trouxe o verdadeiro assassino. Seu acusador - aquela mulher, Meg. Ela ser enforcada e as duas companheiras mandadas para 
bem longe.
E, naturalmente, como herdeiro de sir Neil, todas as propriedades dele viro para voc.  um pequeno legado porm creio que, com quatro irmos e uma irm para sustentar, 
voc ficar satisfeito.
- Diarmot levantar tudo que meu tio possua, milorde. No creio que sir Neil tivesse um relatrio.
Ou um relatrio honesto, pensou Gillyanne. A maneira com que o conde e Connor se olhavam lhe dizia que ambos pensavam o mesmo. No havia como saber o que Diarmot 
acabara de receber porm com certeza faria bom uso disso.
- Eu a verei em breve - Payton disse a Gillyanne.
- Quando? - ela perguntou, vendo que Connor o fitava de cara fechada.
- Depois de amanh. Daqui a duas noites. Espero que saiba o que fazer com elas, querida.
- Se partirmos agora, chegaremos em casa a tempo de voc
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me preparar um banho - disse Connor, ao puxar Gillyanne pela mo e arrast-la para fora do salo.
Ainda atordoada com as palavras de Payton, Gillyanne despediu-se com palavras de gratido para o conde. Duas noites, o primo dissera. Duas curtas noites para tentar 
conseguir um sinal de afeio por parte do marido, antes de fazer uma escolha. Na primeira, resolveu, ela iria simplesmente desfrutar do fato de que Connor estava 
livre e seguro. Depois de tudo que acontecera nos ltimos dias, no tinha cabea para arquitetar algum plano.
Quando rumavam para casa, Gillyanne olhou ao redor e percebeu que estavam cavalgando longe dos demais. E estremeceu quando a mo do marido insinuou-se para dentro 
de suas ceroulas e ele comeou a acarici-la lentamente.
- Connor - ela gemeu, baixinho -, os outros.
- No podem nos ver.
- Posso fazer barulho.
- E eu o abafarei com um beijo.
- Vo perceber o que estamos fazendo.
- Se olharem por outro ngulo, pensaro que estou tentando seduzir minha esposa.
- Isso  seduo?
- Sim. - Mordeu-lhe o lbulo da orelha. - Agora, quietinha, mulher - ele deslizou um dedo para dentro dela, bem fundo, e saboreou o gemido de prazer - e cavalgue.
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Captulo XIX

A claridade do quarto assustou Gillyanne, quando ela se espreguiou. Ento suspirou e sentou-se. Era o sol, a brilhante luz do sol da manh tardia. Connor naturalmente 
decidira que ela precisava descansar e ordenara a todos que a deixassem dormir. Era considerao, gentileza da parte dele, e poderia ser um sinal de ternura. Tambm 
era a ltima coisa que Gillyanne desejava. Tinha muito a planejar para ficar dormindo o dia todo.
Fez as ablues matinais e se vestiu. Chegara a hora de conseguir uma clara indicao do que o marido sentia por ela.
Pergunte a si mesma se seu orgulho ir lhe dar tanto conforto. Resolva o quanto est disposta a arriscar se desistir de Connor.
Gillyanne praguejou quando o conselho da me ressoou em sua mente. Sua me tinha razo e ela sabia disso. S gostaria que no tivesse. Valia a pena subjugar o orgulho, 
mesmo que por uma noite? A resposta era sim.
Depois de prender os cabelos, Gillyanne abriu a porta e seguiu at o salo. Era assustador pensar em abrir o corao, expor os sentimentos a um homem que dera poucas 
indicaes do que sentia Por ela. Connor era muito possessivo, o que a maioria dos homens era. No mais se mostrava ardente de noite e frio durante o dia, Porm 
no era mais afetuoso. Conversava mais com ela agora,
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porm somente quando estavam sozinhos no quarto e muito pouco. Era uma verdadeira troca de preocupaes, mgoas ou alegrias. A paixo entre os dois era fervente 
e poderosa, porm ela no tinha certeza se Connor a sentia profunda e completamente. A paixo de Gillyanne era mesclada de amor. A de Connor poderia no passar de 
simples luxria. Porm teria de enfrentar o jogo. Iria se abrir com ele  espera que tivesse algo com que retribuir. Se no lhe desse nada, magoaria mais do que 
ela gostaria de pensar. Por isso estava assustada.
- Ah, Joan - disse, quando a criada saiu da cozinha com uma bandeja de po, queijo, mas e leite de cabra -, preciso falar com voc. Meu primo Payton disse que 
minha famlia chegar amanh.
Joan colocou a bandeja sobre a mesa e sentou-se ao lado de Gillyanne.
- Vai nos deixar?
- No existe segredo por aqui?
- Muito pouco. Todos ouvimos o que sir James disse a nosso lorde. A senhora pode pr um fim a este casamento porqu foi forada a se casar.
-  quase certeza que meu pai conseguiu o direito de terminar meu casamento com Connor. S espero que Connor no saiba que me defrontarei com essa escolha amanh.
-No direi a ele.-Joan sorriu.-Parece desleal, mas apenas um pouquinho. A senhora quer deix-lo?
- Oh, no. Eu realmente amo aquele bruto. Joan concordou.
- Porm...
-  errado de minha parte querer alguma coisa dele, algum sinal de afeio? Peo tanto assim?
- No, senhora. Se no tivesse escolha, eu lhe diria para fazer o melhor com isso, encontrar a felicidade que pudesse. Talvez com os filhos que pusesse no mundo 
ou em manter a casa bem cuidada ou at mesmo ao usar suas habilidades de cura. Porm, a senhora
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tem outra opo. Trouxe-lhe um belo pedao de terra e muitos novos e teis aliados. Na verdade, deu muito a ele, mesmo ao faz-lo ver que no faz mal se divertir 
um pouco. Ele poderia lhe dar mais alm de gritar de prazer e ser fiel, embora no seja pouco. Eu poderia jurar que existe algo mais. Contudo...
- Se houver, ser que ele iria demonstrar ou manter enterrado dentro dele? Este casamento tem boas coisas, se comparado a outros. Porm, preciso de mais, Joan. Preciso 
saber o que realmente interessa a meu homem, que eu tenho um pedao de seu corao. Para ser honesta, eu o queria por inteiro mas, por enquanto, aceitaria um pedao. 
Vou seguir o conselho de minha me, deixar o orgulho de lado e deixar que Connor saiba exatamente o que ir perder se eu o deixar.
- Uma mulher sbia. E como planeja fazer isso?
- Pretendo mostrar o que est em meu corao. No sou como ele, porm ningum pode desejar oferecer tudo apenas para se sentir menosprezada.  muito sofrimento. 
Contudo, eu o farei e quem sabe ele se mostre mais terno e me d algo em que ancorar minhas esperanas. Se no, bem, a humilhao no h de durar para sempre, pois 
posso ir-me embora amanh.
- Se ele no lhe der essa esperana, merece que a senhora o deixe. E se ele cair em si mais tarde?
- No me torturarei com essa esperana, porm se ele me oferecer um pouco do que preciso,-posso voltar. Eu o amo demais.
- E como posso ajudar?
- Bem, comeo a recear que toda a Esccia saiba que existe um lugar onde Connor e eu combinamos. Eu gostaria que isso fosse um pouquinho diferente - sedutor, romntico.
- Porque voc poderia ter a coragem de que precisa.
- Exatamente. Talvez umas poucas ervas para o banho. De cheiros msculos,  claro. Se sentir o aroma de rosas e lavanda, provavelmente vai fugir para Edimburgo. 
- Gillyanne riu com Joan. - E velas.
- Das boas, com um toque de perfume. Sim, temos algumas.
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- Todas as comidas favoritas de Connor, principalmente os doces. Nada de morangos. Se eu comer um, vai me dar coceiras.
- O que no  muito sedutor.
- No. Cobertas macias junto com as que esto l. Meu primo Payton sempre diz que coisas macias agradam a um homem e que as mulheres adoram a sensao delas na pele. 
E se algum sabe de algo a respeito disso,  meu primo Payton. Ah, e algo provocante para vestir. Eu tenho.
- Tem?
- Sim. Minha prima Avery me deu. Ela acha que roupas assim fazem uma moa se sentir linda e atraente. E diz mais, que algumas vezes provoca mais um homem do que 
se voc estivesse nua.
-- Se a senhora ficar, gostaria de conversar mais sobre o que seus primos lhe ensinaram. - Joan corou. - Talvez se eu for... bem, mais esperta, meu Malcolm no v 
procurar outra moa de novo.
- Ah, Joan, eu ficaria feliz em lhe contar. Porm, Malcolm, eu creio, acreditava no que aquele idiota do Neil lhes disse durante anos - que ter amantes e uma esposa 
 perfeitamente aceitvel, todos os homens tm e as esposas sabem, permitem e at agradecem.
Joan sorriu ligeiramente.
-Quando Malcolm veio se desculpar, eu lhe disse essas coisas. Eu realmente julgava que eu no me importava, que sabia o que todos os homens faziam. Acho que o deixei 
surdo ao reclamar de tamanha idiotice.
- Que bom para voc. Agora, vamos aos planos para minha noite de confisso.
- Ah, senhora, estou to esperanosa que d certo...
- No mais do que eu, Joan, no mais do que eu.
Connor entrou no quarto e parou, imobilizado de surpresa. Lentamente fechou a porta atrs de si. Havia um aroma a pairar no ar, um cheiro de ervas que achou muito 
agradvel. A lareira no estava acesa, porm havia velas por todo o quarto, a ilumin-lo
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com uma luz suave. Ele no sabia de onde tinham vindo, mas o cho estava coberto com macias peles de carneiro e um manto de veludo vermelho estava sobre a cama. 
A mesa perto da lareira exibia uma grande variedade de comida e bebida. Gillyanne estava de p ao lado da banheira, usando uma camisola e um nglige do mais puro 
linho que eleja vira, preso ao corpo por fitas delicadas.
- O que  tudo isso? - ele perguntou, ao se aproximar dela e comear a tirar o gibo.
- Uma pequena celebrao. Voc est livre e o perigo passou - ela murmurou, ao ajud-lo a se despir.
S de v-la se mover, as roupas e os longos cabelos a se balanarem numa provocante dana, fez com que Connor desejasse deit-la sobre uma das peles de carneiro 
e possui-la no cho.
- Voc j se banhou.
- Sim. - Gillyanne dobrou-lhe cuidadosamente as roupas e colocou-as de lado enquanto ele entrava na banheira. - Esta noite  para voc.
- Para mim? Quero voc comigo dentro da banheira.
- No.-ela murmurou, ao esfreg-lo. - Temos a noite toda. Aquilo soava muito intrigante, pensou Connor. Uma coisa que ele tinha de sobra era pacincia e controle, 
ou pelo menos costumava ter at que descobrira o que era fazer amor com Gillyanne. Tambm gostava da ideia de celebrar a liberdade, de ter o nome limpo. Quisera 
celebrar na noite anterior, porm depois de uma relao altamente satisfatria, ele percebera que Gillyanne estava exausta. Tinha feito de tudo para livr-lo da 
acusao, e ele quase se esquecera que fora ferida, poucos dias antes. Era evidente que estava bem descansada agora, ele pensou, ao sair da banheira e ao deixar 
que a esposa o enxugasse.
Arregalou os olhos ao sentir que depois da toalha que lhe enxugava as costas, veio o toque clido dos lbios dela. Connor fechou os olhos e respirou fundo, procurando 
controlar-se. Quando ela o beijou nos quadris, ele estremeceu.
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Ela continuou a secar-lhe os braos e a excit-lo com pequenos beijos.
- Quanto tempo pretende demorar? - ele perguntou, numa voz rouca.
- Muito tempo. Por que negar a uma moa a oportunidade de desfrutar desse belo corpo?
Connor estremeceu mais uma vez quando ela lhe lambeu os mamilos. E Gillyanne continuou at o ventre, acariciando-lhe as ndegas e murmurando elogios. Ele sabia que 
era grande e forte e que as moas pareciam gostar de sua aparncia, porm ningum jamais dissera isso em tons to calorosos. Gillyanne dizia em voz alta o que ele 
vira nos olhos dela e ele descobriu que isso provocava um sentimento prazeroso dentro de si. Ela o julgava bonito, perfeito, o que o excitava. Era bobagem, claro.
- Esqueceu um lugar - disse, quando ela passou do ventre para as pernas, ignorando aquela parte dele que ansiava em ser tocada.
- Como se pudesse - ela murmurou, ao enxugar e beijar as longas pernas e o vo das coxas. - S estou guardando o melhor para o final.
Comeou a enxugar-lhe os testculos com mais cuidado e ateno do que era necessrio. Tocou-lhe o membro com um gesto suave.
- To grande, tudo que qualquer mulher pediria. Acho que voc  lindo aqui tambm. Todo feito de seda e ao. Quando eu o vejo assim, duro e arrogante, s posso pensar 
em como se enterra dentro de mim, enchendo-me de prazer.
Connor gemeu baixinho, e enfiou os dedos nos cabelos de Gillyanne, enquanto ela o lambia.
- Moa, voc j me deixou ardendo em chamas e no tenho certeza do quanto eu possa agentar.
-Aproveite, meu amor. Eu posso esperar. Aproveite at o fim, se desejar.
Ele no sabia exatamente o que Gillyanne dissera, se realmente
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lhe oferecia um prazer do qual s ouvira falar e que no tivera coragem de pedir ou tentar induzi-la a fazer. S pde deixar escapar um gemido rouco quando ela comeou 
a am-lo com a boca. O calor da cavidade, o toque da lngua e as carcias das mos hbeis o faziam tremer. Por tanto tempo quanto conseguiu, ficou a v-la acarici-lo, 
mesmo que soubesse que a viso tornava mais difcil manter o controle. Ento perdeu a capacidade de pensar com coerncia, e afundou no prazer que ela lhe proporcionava.
Aps um alvio que o deixou cego e trmulo, passado algum tempo, Connor se deu conta do que fizera. Gillyanne o mantivera no limiar do clmax por tanto tempo que 
ele no sabia exatamente quando mergulhara no xtase. Cautelosamente, abriu os olhos, e viu que ela lhe beijava o ventre. Ao ergu-la de p, percebeu que estava 
atordoada e ruborizada de desejo. Nenhum sinal de desgosto. Por dentro, soltou uma risada de prazer e alvio e levou-a para uma das cadeiras perto da mesa. Sentou-se 
e puxou-a para o colo.
Comeou a dar-lhe de comer e deixou que ela o alimentasse, vendo que a respirao de Gillyanne voltava ao normal. Era um homem de sorte. Jamais tivera uma amante 
to apaixonada e nunca haveria de esperar encontrar uma na pessoa frgil e bem-nascida de Gillyanne. Timidez e modstia ocasionalmente emergiam, tentando confinar 
a paixo, porm Gillyanne no as deixava vencer. Ele, por sua vez, queria tais emoes completamente afogadas. Pretendia pagar de volta o ato de amor que ela lhe 
dera e um pouco de vinho facilitaria tudo. Fez Gillyanne beber um bom gole.
Algo, contudo, o angustiava. Uma leve insatisfao. No fazia sentido. O que poderia ser? Tinha uma esposa que lhe trouxera um belo dote, uma que ajudava a restituir 
a Deilcladach a glria que nem ele sabia que algum dia havia desfrutado, uma que achava linda e uma que o chamava de "meu amor".
Quase se engasgou com o vinho que bebia. Meu amor, ela o Chamara de meu amor. Connor percebeu de sbito o quanto desejava realmente que isso fosse verdadeiro. Ele 
a queria bem mais do que apaixonada, mais que apreciadora de seu corpo, mais que
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obediente e cumpridora de seus deveres como esposa. Ele queria que gostasse dele, que o amasse. Ali estava a raiz da insatisfao. Ele no sabia realmente como Gillyanne 
se sentia a respeito dele, s podia imaginar pelo jeito com que o fitava ou o acariciava. Ao pensar nas maneiras de mant-la a seu lado, ele ponderara sobre a paixo 
que partilhavam, at considerara dar-lhe filhos, porm, agora, ele sabia que o que era preciso para mant-la em Deilcladach era amor. Gillyanne tinha de am-lo ou 
ele no poderia jamais ter certeza de que ela ficaria ali. E Connor resolveu que, antes que deixassem aquele quarto, teria de saber o que havia realmente no corao 
da esposa.
- Foi uma tima refeio, moa - disse, e colocou-a de p. Gillyanne franziu a testa quando Connor comeou a tirar todas as coisas da mesa.
- No precisa fazer isso.
- Sim, preciso. - Assim que a mesa estava limpa, olhou para ela. -  uma noite para mim, no ? Para celebrar?
- Sim.
- Ento tire essa roupa bonita, moa.
- Era para provoc-lo.
- Oh, j fez seu trabalho e  por isso que quero que tire. Connor ficou a observar enquanto ela soltava o nglige e a camisola, deixando-as escorregar at os ps. 
Os longos cabelos a reluzir com toques avermelhados  luz das velas, eram um manto a lhe cobrir os seios enquanto Gillyanne dobrava cada pea e as colocava numa 
cadeira. Ela era magra e frgil, porm ele julgava aquele corpo simplesmente lindo. Um arrepio percorreu Gillyanne quando ele beijou-a pela coluna e depois pelas 
ndegas, antes de volt-la para que o encarasse. Afastou-lhe os cabelos e deslizou as mos para os seios. E se deliciou quando os mamilos endureceram ao toque de 
seus dedos e a respirao de Gillyanne se acelerou. Lentamente, ele correu as mos at o ventre dela e insinuou-as entre as pernas. Ela tentou comprimir as coxas. 
Um rpido olhar
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para a face de Gillyanne mostrou que estava ligeiramente constrangida.
- Ah, moa, voc diz que me acha bonito. Para mim - ele acariciou-lhe a parte mais ntima com os dedos hbeis -, isto  beleza. - Endireitou-se, pegou a pele de 
carneiro e estendeu-a sobre a mesa. Depois, ergueu a esposa do cho e sentou-a sobre a pele. - Pretendo me afogar em tamanha beleza - murmurou, ao puxar a cadeira 
para perto da mesa e sentar-se.
- Connor - ela balbuciou, mas os ombros largos entre suas pernas a impediram de fechar as coxas.
- Ora - ele tirou a mo com que ela tentava se proteger -, no lhe neguei o prazer que me proporcionou.
- No, porm voc  homem. Homens no tm qualquer modstia.
- Vou ensin-la a no ter nenhuma neste quarto.
Connor inclinou-se e comeou a beijar-lhe os seios at sentir que ela se soltava. Acariciando-lhe as pernas, prendeu-as entre os ombros. Quando se ps a lhe beijar 
o ventre, Gillyanne j se agitava e balbuciava e gemia do jeito que ele tanto gostava. Todo o corpo dela ficou tenso, contudo, quando ele finalmente alcanou o objetivo 
e correu a lngua por aqueles plos macios e avermelhados.
-Minha linda Gilly, seja sincera; voc gosta disso tanto quanto eu. S estou retribuindo o presente que voc me deu. - Beijou-a de novo. -: Diga-me, Gilly. Diga-me 
o quanto gosta disso.
Gillyanne gritou num misto de prazer e relutncia quando o calor daquele beijo ntimo espalhou-se por todo seu corpo, a acabar com toda a resistncia e a deixar 
apenas o prazer.
- Sim, Connor, sim. Isso me deixa louca.
Ela enterrou os dedos nos cabelos dele, enquanto ele a amava. Ficou a observ-lo possui-la assim, e subitamente compreendeu Porque ele a observara quando lhe dera 
prazer. Era embriagador, aumentava as sensaes deliciosas. Logo a fora do desejo obrigou-a a fechar os olhos. Quando o alvio explodiu em convulses, ela caiu 
sobre a mesa, a lhe gritar o nome, porm ele continuou
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incansvel, a lhe reacender o desejo antes que findasse. Da segunda vez em que chegou ao clmax, ela gritou que o amava.
Quando Gillyanne recuperou o senso, sentiu que Connor acalmava o calor que ainda a requeimava com um pano mido. E quando isso provocou uma fasca de interesse em 
seu corpo saciado, ela se maldisse: era uma devassa. E se lembrou que seu plano lhe escapara das mos. Corou e ento sorriu, quando Connor inclinou-se e beijou-a 
na face.
- Ento, minha esposa me ama - disse Connor, ao lhe mordiscar a orelha.
Ela estremeceu de prazer quando ele traou o contorno da orelha com a lngua. Era uma completa rendio ao plano que ela concebera. Sabia que pretendia lhe dizer 
que o amava. Contudo, seria de um jeito romntico, quando ela estivesse no controle. Berrar quando estava sobre a mesa como um fil de hadoque era indigno. Pior, 
isso dava o controle a Connor e no o faria sentir-se obrigado a lhe oferecer algumas palavras de afeio, em retorno.
- Sua esposa disse isso, no ?
- Sim, disse.
- Talvez voc tenha imaginado. - Seu corpo vido fez com que ela lhe acariciasse as pernas com os ps.
- J que colocou isso aos berros para fora, suponho que posso perguntar ao pessoal no salo, para verificar. Talvez at mesmo aos rapazes no estbulo.
- Estou comeando a pensar que sou eu que estou enganada - ela resmungou e gemeu quando ele a penetrou profundamente, segurando-a pelas ndegas.
-E creio que terei de faz-la dizer de novo. S para ter certeza, sabe?
Gillyanne olhou para o teto do quarto e repetiu cada palavro que sabia. Ele a fizera dizer de novo que o amava. Na verdade, daquela vez que ele lhe amarrara os 
pulsos nos paus da cama e
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lambera o creme que espalhara sobre ela, Gillyanne suspeitava que tivesse murmurado que o amava uma dzia de vezes.
E que declaraes ouvira? Nenhuma. Nem uma. Ao pensar no que ele dissera naquela noite exaustiva e sensual, ela no conseguia encontrar uma nica palavra que expressasse 
algum sentimento mais profundo da parte dele. Sabia da paixo de Connor, sabia que o excitava, porm o que havia no corao do marido, ela no tinha a menor ideia.
Saiu da cama e se lavou rapidamente. A vontade de chorar era forte, porm ela se recusou a permitir isso. No conseguira arrancar alguma palavra de amor de Connor 
com toda a paixo que haviam compartilhado. Certamente no haveria de querer uma vaga declarao de afeio porque ele estivesse com pena dela ou s porque ele quisesse 
que ela parasse de chorar.
Depois de tomar um gole de cidra, voltou para a cama e viu as duas faixas de linho amarradas aos paus da cabeceira. Olhou para o marido adormecido, deitado de costas, 
e depois para o pote de creme espesso sobre a mesa. Talvez fosse a hora de recuperar o controle do jogo. Pelo menos mais tarde, quando se visse atormentada pelas 
lembranas daquela noite, ela pudesse se recordar que tudo terminara com ela a segurar as rdeas.
Connor acordou ao sentir um pano frio e mido a lhe correr pelo corpo. Abriu os olhos a tempo de ver Gillyanne jogar o pano de lado. Estava ajoelhada a seu lado, 
completamente nua e linda, e bebia uma caneca de vinho. Quando levou a mo para alcan-la, ele arregalou os olhos. Estava bem amarrado aos paus da cama. Encarou-a 
de novo. Gillyanne colocava a caneca de lado e pegava o pote de creme que ele espalhara sobre ela e lambera por imenso e delicioso prazer. Um calor o percorreu por 
inteiro. Ao lhe encontrar o olhar, pensou ter visto uma profunda tristeza e sofrimento refletidos ali, mas que desapareceram depressa. Talvez tivesse imaginado coisas.
- Vingana?
- Sim.
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- Bem, o pobre prisioneiro pode pedir um pequeno bnus?
- Espera misericrdia?
- Um pouquinho. Quando eu no puder mais suportar o tormento, quero meter-me dentro de voc. Quero estar enterrado bem fundo em seu calor quando tudo terminar.
- Pensarei nisso - disse ela, e limpou a rouquido denunciadora da voz.
- E quem sabe voc seja boazinha para se aproximar um pouco, de vez em quando, para que eu possa provar um bocadinho doce.
Quando ficava a imaginar que bocadinho doce iria oferecer primeiro, Gillyanne praguejou involuntariamente. Era duro sufocar o orgulho s para estar com as rdeas 
na mo.
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Captulo XX

- Connor, creio que temos um problema.
Arrancado da agradvel lembrana de Gillyanne a lhe dizer que o amava, Connor levou algum tempo para entender. Fechou o livro de contabilidade.
- Problema?
- Sim. Os Murrays voltaram.
- Onde est Gillyanne?
- Saiu para encontr-los. Ela sabia que estavam para chegar.
Connor saltou da cadeira. Agora compreendia o pleno significado da noite anterior. Ou Gillyanne estava lhe dizendo adeus ou quisera algo dele, algo que ele falhara 
em lhe dar. Descartou a ideia de que fosse uma despedida, embora gostasse menos ainda da outra alternativa. Uma mulher no falaria com um homem como ela fizera, 
o amaria como o amara ou lhe desnudaria a alma, se tudo que quisesse fosse ir embora. Ela tentara obter dele uma razo para ficar, algo alm da paixo que compartilhavam. 
E tudo que ele fizera fora tirar.
Ele parou nos portes e olhou para as coisas de Gillyanne, todas empacotadas. Voltou os olhos para onde Gillyanne conversava com o pai, com uma mulher baixinha que 
ele sups fosse a me, com James e aquele sujeito irritante de to belo, Payton. E ignorando
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as palavras de advertncia de Diarmot, rumou para onde estavam os Murrays, vagamente consciente que seus irmos e Encaroado o seguiam.
-Bem, menina, posso lev-la daqui agora-Eric disse, depois que Gillyanne abraou e beijou a me.
- Aceitaram a alegao de coero?
- Sim. E seu ferimento?
-Curado o suficiente para cavalgar-ela murmurou, tentando engolir a tristeza.
- Gilly, querida - disse Bethia -, responda-me a trs perguntas.
Gillyanne suspirou e olhou para os ps, imaginando porque julgara que poderia ocultar seus sentimentos da me.
- Preciso?
- Sim, precisa. Voc o ama?
- Sim.
- Quer ir embora?
- No.
- Est grvida do filho dele?
Era uma pergunta que Gillyanne tinha medo at mesmo de levar em considerao. E no momento em que sua me a fez, ela tentou se lembrar da ltima vez em que menstruara 
e s conseguiu se recordar que fora pouco antes do casamento. Por um momento tentou afogar a suspeita crescente com desculpas, mas no conseguiu.
Continuou a olhar para o cho. No era justo, pensou. Estar casada com um homem que ela adorava porm que no podia ou no conseguiria am-la seria um inferno na 
terra. Seu pai tinha os meios para livr-la dessa triste sina e no entanto agora ela no tinha certeza se conseguiria escapar.
- Ah, Gilly - murmurou Bethia, e ento suspirou e meneou a cabea.
- No tenho certeza - Gillyanne protestou, sem convico.
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- Voc tem certeza. Posso ver em seu rosto. No ser to fcil agora.
- No foi fcil antes - ela resmungou, lutando contra a vontade de chorar.
- No conseguiu obter dele alguma coisa para faz-la ficar? No existe esperana de que ele goste de voc, se no agora, quem sabe mais tarde?
- No consegui nada e tentei ver com muita insistncia.
- Estou certa que sim.
- Voc disse que Connor era um homem duro, extremamente controlado - disse Eric. - Talvez voc no tenha se esforado o bastante. Voc no pode sentir o que ele 
sente ou pensa. Est esperando que ele aja como os homens de sua prpria famlia? Voc no teve muita sorte com os homens.
- No tive sorte alguma, papai.
- Idiotas, todos eles. Contudo, quem sabe esse desapontamento lhe anuvie o julgamento. - Eric sorriu. - Ah, Gilly, querida, sei o que receia, sei porque voc temeria 
se defrontar com uma desiluso ano aps ano, e contudo, tem certeza absoluta que iria ser assim? Voc ama aquele tolo. No  algo de que possa se afastar. E depois, 
h o beb...
- Isso muda tudo - ela terminou por ele. - O que quer que eu faa, papai? Sei que no seria certo ir embora carregando o filho dele e contudo, se eu ficar at ter 
certeza... - ela deu de ombros. -- Se eu ficar, se no estiver grvida, logo ficarei.
- Oh, querida - murmurou Bethia. - Ele  como aquele l, um homem forte? - Seu olhar no estava em Gillyanne.
Gillyanne suspirou.
- Ele est vindo para c, no est?
- Sim. Quem so aquelas pessoas atrs dele?
- Encaroado e os irmos de Connor-Gillyanne respondeu, depois de se voltar e ver a pequena comitiva que se aproximava. - Diarmot, Nanty, Angus e Drew. No vejo 
Fiona. Puxa, e parece que cada homem, mulher e criana de Deilcladach est olhando
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para c. Seria tolice pensar que esse assunto seria algo particular. E Connor no parece que pretenda torn-lo agradvel.
- Um homem pode ficar irritado se sua esposa decide deix-lo - murmurou Eric, recebendo um olhar de reprovao tanto da esposa como da filha.
Connor parou a poucos passos de distncia de Gillyanne e sua famlia. Ela estava com aquele olhar tristonho outra vez e ele sabia que fora ele que o pusera ali. 
S no sabia como tir-lo. Ela queria algo que Connor no sabia se poderia dar. Os sentimentos que ela buscava estavam l, dentro dele, ele no poderia mais negar, 
porm ele no sabia como fazer para que ela soubesse disso, sem que tivesse de desnudar a prpria alma. Era aceitvel para uma mulher falar tais coisas, mas ele 
era um homem, um lorde. Deixar que o mundo soubesse o quanto ele precisava dela poderiam faz-lo parecer fraco, mole. Ela precisava entender que ele no poderia 
se permitir isso.
- Esposa, venha c. - Ele estendeu a mo. Ela avanou um passo e ento parou.
- Por qu?
- Por qu? Voc  minha esposa.
- No por muito tempo mais.
- Voc fez os votos.
- Coagida.
- Maldio, Gilly!
Os irmos e Encaroado o cercaram e o obrigaram a recuar uns poucos passos. Connor sabia que deixara o temperamento levar a melhor, mas revelar a raiva era melhor 
que mostrar o medo que lhe corroa as entranhas. Berrar era mais msculo que cair de joelhos e implorar que ela ficasse.
- Senhor - exclamou Encaroado -, no vai impedi-la de partir se tudo que sabe fazer  berrar com ela.
Connor respirou fundo para acalmar-se. Controlou o impulso de agarrar Gillyanne e tranc-la no quarto. Depois encontraria tempo para imaginar como poderia ser o 
poderoso senhor que Deilcladach
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precisava e dar  esposa um pouco do amor que ela queria. No tinha esse tempo agora. Sentia-se encurralado e no gostou.
- Tudo bem, concordo. No gritarei mais com ela.
- Umas poucas palavras com sentimento no fariam mal - disse Diarmot, quando Connor voltou a aproximar-se dos Murray.
- Volte a Deilcladach comigo, Gillyanne - disse ele, num tom que esperou fosse calmo. - Conversaremos. Tenho certeza de que no quer ir embora.
- No? Para que eu estaria aqui fora? - Gillyanne ficou surpresa ao sentir que Connor estava profundamente agitado.
- Voc  minha esposa. E me ama.
- Sim, ouvimos voc lhe dizer - exclamou Drew. - Quase todos em Deilcladach ouviram voc dizer isso aos berros.
Gillyanne quase agradeceu a Diarmot por empurrar o irmo para trs. Ela ouviu o pai repetir a palavra berro e no se voltou para encar-lo. O mais importante agora 
era Connor e se ele daria ou no uma razo para ficar.
- Sim, no se esquea disso. Eu a fao gritar - disse Connor e ignorou os resmungos dos irmos que o reprovavam.
Era quase doloroso resistir ao impulso de chut-lo, especialmente quando Gillyanne ouviu o pai sufocar uma risada, deixando claro que entendera a insinuao de Drew.
- Suponho que com o tempo eu possa encontrar outro que faa o mesmo - A despeito da tristeza, ela quase sorriu diante dos olhares ultrajados de Connor, dos irmos 
e de Encaroado.
-- No, no far isso - ele resmungou por entre os dentes cerrados. - Voc  minha esposa.
- Connor - disse ela, ao se aproximar uns passos -, preciso de uma razo para continuar aqui. Sim, eu o amo. Porm, enquanto  por isso que anseio por ficar, tambm 
 a razo de eu querer partir.
- Isso no faz sentido.
- Faz. No posso ficar, amando-o como eu amo, quando no tenho nada de volta de sua parte. No - ela retrucou, quando ele
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ia falar -, no falo da paixo que compartilhamos. De alguma forma, isso pode ser obtido em algum outro lugar. Se eu ficar, meu amor por voc logo se tornar mais 
uma maldio que uma bno. Vejo diante de mim dias de doar a voc tudo que eu tenho dentro de mim e de lentamente ficar esfaimada por alguma retribuio. No posso 
suportar nem pensar nisso. Pode ser que eu seja egosta, porm preciso de alguma coisa de voc. No  o caso de ter tudo ou nada. S peo um pedao de seu corao.
Ele olhou para todos ao redor e depois para Gillyanne. Connor sabia do que ela precisava, mas as palavras no surgiram. Ao contrrio, ele ficou furioso com ela a 
pression-lo assim, com os Murrays por tent-la lev-la para longe e mesmo com sua famlia, por esperar tanto dele. Ele se tornara aquilo que Deilcladach precisava 
e os salvara a todos, e no entanto, agora, pareciam insatisfeitos com o que ele era, queriam que mudasse.
- Ento, v - ele disse, numa voz glacial. - Quebre seus votos. - Voltou-se e rumou para Deilcladach.
- Ele voltar - disse Diarmot, quando ele e os irmos correram atrs de Connor.
Gillyanne sentiu que sua me a circundava pelos ombros, numa demonstrao de conforto. O homem que ela amava acabara de lhe dizer que fosse embora e se afastara. 
Ela deveria se sentir devastada e, contudo, no se sentia. Para sua surpresa, estava na verdade esperanosa. Ento percebeu que captava o que Connor estava sentindo. 
No eram sentimentos agradveis, pois Connor lutava contra a raiva, a frustrao, a confuso e, o mais surpreendente, contra o medo. Isso porm no importava. Ela 
o sentira e tinha certeza de que isso era bom.
- Est aborrecida, Gilly, querida - a me lhe perguntou, ao ver a expresso pensativa de Gillyanne.
- No. Acho que talvez eu tenha sido um pouquinho injusta, julgando que Connor pudesse colocar de lado doze anos de autocontrole por apenas dois meses e meio de 
casamento. Pela primeira vez, pude sentir o que ele sente, mame.
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Eric cruzou os braos no peito quando Connor foi recebido nos portes de Deilcladach por um grande grupo de mulheres.
- Suas aliadas, eu suponho.
- Oh, meu Deus - murmurou Gillyanne ao reconhecer Mairi, Joan e Fiona  frente do que parecia a reunio de toda e qualquer mulher em Deilcladach. - Isso no o deixar 
muito contente. Ele  o lorde.  quem ele .  o qu ele . Connor  muito rgido sobre o que ele deve fazer e ser para cumprir seu dever como lorde. - Franziu a 
testa ao perceber o olhar severo do pai. - O que foi?
- Sua resposta, moa. Ele se imps regras quando era quase um menino e seu povo o seguiu. Tais regras mantiveram a todos vivos, ou assim ele acredita. Na verdade, 
vi um rapaz ordenar que voc voltasse para casa e um homem que provavelmente lhe daria tudo que seu corao pudesse desejar, porm que no pensa que consiga.
-No se quiser permanecer um lorde forte e poderoso e manter Deilcladach em segurana.
- Exatamente. E no creio que seja voc que possa forar uma completa mudana. Est nas mos do cl de Connor faz-lo enxergar que ele no perder estatura se mostrar 
ternura para com a esposa.
- Talvez eles tenham de mostrar a ele que Connor no precisa lutar por sua aprovao e lealdade. Ele j as conquistou.
- Parece que voc deixou sua esposa para trs, Connor - disse Fiona, com um olhar zangado para o irmo.
- Ela quer ir embora - ele retrucou e ficou espantado com os bufos de reprovao das mulheres ao redor.
- Se ela quer partir,  porque voc no fez nada para faz-la querer ficar. Por que no pode dizer alguma coisa gentil pelo menos uma vez? Diga que  bonita.
- Eu digo - ele protestou, perturbado com a maneira que as mulheres reviravam os olhos de desgosto.
- No  bom dizer a ela quando esto na cama - disse Joan.
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- No adianta dizer que a mulher  a coisa mais linda do mundo quando se quer que ela erga as saias. Voc tem de dizer outras vezes para que ela saiba que pensa 
assim.
Connor ficou a imaginar quando as rdeas tinham fugido de suas mos para que seu povo se atrevesse a lhe dar instrues.
- Sou um lorde e um homem, e um homem no... Ai! - olhou para a mulher magra que acabara de lhe espetar a perna com uma vara. -- Me Mary!
Encaroado tentou afastar a me s para receber um soco no estmago.
- Me, a senhora no pode fazer isso. Ele  nosso lorde.
- Sei disso. Tambm tem idade para ser meu prprio filho. Eu estava com a me dele quando ele nasceu. Fui sua ama-de-leite. E  um direito que reclamo agora, o direito 
de uma velha que o limpou e segurou-o no peito. - Agarrou Connor pela orelha. --Essa mulher pretende ter uma conversinha com voc, rapazinho - disse, ao empurr-lo 
para longe das outras. - Se eu ouvir mais uma palavra sobre o que um homem faz ou deixa de fazer, Connor MacEnroy, vou surr-lo at arrancar sangue. Enterre essas 
bobagens que aquele velho demnio lhe disse, possa sua alma venenosa queimar no inferno.
-  difcil esquecer de coisas que aprendemos quando crescemos - murmurou Connor.
- Algumas jamais deveriam ser ensinadas. Ora, rapaz, a moa o ama. E voc no liga para ela?
- A senhora no compreende. Tenho de ser forte para o cl. Um homem forte...
- No deixa a mulher abandon-lo.
- Me Mary, um lorde no pode ter fraquezas. Um lorde tem de pensar apenas em seu cl, em sua sobrevivncia.
Ela encostou o dedo magro nos lbios dele.
- Voc  forte, Connor. Puxa, acho que  a pessoa mais forte que j conheci. Quando samos dos esconderijos para nos depararmos apenas com nada mais que morte e 
destruio, pude ver o
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ao a lhe moldar a espinha. Parte de mim chorou pelo rapaz que desaparecia ante meus olhos, porm outra disse, sim,  assim que se faz. Seja duro, seja forte. Era 
do que precisvamos. E voc o fez. Tnhamos de sobreviver em tempos difceis, contra a fome e o frio, e o sofrimento pela perda de tantos. Porm, rapazinho, isso 
acabou. Estamos aqui. Estamos em paz. Voc no precisa ser a nica rocha em que nos apoiamos. As vivas esto fortes outra vez, os rapazes e as moas so homens 
e mulheres agora e mesmo as crianas mais fracas ainda esto vivas.
- Contudo, precisamos ser fortes para continuar assim. Eu preciso ser forte.
- O pai da moa parece ser um homem fraco? Um que se poderia ignorar?
- No.
- Ento olhe bem para aquele lorde. Veja como acaricia os cabelos da filha, como mantm a esposa bem ao lado. Sorri para elas, beija-as na frente dos homens, brinca 
com elas e com os rapazes. Toda essa ternura  vista de todos. E no entanto, a moa confia na capacidade do pai de ajud-la, proteg-la. Ele ordena e os homens obedecem. 
Aquelas duas mulheres sabem que so queridas e contudo respeitam aquele homem.
Connor sabia o que Me Mary queria que ele visse. Sabia que a ternura que sir Eric demonstrava poderia dar lugar  coragem e bravura se estivesse com a espada em 
punho.
- Aquela moa o ama, seu tolo. Pelo que ouvi dizer, vocs se do muito bem no quarto.  idiota o bastante para pr isso de lado tambm? Ela saiu da cama de enferma 
para procur-lo quando voc estava afundado em depresso. Resolveu as coisas, no resolveu? E no descansou at v-lo livre, com o nome e a honra imaculados. Parece 
uma moa frgil e delicada, porm me contaram que tem tanto ao na espinha quanto voc.
- Sim, ela  muito forte - ele retrucou. Inteligente. Cheia de vida.
-  a esposa perfeita para um lorde. E um bom lorde haveria
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de pensar naquelas belas terras que ela tem de dote e em todos os novos aliados que podem tornar o cl mais poderoso. Ah, rapaz, ns lhe devemos nossas vidas. Queremos 
ter certeza de que no ir arruinar a sua. V at l. Diga uma palavra doce e traga sua esposa para casa. - Me Mary deu-lhe um tapinha no rosto. - Confie numa velha 
mulher. Isso no vai doer nada.
As risadinhas pararam de repente quando Connor se voltou e olhou para todos.
- Se eu tiver sucesso em trazer minha teimosa esposa de volta, os Murrays iro precisar de comida e de camas. Vocs no iriam desapont-los com a hospitalidade em 
Deilcladach, iriam?
Sentiu-se um pouco melhor quando todos se afastaram, apressados, Me Mary a rir, a segui-los. Depois, endireitando os ombros, ele rumou para onde estava a esposa. 
Era constrangedor que tivesse de ser repreendido por Me Mary antes de enxergar a verdade. S desejava ter a coragem de falar francamente com Gillyanne ou,. pelo 
menos, de usar as palavras certas.
- Seu marido est voltando - disse Eric. - Quem  a mulher que lhe puxou a orelha?
- Parece ser a me de Encaroado - retrucou Gillyanne, tomada de ansiedade e de esperana crescente. - Ele est muito srio, no ?
-  de um assunto srio que ele vem tratar. Menina, no o pressione demais.
- Aprendi bastante nas ltimas semanas para saber que, algumas vezes, com Connor, um pouco pode ser demais. S penso que nenhum homem poderia ter feito o que Connor 
fez por seu cl se no tivesse um enorme corao.
- Menina esperta - Eric murmurou, quando Connor parou a alguns passos de distncia.
- Veio dizer adeus? - Gillyanne perguntou, ao encar-lo. Como sempre, havia pouco a ler naqueles olhos ou expresso, porm ela pde sentir o turbilho que havia 
dentro dele. Ficou
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aliviada. A concha estava se quebrando. Poderia ser uma simples rachadura, porm no poderia ter acontecido em melhor hora.
- No, disse aquilo porque estava... bem, irritado.
- Irritado?
- No quero que voc v embora. - Connor estendeu a mo para ela. - No quero que me deixe - disse, baixinho.
- Eu tambm no quero, Connor.
- Porque me ama.
- Sim.
- Eu preciso de voc - ele murmurou, ao pux-la para mais perto.
Gillyanne ficou profundamente sensibilizada, no apenas pelas palavras, mas pela emoo que havia por trs delas. O estranho  que ele parecia quase doente. Havia 
gotas de suor na face de Connor e ele estava plido. Deixar o corao falar era evidentemente um tormento, ela pensou, e reprimiu um sorriso. Que alegria ver o amor 
correspondido.
- Voc me ama - ele balbuciou.
- Sim, creio que ficou bem claro.
- Ento isso no deveria ser assim to difcil. Gillyanne avanou um passo e envolveu-o num abrao forte.
- Est tudo bem, meu viking. Posso esperar. Voc pode tentar de novo mais tarde, quando estivermos sozinhos.
Era uma oferta tentadora, mas Connor resistiu em aceitar. Gillyanne confessara abertamente o amor por ele. Pelo menos uma vez ele poderia fazer o mesmo por ela. 
Tambm se recusava a permitir que o medo e a confuso o impedissem. Eram apenas trs pequenas palavras. E ele as diria.
- No, farei isso agora. - Respirou fundo, ergueu-lhe o rosto e disse: - Eu a amo.
Gillyanne enterrou a face no peito de Connor e deixou que as lgrimas corressem. Todos os medos haviam sido banidos e todas as esperanas renovadas com aquelas trs 
palavras.
- Est tudo certo agora?
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Ela encarou-o e sorriu.
- Tudo certo.
Um grito de surpresa escapou dos lbios de Gillyanne quando Connor ergueu-a no colo e rumou para Deilcladach, a correr depois de algumas largas passadas. S parou 
quando estavam no quarto.
- Acha que ele disse o que ela queria ouvir? - Bethia perguntou ao marido, enquanto via a filha ser carregada para o castelo.
- Sim. Ele parecia quase doente um instante atrs. - Voltou-se para cumprimentar a mocinha bonita que parou em frente a eles. - Bem-vinda.
- Bem-vindo, milorde - disse Fiona. - Sou Lady Fiona MacEnroy, irm do brbaro que acabou de se afastar. Dou-lhe as boas-vindas a Deilcladach e peo que entre.-Fez 
uma reverncia e ento levou as mos  cintura, com ar orgulhoso. - Fico satisfeita em receber sua famlia tambm. Gillyanne  nosso tesouro. Est me ensinando a 
ser uma dama.
Fiona pestanejou quando o breve silncio terminou numa gostosa gargalhada de todos. Gilly tinha razo: sua famlia acharia engraado que ela ensinasse algum a ser 
uma dama. Ento, Fiona sorriu. Connor tinha sua Gillyanne, porm havia muito mais a ganhar daquela unio alm de uma esposa adorvel, boas terras e aliados fortes. 
Ali havia alegria. Havia amor pela vida. Ao enlaar os braos nos dos pais de sua nova irm e conduzi-los a Deilcladach, ela teve certeza de que a fortuna lhes sorrira 
quando Connor rumara para Ald-dabhach para disputar Gillyanne. Para um irmo, ele poderia se mostrar inteligente algumas vezes.
Connor olhou para a esposa, enquanto a acariciava devagar. - Voc iria realmente me abandonar? - perguntou.
- Esse era meu plano.
- Mudou de idia?
- Sim, mame me fez trs perguntas.
- Quais?
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- Se eu o amava.
- E voc disse sim.
- Disse. Depois, se eu queria mesmo deix-lo.
- E voc disse no.
- Sim, embora estivesse com medo de ficar por am-lo tanto e no saber o que voc sentia por mim. - Aceitou o lento beijo como um pedido de desculpas.
- E a terceira pergunta?
- Se eu estava grvida. - Gillyanne surpreendeu-se quando Connor ficou rgido e imvel.
- E?
- Foi quando eu comecei a pensar que poderia ter de mudar meus planos.
Connor ergueu-se, as mos apoiadas ao lado dos ombros dela.
- E voc iria embora, levando meu filho, para longe? Ela acariciou-lhe o peito.
- No, no conseguiria.
- Ainda sim, me pressionou.
- Voc no teria feito o mesmo? Recordando-se da noite anterior, ele murmurou:
- Faria. - Sentou-se e pousou a mo no ventre da esposa. - Tem certeza?
- Sim. No menstruei desde o dia anterior ao casamento.
- Voc ficar bem - ele murmurou, a empalmar-lhe o rosto com doura.
- Sim, porque voc me ama.
- Como voc me ama.
- Sim, como eu a amo.
Connor beijou-a. E Gillyanne riu involuntariamente. Seu viking poderia nunca ser capaz de acarinh-la com palavras de ternura, porm ela tinha tudo de que precisava. 
E, quando ele penetrou-a com carinho, ela julgou que as aes poderiam valer mais do que palavras. Poderiam ser bem mais agradveis.
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Eplogo

Todos estavam reunidos no salo de Deilcladach para o batizado dos gmeos, um menino e uma menina, os filhos saudveis que Gillyanne dera a Connor, e que estavam 
agora com seis semanas. Connor engoliu o vinho, nervoso, quando chegou a hora dos brindes. Sentiu um fio de suor correr-lhe pelas costas.
- Voc est bem? - perguntou Gillyanne, julgando que ele estivesse doente.
- Sim, s estou me preparando para falar.
- No precisa fazer isso, Connor.
- Sim, preciso.
Ao chegar sua vez, ele se endireitou e levantou-se.
- Agradeo a todos que vieram aqui para celebrar o batizado de nossos filhos. E agradeo tambm os belos presentes. Mais do que tudo, gostaria de agradecer aos Murrays 
por minha esposa. Ela  minha alegria, meu corao e o melhor presente com que qualquer homem poderia ser abenoado. - Olhou para Gillyanne e ergueu a caneca de 
vinho. - Eu te amo.
Gillyanne mal ouviu os gritos e aplausos. Agarrou a mo de Connor assim que ele se sentou. Ele estava um tanto verde e evidentemente suado, porm jamais o vira to 
belo. Beijou-o.
-No era para faz-la chorar-ele resmungou, ao lhe enxugar as lgrimas com um guardanapo.
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- Oh, Connor, foi to lindo...
- Bem, eu queria agradec-la. Sabia que todos estariam brindando s crianas e era a voc que eu queria brindar. Amo meus filhos, porm...
- Eu sei.
- Afinal, voc merece.
Gillyanne sorriu. Ele dissera diante de todos que a amava. Duvidava que Connor soubesse o que tal atitude significava para ela. Era um presente to puro e to grandioso 
que ela no sabia como corresponder. Contudo, poderia tentar, mais tarde.
Connor suspirou de satisfao ao entrar no quarto. A festa fora suntuosa e bem preparada, agradara  esposa com suas palavras, e toda a famlia, tanto dela como 
dele, parecia contente. Aqueles que no conhecia o haviam aceitado e ele pudera entrever a promessa de fortes alianas.
Fechou a porta atrs de si e ento franziu a testa. Havia algo diferente. Olhou para a porta.
- Temos uma porta nova-murmurou Gillyanne, nua ao lado da banheira. - Duas, alis. - Apontou para aquela que dava para o quarto das crianas. - E bem grossas.
- Tem certeza?
- Absoluta. E h um novo sino para chamar os rapazes para o jantar. No serei o sino mais.
Connor comeou a rir.
- Ah, Gilly, voc  minha alegria.
Ela correu e deixou que o marido a envolvesse nos braos.
- Eu o amo.
- E eu a amo. - Beijou-a de novo e fitou-a, com ar de dvida, ao enfim perceber que ela estava nua. - Gilly?
- Pensei que voc pudesse querer um banho...
- As crianas esto com seis semanas apenas. Tem certeza?
- No apenas tenho certeza, estou desesperada - ela murmurou, ao desfazer-lhe os laos da cala.
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- Ah, minha esposa, voc  meu corao, minha felicidade e minha bno.
- E voc  a minha, meu viking. Agora e para sempre.
- Bem, ento, vamos testar as novas portas.
